ELLE aborda o direito das mulheres com quatro capas no mês de dezembro

Não é tendência nem modinha: o poder da mulher sobre o seu próprio corpo é lei. A ELLE de dezembro, que chega às bancas na próxima sexta-feira (4.12), traz quatro capas que abordam o direito das mulheres, e ainda conta com um manifesto feminino e muitas outras matérias ligadas ao tema.

Quer saber mais? Leia a carta da nossa diretora de redação, Susana Barbosa:

Carta da Diretora | “Sendo ELLE uma revista feminina, me senti na obrigação de fecharmos o ano engrossando o coro de um assunto que nos toca diretamente e nunca esteve tão em pauta: a tomada de consciência sobre o feminismo. E como retratar isso em uma revista de moda? Ela, vilã, não seria o oposto dessa história? Escolhemos estampar na capa a voz das ruas, com frases que foram extraídas dos cartazes usados nas grandes manifestações feministas mais recentes. A maioria delas fala sobre a imagem e o vestir femininos – coisa que tem tudo a ver com a gente (e com você, mesmo que ainda não tenha parado para pensar nisso). Se há uma revista de moda que pode falar com consistência sobre esse assunto é a ELLE, que tem o feminismo no seu DNA. Desde que foi criada na França, ela incentiva a mulher a se libertar dos padrões, buscar independência, ter personalidade própria e lutar pelo seu espaço. Aqui, no Brasil, não tem sido diferente.
Para ir além da moda e das quatro capas statement que criamos, convidamos algumas das representantes dos principais movimentos feministas brasileiros (Juliana Faria, do Think Olga, Clara Averbuck, do Lugar de Mulher, Djamila Ribeiro, filósofa, Coletivo Blogueiras Negras, Sofia Soter, da Capitolina, e Helena Dias, da Azmina) a criar um manifesto com as reivindicações mais importantes. A ideia é juntar forças e unir nossas vozes porque acreditamos que #‎juntassomosmais. Um dos pilares do feminismo que mais me encanta é a sororidade – uma por todas e todas por uma. 
A primeira a ser convidada por mim foi Juliana Faria, uma das principais militantes da causa e fundadora do Think Olga, ONG que emplacou projetos relevantes, como o ‪#‎chegadefiufiu‬ e o ‪#‎primeiroassédio‬. A Ju trabalhou comigo em ELLE alguns anos atrás – era editora de reportagem de moda. Ela não aceitou de cara, mas também não recusou o convite. Estava com a agenda cheia e prestes a embarcar para os EUA. Quando desliguei o telefone, fiquei com a impressão de que estava meio desconfiada da minha boa intenção (eu esperava que ela aceitasse o convite de bate-pronto e com o maior entusiasmo. Confesso!). Esse foi justamente o turning point para que eu tivesse certeza de que estávamos no caminho certo. Se ela realmente havia hesitado, era porque tinha total razão. Afinal, o que uma revista de moda (que sempre ditou regras e padrões) estava se propondo a fazer ao entrar nessa seara? Vender uns exemplares a mais ao surfar na onda de um movimento sério como esse? Historicamente, revistas de moda são, sim, uma das grandes responsáveis pela “objetificação” da mulher por impor padrões de corpo, pele e cabelo, por fechar os olhos (ou as páginas, melhor dizendo) à diversidade. 
Não podemos negar que por aqui nós também já caímos nessa armadilha. E temos nos policiado para, a cada edição, manter a coerência entre o discurso e a prática. Eu mesma fui questionada nas redes sociais por uma ex-colega de trabalho que me acusava de manter aqui, na minha carta, uma foto em que eu aparentava estar anos mais jovem e muitos quilos mais magra. Shame on me! Ela tinha razão, embora não precisasse ter me exposto em um post do Facebook (olha a sororidade aí, meninas!). Mas também me orgulho de dizer que há alguns anos a ELLE Brasil está tentando escrever uma nova história e abrir espaço para outra conversa. Step by step, eu reconheço (a ELLE UK é, de longe, a mais engajada nessa causa). 
Em 2013, publicamos na capa a modelo Georgia Jagger com a chamada Girl Power. Considero que essa tenha sido nossa primeira edição feminista. Ali, a própria Juliana Faria escrevia sobre o neofeminismo, “que libera a mulher para ser fashion e sensual, casar virgem, pintar o cabelo, batalhar pelos seus direitos, rebolar ou não fazer nada disso. O importante é ter liberdade de escolha”. De lá para cá, abrimos espaço para a então desconhecida Jout Jout, quebramos a internet com a foto da blogueira plus size Ju Romano nua em uma de nossas capas digitais, colocamos ‪#‎vocênacapa‬ espelhada da edição de aniversário e ainda três leitoras de idades e tipos físicos diferentes (na capa de junho deste ano, lembra?). 
Para uma revista de moda, não é só uma evolução, mas uma revolução.
Grupos de todos os tamanhos estão se organizando para discutir a questão do feminismo e da diversidade online porque – thank God! – a internet possibilitou esse diálogo amplo e aberto. Se por um lado, como mídia impressa, sempre fomos acusadas de impor padrões – e durante anos tivemos mesmo esse poder –, por outro, está mais do que na hora de usar o alcance que temos em todas as nossas plataformas para contribuir de alguma forma para esse diálogo sobre a mudança. Queremos participar e incentivar essa conversa. Porque acreditamos que o mundo mudou e só existe um caminho: você pode ser agente da mudança ou ficar em sua zona de conforto e ser atropelada por ela. Impossível é tentar contê-la ou ignorá-la. Espero que você venha com a gente!
Feliz ano novo! Feliz novo tempo!
Beijos,
Para todas,
Susana Barbosa

Nicole Heiniger

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