Conheça o trabalho da cantora franco-gaúcha Dom La Nena

Cantora e compositora brasileira radicada em Paris, Dom La Nena lança segundo disco e explora outras fronteiras da música.

“Uma história não daquilo que é absurdo e excepcional, mas daquilo que encontra seu caminho na sombra dos grandes acontecimentos”, escreve Marcelo Camelo sobre o trabalho da violoncelista franco-gaúcha Dom La Nena, do qual é coprodutor. A cantora e compositora apresentou em março seu segundo disco, Soyo, uma mistura ensolarada da delicadeza feminina e a da densidade da vida cotidiana gravado em duas semanas em Lisboa. Sua voz leve se contrapõe aos bem trabalhados arranjos, com letras cantadas em português, francês, espanhol e inglês. Dom, 25 anos, tem currículo de gente grande, que inclui uma turnê de dois anos na banda da eterna musa Jane Birkin e parcerias com o camaleônico músico paulistano Kiko Dinucci. Encantou a crítica musical internacional, se apresentou ao redor do mundo e atualmente tem datas de shows marcadas para os próximos meses no Canadá, Estados Unidos, Suíça e França – por enquanto, ainda sem apresentações por aqui. Em entrevista exclusiva à ELLE, fala sobre influências, parcerias e sobre suas escolhas de figurino.

Como foi trabalhar com o Marcelo Camelo como produtor? Você já acompanhava o trabalho dele?

Já acompanhava há bastante tempo. Ouvi muito os dois discos solo dele. Sou muito fã tanto das músicas quanto dos arranjos. Também achei lindo o disco da Mallu, Pitanga, que ele produziu, e que conserva toda a delicadeza dela. Esses três discos têm uma linguagem musical da qual me sentia muito próxima. Então é claro que produzir o disco com ele foi um privilégio enorme. Raramente encontrei músico tão generoso e tão dedicado, ele cuidou das músicas como se elas fossem dele, mas ao mesmo tempo com um enorme respeito pelo meu espaço e minha identidade musical. Eu queria um disco mais aberto do que o primeiro, mais rítmico, mais solar, mas tinha certa dificuldade de “engatar” e visualizar as músicas assim. Ele me ajudou muito. E o Marcelo não foi somente produtor. Juntos, dividimos todos os instrumentos do disco, sem músico adicional: ele tocou bateria, percussão, baixo, guitarra, violão, clarone. Eu fiz a parte mais acústica, com os pianos, violoncelos, arranjos de vozes, algumas percussões e algumas guitarras.

Por que você decidiu batizar o disco de Soyo?

A primeira música se chama “La Nena Soy Yo”, e esse foi o primeiro título que eu queria dar a ele. Mas aí achei que graficamente ficava muito carregado e repetitivo. Soyo é menos óbvio, menos claro, menos objetivo. A palavra pode ser um lugar, um nome, um planeta, uma comida, qualquer coisa. Gosto dessa abertura!  Para mim um título tem que ser algo visualmente e graficamente forte e interessante. É o caso também com o meu primeiro disco, que se chama Ela. Foi um disco que fiz de maneira mais inconsciente, talvez em busca de uma identidade. Chamar o segundo de Soyo é também uma maneira de assumir plenamente esse Eu (Yo).

Você tem uma música chamada Lisboa e gravou lá. Qual é a sua relação com a cidade?

Essa música eu fiz anos atrás, durante um período de dois meses em que eu e meu marido (o videomaker francês Jeremiah), passamos por lá. Não é bem uma canção dedicada à cidade, mas o arquivo no meu computador se chamava assim e preferi deixar esse nome como um retrato daquele momento que vivi lá. Tenho uma relação muito forte com Lisboa, um dia ainda moro lá! A beleza da cidade e a doçura dos portugueses fazem dela uma cidade onde sempre me sinto em casa.

Seus clipes também são muito interessantes…

Tenho a sorte de ser casada com o Jeremiah, que é um diretor incrível, com muita experiência em clipes com músicos. Ele fez vídeos para artistas como o REM, a francesa Camille e colaborou com o La Blogothèque, nos famosos Take Away Shows. Para nós, esse processo de concepção de clipe é algo cotidiano. Não temos um script, ou um roteiro, são somente situações da vida que ele vai filmando – meio que sem eu me dar conta –, e depois faz a sua mágica na frente do computador fazendo aquilo virar um clipe lindo.

Mesmo tendo pouca idade, você já se apresentou em muitos lugares e também colaborou com diferentes músicos. Como essas experiências impactam ou impactaram seu trabalho?

Tive a oportunidade de colaborar com grandes artistas que admiro, começando pela Jane Birkin, que acompanhei em turnê dos meus 18 aos 20 anos. E com a Jeanne Moreau, minha ídola do cinema, participei da musicalização de um poema do Jean Genet e depois gravamos um disco e fizemos uma pequena turnê. Também participei de projetos com a cantora Camille, acompanhei em turnês os músicos Piers Faccini e Kiko Dinucci. Além deles, tenho um projeto chamado Birds on a Wire, com a cantora franco-americana Rosemary Standley (que canta no Moriarty) a quem eu considero como quase uma “semigêmea”, tamanha a cumplicidade.

Quais foram as maiores influências na hora que você estava gravando Soyo?

Desde pequena, escutei muita música clássica, com uma preferência pelo período romântico de Chopin, Rachmanioff e Schuman. Na música popular, nomes como Cartola, Adoniran Barbosa, Athaualpa Ypanqui, Violeta Parra e Paulinho da Viola. Entre os mais atuais: o disco solo do Damon Albarn, a Cat Power, os argentinos do Onda Vaga e a Juana Molina, Caetano, Gil e Chico.

Você pensa nas roupas que vai usar nas apresentações?

Acho a escolha da roupa muito importante para um cantor, porque é a primeira visão que as pessoas vão ter de você. Às vezes vou a shows e fico nervosa ao sentir que a pessoa não está bem naquele sapato ou o vestido está curto demais ou a roupa não combina com a música. Tento encontrar um equilíbrio entre conforto e estilo, nunca iria para um show fantasiada de algo que não sou. Com a roupa, tento afirmar mais ainda minha personalidade e meu estado de alma.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s