Como cabeleireiros podem ajudar vítimas de violência doméstica

Uma nova lei nos Estados Unidos pretende incluir aulas de conscientização de violência e assédio para profissionais de beleza.

Linda Rosenthal, uma política americana baseada em Nova York, está sugerindo uma nova lei a nível nacional para que sejam incluídas aulas de conscientização de violência e assédio na formação de profissionais de beleza. Em um primeiro momento, pode parecer um estereótipo assumir que mulheres contem segredos para seus cabeleireiros, mas projetos similares já existem em outras cidades, como em Chicago, e provaram ser efetivos. “Você diz coisas como ‘eu acredito em você. Você é corajosa por estar dizendo isso'”, explica Sheila King, membro do comitê Chicago Says no More, ao The Cut.

“Muitas vezes, as mulheres sentem que não podem falar com suas amigas ou famílias sem serem julgadas”, diz Chris Mitchel, um hairstylist de Manhattan. “Mas ninguém nos prepara para lidar com o aspecto mental que muitas vezes nos deparamos no nosso trabalho“. A ideia, que ainda está sendo desenvolvida, é ensinar o jeito certo de apoiar e entender uma cliente que compartilhe um caso de abuso, e como delicadamente direcioná-la a instituições ou autoridades.

Congressistas estão mirando especificamente em salões por causa do contato mais próximo que os cabeleireiros possuem com as clientes. Afinal, poucas profissões têm aval para tocar nas pessoas. “Eu realmente acredito que o salão é um espaço em que nós acabamos escutando algo sobre abuso antes de todo mundo. Existe algo no contato humano, por nós interagirmos com a cabeça e o cabelo das nossas cliente. Pense sobre isso”, convida Maria Alvarez, profissional de um estabelecimento no Upper West Side.

Por enquanto, o foco é apenas nos cabeleireiros, uma vez que eles acreditam que por muitas manicures serem imigrantes, pode haver uma barreira linguística. O senador Bill Cunningham, que trabalhou com o projeto Chicago Says No More, também pontuou ao The Cut que não haverá punição para os profissionais que não se sentirem confortáveis e optarem pelo silêncio. “Algumas pessoas ficam receosas de que uma mulher fosse ao salão, contasse a algum profissional sobre ser uma vítima, e aquele profissional falhasse em fazer alguma coisa e acabasse sendo responsabilizado”.

Estimando que uma a cada três mulheres passou por abuso físico nas mãos de parceiros durante a vida nos Estados Unidos — e os dados no Brasil não são muito diferentes: 50,3% dos feminicídios foram cometidos por familiares, de acordo com o Mapa da Violência de 2015 — há grandes chances de que pelo menos algumas clientes de salões sejam vítimas. Se cabeleireiros podem ajudar de alguma forma a encaminhar essas mulheres a um programa de auxílio adequado, ele pode ser considerado uma boa ajuda.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

  1. Progressiva Naweb

    Adorei a matéria!!

    Curtir