Em novo livro, Roxane Gay fala sobre memórias e seu corpo

Em 'Hunger', escritora exibe sua intimidade, vulnerabilidade e também visões radicais sobre o mundo.

“Sempre que eu pensava em mulheres escrevendo livros sobre peso, era uma mulher que passou por uma jornada fitness”, conta Roxane Gay para a ELLE norte-americana. “E no fim deles, elas estavam em pé nas antigas calças largas, como se dissessem ‘olhe para mim, eu sou tão magra, eu aprendi tanto.’” Essa foi uma de suas motivações para escrever Hunger, seu novo livro lançado pela Harpers Collins — um confronto visceral e honesto sobre o enfrentar traumas e sobre ganhar peso, em páginas que deixam as questões em aberto. Nenhum problema é resolvido em prol da beleza ou da paz interior. Ou seja, é um livro escrito por Roxane Gay.

A escritora, professora e editora americana escreve há mais de uma década, e ficou famosa por sua série de textos críticos sociais e feministas como o “Como ser amiga de uma outra mulher”, no qual descreve: “abandone o mito cultural de que todas as amizades entre mulheres devem ser tóxicas ou competitivas. Esse mito é como saltos e bolsas — bonitos, mas criados para atrasar as mulheres.” Roxane nunca deixou de ser uma ponte para as mulheres entrarem em contato com ideias profundamente feministas através de uma linguagem direta e acessível.

Foi em 2014, com o lançamento do conjunto de ensaios em Bad Feminist, que ela se tornou uma voz sobre gênero, raça e política — e, principalmente, sobre como a interseccionalidade deve ser real. “Eu acho que escrevo sobre a vida das mulheres de formas que permitem as pessoas serem vistas, e permite que elas pensem sobre o mundo que estão vivendo, e na política desse mundo, sem sentir que estão sendo julgadas ou envergonhadas por serem imperfeitas”, descreve sobre seu sucesso.

Em Hunger, ela utiliza capítulos curtos e não lineares para falar sobre sua infância e sobre o presente, tocando em temas como família e trauma, e também sobre a ambivalência de programas de perda de peso. Ela também fala sobre a solidão e sobre ser uma mulher, feminista, negra e midiática: “fazem memes sobre mim com legendas como “feminista típica” ou “a mulher mais feia do mundo”.

Para ela, só existe uma solução: “uma grande quantidade de empatia. Doçura”, descreve. “E que as pessoas cuidem de suas próprias vidas”, completa. “Eu não tenho a fantasia de uma mulher magra esperando para sair do meu corpo. Minha fantasia é ser possível caminhar pelas ruas sem que alguém grite comigo, ou aponte para mim.”

Essa é a mágica da escrita de Roxane: o momento em que percebemos que uma mulher tem que fantasiar sobre elementos fundamentais da vida. Mesmo que muitos leitores não possam se relacionar com todas as estatísticas de Roxane, poucos irão terminar as páginas sem ganhar um profundo entendimento da realidade.

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