Ebonee Davis: “usar o cabelo natural foi exploração profunda”

Modelo fala sobre padrões de beleza e pede que a indústria da moda também seja uma plataforma para lutar contra o racismo.

A modelo Ebonee Davis se tornou ativista em 2016, após ver o grande número de mortes violentas de homens negros e jovens nos Estados Unidos crescer. A estrela da campanha da Calvin Klein escreveu uma carta aberta à indústria da moda, pedindo para que ela faça parte do fim do racismo no país e também que seja uma plataforma para a igualdade. A carta viralizou e ela foi convidada para um TED talk em fevereiro de 2017 — que agora já conta com mais de 50.000 visualizações no Youtube. Ela conversou com a i-D como parte de uma programação da semana de beleza do veículo sobre padrões de beleza, e conta momentos importantes sobre a sua vida, nos quais percebeu a importância de construir e celebrar a sua identidade.

“A celebração da beleza verdadeira é uma celebração da vida. É uma celebração da liberdade e do direito de ser quem você é sem medo de ser julgado. É uma celebração da autenticidade e de ser único. Existem 7.5 bilhões de pessoas andando na terra hoje. São 7.5 bilhões de pares de olhos, 7.5 bilhões de narizes, olhos, bocas, texturas de cabelo, tons de pele. 7.5 bilhões de histórias. 7.5 bilhões de pessoas imperfeitas querendo nada mais do que aceitação e liberdade de serem quem são e de se expressar”, começa ela em seu texto no site.

I love me. I love my mind. I love how kind I am. I love how generous I am. I love how open I am. I love how motivated I am. I love the way I love. I love how deeply I love. I love how much I love God. I love how much I love others. I love my resilience. I love that I can always create something beautiful out of nothing. I love the kind of friend I am. I love the kind of daughter I am. I love my brown skin. I love my coiled hair. I love my full features. I love the shit about me that's not cool. I love the shit about me that's embarrassing. I love how vulnerable I allow myself to get. I love things that took me years to love. I love things that aren't easy to love. I love that I can finally accept myself. Self love is the tiniest revolution and yet greatest form of resistance against oppression. I'm not perfect but I LOVE ME! #unconditional 🌹

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Ela fala sobre a relação entre sua etnia e os padrões de beleza na indústria da moda — assim como a importância dos veículos de comunicação nesse assunto: “Para o TEDx Talk de janeiro, eu pensei em meus cinco anos como modelo, e isso me trouxe sentimentos de ansiedade, tristeza e raiva em níveis muito mais poderosos do que eu tinha percebido antes. A decisão de usar o cabelo natural foi meu ponto de exploração mais profundo. A discussão de beleza e negritude é, inevitavelmente, uma discussão de identidade. Toda pessoa negra que eu conheço já sofreu com a sua negritude e como ela interage com outros aspectos de sua vida, como a maternidade, paternidade, educação, religião e, claro, beleza. Não existiam muitos modelos negros nas revistas enquanto eu crescia. Essa representação é corrosiva para a fundação de uma unidade entre as pessoas negras, e distorce nossas percepções de nós mesmos e de uns dos outros.”

O depoimento de Ebonee não é isolado: modelos negras tiveram que protestar para serem representadas nos comerciais e nas passarelas.  Ao falar sobre colorismo, ela também cita a tentativa de transformação de sua beleza — assunto primordial para a discussão do racismo na moda, levando em conta que, até alguns anos, produtos para mulheres negras eram escassos nas prateleiras. “O colorismo é um sistema que dá mais valor para pessoas negras com tons de pele mais claros e feições europeias. Eu nunca quis ser branca. Mas, de qualquer forma, eu sempre quis ter a pele mais clara. Ao crescer como uma mulher negra, eu nunca fui feita para me sentir bonita ou aceita. Ao longo dos anos, eu investi um imensurável tanto de dinheiro e tempo em produtos de beleza, extensões capilares e maquiagem para alcançar um tipo de look.”

Ela finaliza com uma mensagem positiva que ecoa não apenas no mundo fashion, mas também em todo o mundo: “eu me sinto mais bonita agora do que nunca me senti antes, e esse sentimento vem de algo maior do que minha mudança capilar. Vem de ter uma identidade. A construção da minha identidade vem de abraçar minhas cicatrizes emocionais e físicas, transformando minha vergonha em orgulho. Perceber que eu sou meu próprio parâmetro me deu confiança. Aprendi a me aceitar, o que permitiu que eu aceitasse os outros.”

 

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