Lilian Pacce decifra o beachwear brasileiro em seu novo livro

Foram mais de dez anos de pesquisa e entrevistas até que a jornalista Lilian Pacce pudesse finalizar O Biquíni Made in Brazil (120 reais), o livro que ela lança este mês (no dia 1º de outubro, em Paris, e no dia 19, em São Paulo) pela editora Arte Ensaio, com projeto gráfico realizado por Giovanni Bianco. O resultado é ao mesmo tempo uma homenagem ao beachwear e uma investigação que relaciona a evolução das peças a várias revoluções de comportamento ligadas às mulheres. “Sempre achei que a moda praia feita aqui merecia o devido destaque, já que superamos o original em criatividade e qualidade. Uma coisa rara”, conta a autora à ELLE.

Entre curiosidades históricas e imagens icônicas, fica clara a participação essencial do Brasil na modificação do biquíni de duas partes, que nasceu polêmico e, como disse Diana Vreeland em um de seus maravilhosos exageros, uma das maiores invenções “depois da bomba atômica”. A comparação escolhida por ela não é aleatória, dada a capacidade de a peça criar statements e agitar ânimos. “A moda praia tem um branding espontâneo, que casa com nosso lifestyle, especialmente o carioca. Desde a garota de Ipanema e de Brigitte Bardot, as praias do Rio viraram o sinônimo de verão ideal: sol, mar, caipirinha, mulheres bonitas e sensuais. E homens também, aliás”, diz Lilian.

Divulgação

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O livro, porém, vai além de uma análise sobre estilo. “A história da moda praia também é a história do empoderamento da mulher, de suas conquistas, seus direitos, da liberação de seu corpo.” O biquíni completa 70 anos em 2016 longe de ser aceito mundialmente. É proibido em muitas culturas e, mesmo entre as desinibidas brasileiras, como lembra Lilian, ainda não é 100% livre. O topless, por exemplo, já foi modinha, mas de fato nunca se estabeleceu por aqui, apesar de ser muito comum na Europa. Ironicamente, nossos ancestrais eram adeptos do peito livre no Brasil pré-Portugal. A autora inclui isso em sua pesquisa, muito correta em apontar nos índios nativos raízes estéticas e de percepção corporal que estão na base de nossa moda praia – apesar da contradição em relação aos seios, que talvez venha da carga católica trazida pela colonização.

 Mas a história realmente ferve com o Brasil anos 1970 e suas muitas musas, que chegam aos anos 80 cada vez mais ousadas. De Leila Diniz, Monique Evans e Rose Di Primo a campanhas das décadas de 1990 e 2000, com tops como Gisele Bündchen, Lilian elenca marcas, pessoas e contextos, criando uma atmosfera dinâmica. O que o trabalho consagra, de fato, é a força imbatível do maior ícone de estilo brasileiro. “John Casablancas tem uma ótima frase que diz que o biquíni made in Brazil é um objeto mágico de desejo, como se mulheres no mundo inteiro se sentissem mais sensuais pelo simples fato de usar as peças feitas aqui”, completa.

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