Dormir sete horas é pré-requisito para manter a beleza e a saúde

Um novo livro põe fim ao debate.

Sabe a expressão “cara feia, para mim, é fome”? Nos dias de hoje, é mais provável que seja falta de sono. É o que mostra o livro The Sleep Revolution – Transforming Your Life, One Night at a Time (A Revolução do Sono – Transformando Sua Vida, Uma Noite de Cada Vez, Harmony Books), lançado há alguns meses nos Estados Unidos. A publicação, ainda sem previsão de chegada ao Brasil, é uma defesa vigorosa da necessidade de dormir, feita com base em estudos dos principais centros de pesquisas sobre a medicina do sono do mundo.

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O que torna seus argumentos mais convincentes, porém, é o fato de ter sido escrito com base em uma experiência pessoal. A autora, Arianna Hufngton, é uma workaholic assumida (fundadora do The Huffington Post e uma das 100 pessoas mais influentes da mídia nos EUA segundo a revista Forbes) e resolveu começar o livro depois de um acidente. Esgotada, sofreu uma queda e quebrou o maxilar. Aprendeu a lição e descobriu que, se dormisse, podia ser uma pessoa melhor em tudo. Inclusive na profissão. “Trabalhava de 16 a 18 horas por dia e dormia de três a quatro horas por noite. Foi preciso sofrer uma estafa para mudar e me tornar uma defensora da necessidade de ação, e não só conscientização, sobre a real importância de dormir”, conta ela. Um dos objetivos do livro é tentar dissociar a noção corrente de que pouco tempo na cama seja uma condição para o sucesso no trabalho e na vida pessoal – algo que a coach de carreira Ana Raia também nota em seu dia a dia profissional. “Se alguém me pergunta como estou e respondo que estou tranquila, as pessoas me olham como se meu trabalho não andasse bem. Há a cobrança para que todo mundo esteja sempre ocupado”, diz.

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Dormir menos para trabalhar mais é, porém, um paradoxo. “A falta de descanso reduz a capacidade de produção a níveis insatisfatórios. Privar-se de dormir gera um impacto devastador na produtividade”, garante Arianna no livro, citando o pesquisador Ronald C. Kessler, da Faculdade de Medicina de Harvard. Discussões desnecessárias, ofensas e impulsos que trazem arrependimento também podem ter ligação direta com as horas a menos com a cabeça no travesseiro. “A tolerância a vivências desagradáveis diminui e a irritabilidade e os comportamentos impulsivos ganham espaço”, diz Laura Helena de Andrade, do Instituto de Psiquiatria do HC, da Faculdade de Medicina da USP.

O SONO DA BELEZA

Há ainda dois mitos sobre o sono que dificultam os argumentos médicos: a ideia de que tolerar noites curtas é questão de adaptação e a crença de que cada pessoa tem uma necessidade diferente de número de horas por noite. Errado. O tempo mínimo, para todos, é, sim, de sete horas. “As academias científicas de medicina do sono têm um consenso sobre a questão: um adulto necessita dormir de sete a nove horas”, ressalta Laura. A médica garante que dormir menos se transforma numa roleta-russa para o corpo em diversos aspectos, do aumento do risco de doenças mentais, diabetes e hipertensão ao prejuízo em funções essenciais para o dia a dia. “O sono suficiente melhora a concentração, a clareza de raciocínio e a memória.”

Se ainda falta algum argumento para convencer você a ir para a cama, então é hora de apelar para a beleza. “Noites maldormidas acentuam olheiras e manchas e o cortisol, o hormônio ativado pelo estresse, fica em altos níveis e não faz a renovação celular como deveria. Isso leva à formação de radicais livres, que degradam o colágeno e causam rugas precoces”, diz o dermatologista José Carlos Greco, de São Paulo. Emagrecer também fica mais difícil. “Dormir mal desregula dois hormônios cruciais do metabolismo. A leptina, que reduz a vontade de comer e estimula o gasto de energia, diminui. E a grelina, que potencializa o apetite, cresce”, diz a endocrinologista Juliana Bicca, de São Paulo. Na hora de esticar o expediente ou adiantar o despertador, portanto, faça as contas: somar tempo na cama vai multiplicar sua qualidade de vida.

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