O que define hoje um cosmético de luxo?

Entre texturas mágicas e embalagens conceituais, ELLE analisa o que define hoje um cosmético de luxo.

Construir um túnel do tempo e condensá-lo num pote ainda é impossível. Se o frasco for lindo e a textura do conteúdo surpreendente, porém, a história passa a ser não apenas sobre os resultados do creme mas também sobre as sensações que ter e usar o produto provocam. Está aí um dos trunfos recentes dos cosméticos de luxo. “Tudo o que sugere mudanças de estado físico é extremamente excitante. Por isso, a experiência de usar produtos que estão no meio-termo entre o sólido e o líquido, o líquido e o gasoso, é tão prazerosa: uma água que vira uma espuma, uma musse que vira um pó em contato com a pele e assim por diante. Parece mágica”, diz o professor Silvio Passarelli, diretor do curso de gestão de luxo, da Faap, em São Paulo.

Nessa linha, os óleos se destacam entre os lançamentos recentes, com texturas suaves, que quase se confundem com as dos séruns. Lançamento deste mês no Brasil, o Te Renewal Oil, da La Mer, é um desses casos. Hidratante antiaging bifásico, é multiúso e tem textura quase aquosa. O mesmo se aplica ao Future Solution LX – Replenishing Treatment Oil, da Shiseido, que ainda traz outro benefício sensorial: a fragrância, que segundo a marca japonesa, “aumenta as ondas alfa do cérebro, criando um efeito de alto relaxamento”. Os elaborados perfumes criados para cosméticos que não são tecnicamente perfumes são outro diferencial dos produtos de luxo, juntamente com o design cada vez mais sofisticado das embalagens. Em muitos casos, elas viram praticamente um acessório de moda, ora glamouroso (caso do estojo de maquiagem da Shiseido inspirado numa clutch, na página ao lado), ora ergonômico e futurista, como a linha de corretivos Fix It Colour, da Dior, recém-chegada ao Brasil (o Apricot, na foto da página ao lado, serve para corrigir manchas escuras). Por fim, na contramão do resto da indústria, a alta perfumaria tem apostado em frascos cada vez mais minimalistas e austeros. A tendência aparece em linhas com embalagens praticamente idênticas – caso das dez fragrâncias da coleção unissex Olfactories, da Prada, e do lançamento mundial da Jo Malone, Basil & Neroli. E se confirma em perfumes icônicos de maisons como a Chanel, que acaba de lançar o L’Eau Nº 5, a versão jovem do clássico Chanel Nº 5, em frasco totalmente clean. “O perfume não precisa ter uma embalagem superlativa. A ideia é valorizar a experiência olfativa. É pelo cheiro que há a identificação, a conexão com o produto, e não pelo frasco”, finaliza Passarelli.

Publicado originalmente na ELLE outubro.

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