Perfumes unissex: tudo o que você precisa saber

Sete fragrâncias para mudar de ares e dicas sobre essências originais.

“A associação de cheiros a um gênero é cultural”, conta Dênis Pagani, consultor especialista em perfumes e criador e escritor do 1nariz, sobre o mito do perfume unissex. “Há o que chamamos de perfume fougère ou aromático, que conta com notas de tempero fresco de cozinha, como alecrim, sálvia, tomilho e lavanda, e são comumente associados a perfumes masculinos. Em comparação, a cultura ocidental associa os florais mais opulentos aos perfumes femininos, com rosas brancas, tuberosa, flores mais exibidas, penetrantes e com grande difusão. E também são utilizadas notas mais gourmand, com as quais se associa a ideia do sexy, que são notas aditivas, comestíveis, que fazem salivar. Elas podem lembrar chocolate, algodão doce, caramelo, praline, frutas de polpa (sem cítricos), como manga, cereja, frutas vermelhas e até notas licorosas”, completa ele. Como todo elemento cultural, essas ideias mudam ao longo do tempo e dependem da localização geográfica: “na Índia, por exemplo, é comum os homens se perfumarem com tuberosa, e, no Oriente Médio, é bastante frequente que usem rosas e opulentas”.

Leia mais: Quer trabalhar com perfumes? Conheça as profissões desse universo

Em busca de um perfume que fugisse dessas descrições, tivesse mais experimentações, e que fosse mais complexo e também mais memorável, encontramos sete opções delirantes e também questionamos Dênis — que oferece cursos e workshops para quem quer entender mais do mundo da perfumaria (é possível até se alfabetizar olfativamente!) — sobre como encontrar um perfume interessante e que fuja do óbvio. ideal. Confira:

*Preços pesquisados em abril de 2017

Qual a diferença, em termos de notas, por exemplo, entre um perfume unissex e um feminino ou masculino?

O caminho mais fácil para o unissex são os cítricos e a presença das madeiras — especialmente se forem menos pesadas, como algumas madeiras sintéticas delicadas, mais transparentes, que não dão tanto impacto. Algumas madeiras mais pesadas são registradas como masculinas, como a vetiver, e outras registram como femininas, como o sândalo, que é mais cremosa e untuosa. Podemos também buscar as notas aquáticas em destaque, florais mais transparentes, como um jasmim úmido, algo que não seja tão penetrante. É esse caminho do frescor e da transparência das madeiras.

Quem busca um perfume forte e repleto de personalidade, mas que não seja doce, deve buscar que tipo de fragrância?

Madeiras, perfumes amadeirados. Tem muitas mulheres que se interessam pela vetiver porque é uma nota muito complexa, muito bonita. O patchouli também, hoje em dia tem patchouli leve, diferente daquele dos anos 1970, que era denso e pesado, muito amargo. O sândalo é uma ideia também, com a ressalva de que, às vezes, ele entra nesse caminho mais gourmand, junto com essa cremosidade. E dá pra incluir também os musgos, como o musgo de carvalho, que é uma matéria-prima típica dos perfumes chipre — mas tem um caminho dos chipres contemporâneos que chegam no gourmand, com notas suculentas e de frutas. Então talvez um outro caminho para essa força sem ser adocicado fosse pesquisar os chipres clássicos. São perfumes imponentes, grandiosos, mas funcionam muito como quem usa uma peça de brechó. Retira do contexto, sem virar uma fantasia hippie.

O que faz um bom perfume?

Eu avalio perfumes, em geral, pela ideia do memorável, se ele tem algum motivo para ser lembrado, se ele deixa alguma marca na minha memória. Estamos falando de um mercado que lança mil e tantos perfumes por ano, então tem que ter alguma coisa a dizer — e pode ser pela originalidade ou pela qualidade. Ele pode ser delicioso, mesmo que não seja um formato ou uma ideia nova, pode ser delicioso porque ele é muito bem feito, porque ele é irresistível mesmo. Isso já o suficiente. Um outro caminho é o caminho da originalidade, é um acorde interessante, inovador, ele juntou coisas que não tinham sido reunidas antes.

Existe diferença de áreas do corpo para se borrifar um perfume como esse?

Acredito que não. Acho que cada um tem que aplicar da maneira que se sente confortável. As linhas gerais de raciocínio são: para quem é muito sensível, e que tende a se incomodar com o próprio perfume, um caminho é borrifar distante do nariz. Esse é meu caso, por exemplo, então eu gosto de borrifar nos pulsos e na nuca, porque são lugares que, apesar de meu nariz não estar perto, eu me movimento e o ar se move e eu sinto meu perfume de vez em quando, ele me faz uma surpresa agradável em vez de eu estar sentindo ele o tempo todo e isso me enjoar, me cansar.

Se estamos falando de perfumes muito leves, como os cítricos, ou água de colônia, são perfumes que não querem durar muito tempo. Um jeito de contornar isso é borrifar na roupa, porque os óleos da fragrância se misturam bem com o tecido, se agarram no tecido, e isso aumenta um pouquinho a duração dele. Essa mesma dica vale para quem quer mais impacto com o perfume, quer que ele apareça mais, porque a roupa está exposta, está próxima do corpo, o calor do corpo vai fazer a projeção acontecer. Uma outra ideia para quem quer mais projeção é borrifar no cabelo, pelo mesmo motivo dos óleos: as fragrâncias se dão bem no fio do cabelo, então ele permanece ali. E a cabeça é um dos pontos mais quentes do corpo, e esse calor faz a difusão acontecer e se alguém que tem cabelo longo por exemplo, movimenta o cabelo, faz o perfume aparecer.

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