No século 21, fazer moda é fazer política

Estratégias de ação como a da LUSH Cosmetics provam que para engajar pessoas é preciso ser engajado também.

Acredite se quiser, a LUSH Cosmetics não paga Google Ads e também não patrocina suas publicações no Facebook. “Nós preferimos gastar esse dinheiro em ingredientes melhores para os nossos produtos”, diz Adam Goswell, porta-voz do e-commerce da marca de beleza conhecida por seus produtos vegetarianos, orgânicos e sempre frescos. “Se você quer vender algo incrível, não é preciso pagar para que alguém diga ‘olha como é incrível isso daqui’, ele fala por si mesmo.”

E já que eles não gastam nada com esse tipo de publicidade “por não concordar sequer com a ética dessas empresas”, é o engajamento político da marca o que ajuda na hora de agregar mais clientes. “A LUSH vende cosméticos para fazer ativismo”, diz. “Com a plataforma que temos com as lojas, com o e-commerce, com nossas redes sociais e com a internet como um todo é que tentamos tocar em assuntos que pensamos ser extremamente importantes para o mundo.”

Segundo Beatriz Modolin, expert em pesquisa de tendências do WGSN, essa aproximação da moda e da beleza com a política começou a acontecer nos anos 1960. “Nessa época é que surgem os desfiles de prêt-à-porter, que tinham muito mais visibilidade. Com isso, uma conexão natural começou a se formar”, explica. Atualmente, os direitos humanos e a inclusão social parecem ser os assuntos mais queridos do mundo fashion no momento.

A LUSH vende cosméticos para fazer ativismo

Dentro da LUSH, por exemplo, a Charity Pot – uma linha de produtos com lucros revertidos para instituições – divide seu foco em três: direitos dos animais, proteção ambiental e, claro, direitos humanos. É neste último setor que a militância LGBT, por exemplo, encontra respaldo. “Apoiamos movimentos locais em diferentes pontos do planeta, inclusive em países onde essa questão ainda sofre muita resistência como Coreia, Rússia e Ucrânia”, lista Alessandro Comisso, porta-voz da marca para questões LGBT.

#givingtuesday is about giving back. Charity Pot Hand and Body Lotion donates 100% of the sales price to small, grassroots charities.

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Além deles, outras marcas também estão mostrando que, por trás de suas peças de roupas ou produtos de beleza existe um discurso. No quesito feminismo, prêmios como o DVF Awards (idealizado por Diane Von Fursteberg para homenagear mulheres que trabalham para melhorar a vida de outras mulheres) e o Cartier Women’s Initiative Awards (que celebra iniciativas inovadoras de mulheres empreendedoras), são alguns dos muitos que podemos contabilizar.

Leia mais: Estas modelos usam sua visibilidade para causas sociais

Willy Chavarria (foto abaixo) e Pyer Moss também são marcas que passaram a manifestar o seu apoio pela campanha Black Lives Matter. E ainda vale lembrar a coleção Hu do Pharrell com a Adidas que defende a igualdade de direitos para todos independente de raça ou gênero.

WILLY CHAVARRIA SS17 // NEW YORK CITY PREVIEW @mediumconcepts

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Em tempos de Donald Trump eleito – e com a grande exposição de pensamentos e atitudes conservadoras que o mundo tem presenciado – a moda e a beleza ganham uma chance de usar a sua voz não só para deixar o mundo mais bonito, mas também para transformar a maneira às vezes cruel como ele funciona.

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