O recado de Mc Linn da Quebrada no SPFW N43

A cantora Mc Linn da Quebrada foi uma das convidadas para se apresentar no espaço TNT LAB, no SPFW, e falou com ELLE sobre moda, militância e transformação.

“Bixistranha, loka preta da favela/quando ela está passando todos riem da cara dela”, canta Mc Linn da Quebrada já na primeira estrofe de sua apresentação. Dessa vez, a performance é no primeiro dia do SPFW N43 e, o recado, para uma plateia de fashionistas: “presta muita atenção, senta e observa a destruição”, continua. O show é certeiro e ela usa um maiô de veludo molhado com uma bota plataforma no volume máximo para “destruir”, exatamente como fala na canção. Mas, no lugar de risadas, é a dança que toma conta. E o respeito pelo seu trabalho também.

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Cantora de funk, Linn é uma das principais vozes na atualidade a juntar música à militância LGBT. Transexual e negra, diz ter plena consciência do que a sua presença representa nos lugares. Na música, ela pega a sua vivência e a transforma em ferramenta política para ampliar discussões sobre papéis de gênero, racismo e representatividade. Na semana de moda, em especial, conta que é a oportunidade perfeita para ocupar o evento com o próprio corpo. “Estar aqui significa existir neste espaço e colocar a minha mensagem nele. Preencher com transviadagem, com bicharia, com a minha pele preta e com a minha atitude“, declara antes do show no espaço TNT LAB. Atitude, essa, que realmente não falta e é ampliada ainda mais com a força de sua imagem.

(Thomas Rera//ELLE)

“Eu acredito que a moda diz respeito às cascas que a gente forma. É a nossa segunda pele e serve como uma identidade estética da nossa postura no mundo”, afirma. Ela diz ainda que é fã de brechós e de um consumo mais consciente. Para Linn, é mais interessante a maneira como você usa uma peça do que ela em si. “Eu prefiro olhar para uma roupa e pensar que ela é um campo de possibilidades”, fala sobre o que chama de “incessante experimentação”. A ideia que transmite é a de dar vida nova a itens que seriam deixados de lado e encarar a roupa como algo não descartável.

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Foi experimentando, inclusive, que passou pela maioria de suas transformações. Crescendo entre o interior de São Paulo e a periferia da capital paulista, Linn já relatou que teve uma criação rígida na infância e foi Testemunha de Jeová. “Conforme tomei a liberdade de me posicionar, me emoldurei e me dei alguns limites, mas me livrei de muitos outros. Eu quis ser livre. Experimento o meu corpo radicalmente e tento entender a relação que ele pode exercer com as outras pessoas”.

Maquiadíssima, com beleza feita por Jake Falchi durante o backstage de um desfile, ela posa para os cliques de ELLE enquanto lembra que esse momento não é apenas sobre a sua carreira. “Essa participação mostra o peso que o meu corpo tem aqui, mas também fala bastante sobre todas nós, tantas outras que são exatamente como eu“. Para elas, Linn deixa outro recado: “Resistam e façam isso juntas. Só assim, conseguimos abrir fissuras neste sistema”.

 

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