O músico Serge Erege lança novo clipe com exclusividade na ELLE

Com batidas dançantes e um brilho oitentista, cantor e produtor nascido em Piripiri lança clipe da música "I Wonder".

As noites em Piripiri eram pacatas. No município de 62 mil habitantes, no Piauí, um grupo de amigos até organizava festinhas por R$ 2 a entrada. Mas nem esse preço diminuto, tampouco o indie, disco e pop que ressoavam das caixas de som faziam a pista encher. Com o fracasso dos bailes, o piripiriense Serge Erege gastava seu tempo produzindo “música com eco e clima oitentista” no computador e treinando covers. “Sei imitar muita gente. De Justin Timberlake a Thom Yorke”, conta a ELLE.

Serge, que no final do ano passado lançou seu primeiro disco, Scorpio, pelo selo Skol Music, chegou em São Paulo há cinco anos. “Vim para fazer música e ir para discoteca (risos). Só depois eu vi que não é só isso, tem muita coisa para se dançar além de música por aqui”. No clipe da faixa I Wonder, que ele lança hoje com exclusividade na ELLE, essa excitação e dificuldade de chegar a uma nova cidade aparecem nas imagens captadas pela dupla paulistana Modular Dreams. As cenas externas foram filmadas com um celular; as de estúdio, com uma câmera digital. Depois, eles processaram o material em um sintetizador analógico, o que trouxe um efeito colorido e distorcido. É uma música despretensiosa, bem chicletinha, mas que tem a sua seriedade. Ela fala de estar ferrado na cidade grande, não ter grana para fazer nada, não poder sair pra dançar, tomar um drink, usar um chapéu bonito. Tem um “hahaha” no meio que ficou meio irônico, como uma risada desse deslumbramento”. A faixa segue a toada synthpop do disco. “Sempre fui apaixonado por essa coisa meio sombria, romântica, sofredora, mas dançante”, diz o artista de 30 anos.

(Murillo José/Divulgação)

Bandas inglesas como New Order, The Smiths e Radiohead sempre ajudaram o cantor e produtor a lustrar seu inglês – assim como influenciaram seu estilo musical. Formado em letras pela Universidade Estadual do Piauí, Serge deu aulas de inglês em uma escola pública de Piripiri. Quando chegou em São Paulo, sem dinheiro e sem trabalho, acabou trabalhando em bares e restaurantes. Depois do expediente ele pegava o caminho para a Voodoohop, coletivo paulistano que nessa época (2012) costumava organizar festas em praças e prédios abandonados no centro da cidade. Em uma das edições, Serge pegou o microfone e, enquanto amigos DJs tocavam, ele cantava trechos de músicas conhecidas em cima das batidas. Um mashup vocal feito ao vivo. “Foram seis horas cantando sem parar!”. Sempre em inglês.

Em tempos de internet, porém, ainda há quem se espante com isso, com o fato de um estilo musical nascido em terras geladas da Europa e Estados Unidos seja produzido, por exemplo, no nordeste brasileiro. “Ninguém enche o saco da Björk ou da Shakira porque elas cantam em inglês. Na minha música até entra uma lambada, um swing brasileiro diluído, mas eu não faço música regional”, diz. “É chato porque, como já sou de um lugar que não é a capital do Brasil, esperam que a gente faça, sei lá, tecnobrega. Vou fazer o que consigo, não sei fazer outro tipo de som. E o português nem é a nossa língua, teria que cantar em tupi, que nem a Letícia Sabatella (risos)“. Além dos clipes, Serge está trabalhando em novas canções que serão lançadas até o meio de 2018. Tudo deve ser em inglês — “ou na língua que eu quiser”, diz. 

Shows:
Casa do Mancha
25 de maio, às 20h.
Rua Felipe de Alcaçova, 89 – Pinheiros, São Paulo – SP

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