Foto com filha de Kate Moss gera debate sobre apropriação cultural

Lila Moss estreou como modelo para o salão The Braid Bar.

No começo deste ano, o cabeleireiro britânico especializado em tranças The Braid Bar, localizado na Selfridges, divulgou um texto no qual se desculpava pela falta de representatividade em seus posts. A declaração foi compartilhada e celebrada pela apresentadora de rádio Clara Amfo, que se encontrou com os criadores da empresa para explicar por que havia rejeitado ir ao espaço e aproveitou para chamar atenção ao debate de apropriação cultural.

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“Notamos que não estamos valorizando suficientemente as culturas que inspiraram a criação do The Braid Bar, em particular a cultura negra. Fomos ingênuos, mas agora nossos olhos estão abertos para questões que não estavam tão claras quando começamos. Nos desculpamos pela nossa falta de sensibilidade cultural e prometemos que, a partir de agora, vocês verão mudanças na forma como fazemos as coisas”, escreveram.

A quantidade de posts protagonizados por pessoas negras notavelmente aumentou no Instagram do salão, mas uma foto específica compartilhada na última semana trouxe a discussão à tona mais uma vez. A imagem marca a estreia de Lila Moss, filha de Kate Moss, no mundo publicitário aos 14 anos, e ainda conta com a participação de Stella Jones, filha de Mick Jones, da banda The Clash.

Apesar das tranças existirem em diversos países há séculos, as que as as duas adolescentes usam costumam ser mais associadas à cultura negra. A diferença é que, historicamente, mulheres negras sofrem racismo por seus cabelos naturais e penteados tradicionais como os com turbantes ou tranças que começam na raiz. Mulheres brancas, por sua vez, costumam ser vistas como precursoras de tendências de moda. Um comentário do usuário @uglylilboy evidenciou a questão: “Adoro que meninas negras são expulsas da escola e demitidas de seus trabalhos por looks como esses. Realmente fica muito melhor num corpo branco. É como um tributo ao nosso sistema opressor, aos traumas e à marginalização que temos que encarar por existir em nossos corpos negros”.

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Em setembro do ano passado, alunas de uma escola só para garotas na África do Sul iniciaram uma campanha contra a imposição de um padrão para seu cabelos para que pudessem usar seus afros livremente. Elas reclamavam de serem obrigadas a usar os cabelos lisos, e proibidas de ir à escola com seus fios naturais se eles fossem volumosos. O pedido era por uma atualização no código de conduta e vestimenta da instituição, que também discriminava estudantes muçulmanas.

O cenário atual, porém, parece esperançoso com diversas mulheres usando seu poder e influência midiáticos a fim de celebrar a liberdade de usar o cabelo da forma que desejarem. Vale a pena conferir o que vem sendo feito por meninas que mudam o mundo com sua arte e seus fios aqui.

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