

Ele era um dândi. Jornalista e político conhecido, dado à boa vida, com mais charme que dinheiro, entrou para a história como um dos grandes abolicionistas do Brasil. Ela, filha de uma das famílias mais ricas e poderosas do Rio de Janeiro, uma das mais influentes entre as ligadas ao café. Os dois bonitos e sedutores. Joaquim Nabuco e Eufrásia Teixeira Leite se conheceram e se apaixonaram, dizem, ainda crianças. Mas passaram a vida inteira entre encontros e desencontros, sem jamais conseguirem de fato ficar juntos. Um dos motivos foi a promessa feita por Eufrásia e por sua irmã mais velha, Francisca, de que nunca se casariam, para não correrem o risco de ver escoar todo o patrimônio da família nas mãos de um marido inconseqüente. Firme nesse objetivo, o pai delas, Joaquim Teixeira Leite, deu às filhas, principalmente à caçula, uma educação incomum para o final do século XIX.
Culta, habilidosa com finanças, Eufrásia foi treinada desde cedo para administrar os negócios da família. Mais tarde, depois da morte dos pais, mudou-se com a irmã para Paris, de onde negociou com grandes empresas do mundo inteiro, aplicou no mercado financeiro e duplicou a herança já então milionária. Essa história fascinante está documentada em dois livros já disponíveis nas livrarias: Joaquim Nabuco, de Ângela Alonso, e Mundos de Eufrásia, de Claudia Lage. Com recortes diferentes, o primeiro mais focado em Nabuco e em suas movimentações políticas e o segundo no romance entre os dois, ambos são imperdíveis. Na dúvida, faça como eu: devore os dois! A seguir, trechinhos do livro de Angela Alonso que mostram a ligação do casal também com o mundo da moda!
Sobre Eufrásia
“Com o afinco que ganhava, gastava. Tinha modelos exclusivos dos estilistas de renome, como Jacques Doucet, e ficou cativa do inglês Charles Frederic Worth, que inventava a alta-costura e punha as aristocratas em polvorosa. Eufrásia amava os chapéus, e a criada Cecília revelou [...] que ‘quando ela ia às reuniões com a alta aristocracia francesa, ficava trancada durante cerca de duas horas para que fossem costuradas na roupa e nos cabelos as valiosíssimas jóias que possuía.’ [...] Os parisienses a chamavam ’dama dos diamantes negros’”.
Sobre Joaquim
“Saiu da faculdade um perfeito dândi [...] Na juventude de Quinquim, os homens se restringiram a cores sóbrias, calças apertadas, plastrão discreto e cartola, com fraque e capa para a noite e sobrecasaca de dia. O diferencial do dândi eram os acessórios: luvas, gravatas, echarpes. Neles, o filho mais moço de Nabuco de Araújo se integrava à categoria. Ao final de 1869, andava de flor na lapela e pulseira de ouro. Nunca deixava de se trajar com o apurado rigor, a ponto de, por vezes, mandar o criado da ‘república’ procurar pela cidade a mais linda rosa, a fim de trazê-la na botoeira, em que sempre tinha, no verso, um pequeno cálice de água, para conservar o viço da flor. Por essas e por outras, ganhou o apelido de ‘Quincas, o Belo’. Como reconheceria em Minha Formação: ‘O que me impediu de ser republicano na minha mocidade foi, muito provavelmente, ter sido tão sensível à impressão aristocrática da vida’”.
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Estão na fila das próximas leituras!
Fiquei impressionada ao constatar a atualidade dos conflitos e questões vividos por Eufrasia em pleno SEC XIX,ou seja estamos em 2010 e pagamos na mesma moeda o preço desta independencia e automomia feminina,parece que o padrão de comportamento masculino , no qual Joaquim Nabuco foi protagonista nesta relação ainda é muito presente.
Lí o livro “Mundos de Eufrásia” de Claudia Lage e me apaixonei pela história antes desconhecida. è bom saber que há escritores levantando historias do Brasil como vem acontecendo ha algum tempo. Quanta coisa que desconhecemos e ficamos atras dos importados. Parabéns.
[...] super avançada pra época dela, ousada e também decidiu não casar e ter filhos, tipo…eu. Essa review foi feita no blog da revista Elle e conta mais detalhes. Vale a pena me dar de presente de [...]
Conheço o museu casa da hera onde é contada boa parte da história de Eufrásia a 11 anos. È um lugar belíssimo de ser visitado.Pretendo voltar lá com minha filha. A história de Eufrásia é tão magnífica que ainda não sei como não foi transformada em uma linda minissérie de época. Seria lindo ver a história de Eufrásia Teixeira Leite e Joaquim Nabuco retratada nas telas, mostrando a força e coragem dessa mulher maravilhosa na semana do dia internacional da mulher. Parabéns
Estudei no Colégio Regina Coeli.Sai de umapequena cidade do interior de Minas e para lá fomos. Lembro-me da Casa da Hera.O Colégio era lindíssimo, as freiras rigorosas. Ingressamos , sob a alegação de nos tornamos freiras. Mas éramos muito jovens-16 anos. Devido ao trabalho árduo, fiquei pouco tempo. Porém, guardo belas lembranças: uma serra no fundo do colégio,a capela, a estátua de Eufrásia,as broncas das madres italianas, as internas nos aconselhando a não seguir a vida religiosa. Belas lembranças!
Passei boa parte da minha infância em Vassouras, e era freqüentador assíduo da Casa da Hera. Aquele lugar era mágico para mim, no meio da propriedade existe um caminho, uma trilha pelo bosque que é belíssimo, e onde podíamos ver belas espécies de plantas e pequenos animais silvestres. Na propriedade se tinha uma das mais belas vistas da cidade. E a história da Eufrázia, era uma delícia escutar sobre a vida desta mulher pioneira… Isso era nos anos 80, onde a Casa da hera fazia jus ao nome e era coberta da planta hera, que dá o nome ao lugar. Há dois anos nas minhas férias desviei meu caminho e levei amigos para conhecer tal lugar, e muito triste, contatei um abandono por parte Ibram/MinC. O museu não era mais aquele lugar charmoso de outrora. Os poucos funcionários tentavam fazer o seu melhor na apresentação e manutenção, mas era nítida a falta de recursos. Soube que em abril foi aberta uma chamada pública para diretor do museu. Não sei se o novo diretor já foi empoçado, mas espero que faça um trabalho de reergue o museu. A memória de Eufrázia merece isso por tudo que fez por Vassouras. E para quem não leu ainda o belo livro de Claudia lage, prepare-se para um brilhante trabalho de pesquisa histórica e uma narrativa envolvente sobre a vida de uma mulher que mesmo fazendo parte da história do Vale do Paraíba, não nos é contada na escola. Agora vou correr para compra o livro de Angela Alonso.
eu sou parente da eufrasia mas umaas 10 geracoes hahahaah mas agora que eu ou descobrindo sobre minha parente bemmmmmmmm distante .