Beleza negra do desfile da LAB dá goleada na passarela

Precisou que um rapper invadisse a passarela para mostrar o óbvio: um desfile com a maioria de modelos negros é tão ou mais bonito do que um desfile de brancos escandinavos. Não há mais argumento possível depois de assistir ao desfile da LAB, Laboratório Fantasma, marca de Emicida em coleção que teve co-autoria de João Pimenta.

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E não é porque o artista é da periferia e suas roupas são para um público com menos dinheiro, uma das justificativas furadas usadas para não incluir pelo menos metade de negros num desfile de high fashion. Usa-se o argumento da porcentagem muito maior de brancos entre os ricos para explicar que a escolha por uma passarela branca seria por representatividade do público alvo. Olhemos para a realidade: mesmo entre a classe alta, loiros e brancos tipo holandeses são a minoria. Nós, da classe alta, também temos um biotipo bem diferente do europeu que a alta moda usa como padrão. Por que não misturar então o modelo aspiracional?

Agência Fotosite

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No show de Emicida, ele quis refletir mesmo a beleza das ruas, do público que usa suas roupas e não se curva a padrões. Não saberia dizer se a maioria dos clientes da Laboratório Fantasma é negra, mas está claro que o rapper fez questão de inverter a porcentagem e dar uma bela goleada de 90% negros versus 10% brancos para mostrar como seria o mundo da moda mais colorido. E quem viu, sabe: ele é lindo, orgulhoso, com roupas inteligentes e desejáveis nível Vetements, com homens e mulheres de vários tons de pele negra, alguns poucos brancos no meio, manequins diferentes abrangendo até o extra extra large. Por que não? 

Se os russos estão dando uma lição de moda crua das ruas nas passarelas de Paris, o Brasil, hoje, foi além: deu um show de diversidade tão honesto, tão genuíno, que o jogo se inverteu. Todos queriam ter aquela pele que precisou de quatro itens de maquiagem para desfilar bela (foram usados por Marcos Costa uma base, um gloss transparente, um batom Natura na bochecha, rímel, e só), aquele cabelo poderoso, aquelas calças oversized potencializadas pelo design preciso de Pimenta e aquela camiseta que resumia tudo, inspirando todo mundo a estampar no peito: I Love Que-Brada.

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