12.11.2009 às 9:00

Era uma vez um físico que gostava de escrever

por Patricia Oyama | entrevista, Livros, Sem categoria
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Algum professor já deve ter tentado convencer você da beleza da matemática e coisa e tal. Eu, que sempre gostei mais das aulas de Português, nunca acreditei muito nisso. Mas não é que ao ler A Solidão dos Números Primos (Rocco, 287 págs.) consegui ver a tal da poesia nos algarismos? O livro é a bem-sucedida estreia do físico italiano Paolo Giordano, de 27 anos, na literatura. Traz como protagonistas dois jovens angustiados, Alice e Mattia. Ela tem anorexia e uma perna defeituosa, resultado de um acidente de esqui na infância. Ele é um brilhante matemático, que convive com a culpa pelo desaparecimento da irmã gêmea com problemas mentais – deixou a garota sozinha no parque, aos 8 anos, e ela nunca mais foi vista. O romance é um dos destaques da seção Mix da Elle de novembro, que traz uma pequena entrevista que fiz por telefone com o físico escritor. Giordano, que  ganhou o prêmio Strega (o mais importante prêmio literário da Itália) e virou autor de um best-seller do dia para a noite  contou que até agora não se acostumou com o sucesso. Confira outros trechos da conversa que não estão na revista:

Você acha que é melhor escritor do que físico?

Eu me sinto mais confortável escrevendo. Física é muito, muito difícil. Escrever também, mas a Física é realmente muito dura. Algumas vezes, eu fico muito frustrado. É como se eu falhasse com minha contribuição, por não ser tão interessante, o que faz com que me sinta meio deslocado. Na escrita, eu me sinto bem. Não sei se sou melhor escritor do que físico, mas me sinto melhor quando escrevo.

Tem medo da síndrome do segundo livro?

De certo modo, sim. Mas eu quero me divertir escrevendo. Então, não estou pensando em como as reações vão ser, o que vão dizer, não me importo com isso agora. Talvez, se o outro livro for muito mal, vou sofrer, mas, durante o processo de escrita, eu me sinto muito livre em relação a isso tudo. Eu só me sinto um pouco mais responsável a respeito do que escrevo, porque tenho um público agora, e talvez um pouco mais inseguro sobre o que posso e não posso fazer. Mas acho que vai ser mais divertido do que escrever o primeiro.

Já começou a escrever seu segundo livro?

Tenho algumas idéias. Muitas, muitas notas. Elas estão uma bagunça, nem sei mais onde elas estão. Tenho que ver como combinar todas elas. Por enquanto, são só idéias vindo na minha cabeça.

Você se vê como um número primo?

Eu costumava pensar desse jeito quando era mais novo, mas acho que todo adolescente acha isso. Faz parte do processo de crescimento achar que você é muito especial, que tem um jeito muito peculiar de ver as coisas. Mas se você se abre um pouco, descobre que isso não é verdade. Você precisa achar um meio de se comunicar, de compartilhar as coisas.

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2 comentários sobre “Era uma vez um físico que gostava de escrever”

  1. bela disse:

    eu também sempre torci o nariz para números, cálculos etc e só vejo poesia nas letras. mas vou reconsiderar esse raciocínio- fiquei com vontade de ler esse livro
    valeu a dica!

  2. Paula disse:

    Acabei de ler e realmente não dá para acreditar que é o primeiro livro do autor. A maneira como ele conduz o que os personagens “sentem” é incrível! É um livro impressionante! Finalmente alguém conseguiu descrever o vazio com tanta densidade!

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