Esta artesã sempre viveu em Paris e conta a fórmula da elegância

Anne Pierre divide sua visão da cidade.

A artesã Anne Pierre é a típica parisiense: ela nasceu no bairro 14, estudou por ali mesmo e nunca morou fora da Cidade Luz. Sua mãe e pai também eram parisienses e o resto da família, com exceção de um pedaço que vem da Bretanha (outra região francesa) é toda educada dentro dos manuais clássicos do local. “Até os meus 11 anos de idade, eu não podia sentar à mesa vestindo calças compridas. Éramos obrigadas a usar vestidos e nos prepararmos para as refeições”, conta a designer de sapatos, que hoje adora uma calça jeans, mas ainda não abre mão do salto. Batemos um papo exclusivo com ela, confira:

Como você definiria seu estilo?

Gosto de uma moda sem fronteiras. Na foto em que tiramos (abaixo), preferi algo mais invernal, um pouco rocker e meio urbano, mas com um toque de quem ama o campo.

Paris te inspira na hora de se vestir?

Sim! Ela tem uma beleza singular e procuro estar em sintonia com a cidade. Adoro usar cores fortes, por exemplo.

Qual a sua relação com a moda?

Ela está em todos os lugares e é capaz de dizer se você faz parte dessa ou daquela tribo. Para mim, a moda é uma questão pessoal, um exercício de observação e crítica. É ter um olhar sobre o passado, o presente e o futuro. É um jogo de sedução.

(Ana Garmendia/ELLE)

Leia mais: Toda a diversidade de estilos da semana de moda de Paris

Quais são as suas peças indispensáveis?

Um jeans bem cortado, seja para trabalhar ou para sair à noite. Como sou muito pálida, gosto de usar sempre um pouco de blush rosa. Meu perfume do momento é L’Eau de Chanel.

Você tem uma fórmula de elegância?

Ser simples.

Você tem uma marca preferida?

Eu não tenho uma preferida. Diria que gosto bastante de algumas marcas de luxo, apesar de não ter dinheiro para comprar nada delas.  Balmain, Lanvin, Sonia Rykiel, Versace, Jean Paul Gaultier e Saint Laurent para as roupas, Salvatore Ferragamo e Roger Vivier para os sapatos.

Tem ícones de moda? Pessoas que te inspiram na hora de criar teu estilo?

Um ícone de vida ou moda, eu não tenho. Mas, admiro muito o trabalho da Gabrielle Chanel, Christian Lacroix e Christian Dior. Quanto aos ícones de moda eu gosto sobretudo das grandes estrelas de cinema. De Ava Gardner à Charlotte Gainsbourg!

Endereços imperdíveis em Paris?

Os meus melhores endereços são dépôt-vente (lojas que vendem roupas e acessórios de coleções passadas) fabulosos. Muita diversidade num só lugar. Eu não tenho tempo de ir às lojas uma por uma. Vou até as que estão perto do meu trabalho no bairro 12, em ruas como a Trousseau, Cotte ou no bairro Marais, na rua Roi de Sicile. No bairro 15, existe a rua des Nouettes onde passo sempre quando busco meu filho na casa da avó dele. Existem muitas outras na cidade, mas os preços podem ser explosivos e são compras que demandam tempo. Paris é também cheia de mercados e de pequenas lojas de criadores e artesãos. Bom para encontrar peças raras e únicas. Minha dica é visitar os bairros 11 e 12 e descobrir o que eles têm de interessante.

Qual a sua profissão?

Fundei uma sapataria com meu sócio no bairro 12, rue de Cotte, o Atelier Pavin. Faço sapatos sob medida e sou colorista de couro. Fazemos também bolsas e nossa especialidade é com o masculino.

A moda hoje fala muito em feminismo, o que isso representa para você?

Para mim, falar de moda e feminismo juntos é falar de feminilidade. A moda é feita para ser acessível a todos. Ela busca a classificação. Existe a moda de massa, de luxo, os códigos de moda, segundo o status social, etc… Já o feminismo é sem classe, sem “moda”, então existe algo de paradoxal. Por exemplo, adoro o corselete, apesar dele ser um símbolo de submissão. Sua fabricação é complicada. É uma arte. O feminismo tem que existir na nossa sociedade, se não a mulher jamais será reconhecida, respeitada e terá sua chance e liberdade no dia a dia. Eu, inclusive, faço um trabalho que é tipicamente reservado aos homens, mas ele me agrada, eu adoro e me sinto também muito mulher. Meu combate está aí.

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