Tate Britain exibe arte queer britânica

Exposição marca aniversário da descriminalização parcial da homossexualidade masculina na Inglaterra e no País de Gales

Com obras relacionadas a temas e identidades lésbicas, gays, bissexuais, trans e queers, a mostra Queer British Art 1861-1967, que acontece de 5 de abril a 1 de outubro no Tate Britain, em Londres, no Reino Unido, explora como os artistas se expressaram durante um tempo em que as regras sobre gênero e sexualidade estavam sendo questionadas e transformadas.

A curadora Clare Barlow explica que o termo queer art, apesar de polêmico, se refere a uma gama de perspectivas múltiplas: arte feita com intuito de protesto, arte feita para um público em particular — nesse caso, o queer, para fortalecer a sensação de comunidade –, arte que oferece visões diferentes sobre o tema e, até mesmo, arte que originalmente não foi criada para abordar essas questões, mas que acabou por se tornar essencial para entender o que, na época, era uma subcultura. É o caso da pintura The Renaissance of Venus, de Walter Crane, finalizada em 1877, que apesar de exibir uma mulher nua, na verdade se baseou em um nu do jovem modelo Alessandro di Marco.

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Sappho e Erinna em um jardim em Mytilene, por Simeon Solomon, 1864 (Tate/Creative Commons CC-BY-NC-ND/Divulgação)

Questionado pela utilização do termo queer e pela necessidade de uma exibição como essa, o museu afirma que existe um significado histórico para a escolha: um momento de grande mudança social e de despertar criativo. Em 1861, relações sexuais entre homens não eram mais punidas com a morte na Inglaterra, e em 1967, há 50 anos, o sexo privado e consentido entre dois homens maiores de 21 anos deixou de ser considerado crime. 

Na exposição, obras íntimas e pessoais dividem paredes com trabalhos que ajudaram a construir um senso de comunidade quando terminologias como lésbica, gay, bissexual e trans ainda não eram utilizadas. Juntos, eles revelam uma gama de identidades e histórias múltiplas: divertidas, políticas, eróticas e até domésticas. Enquanto as identidades floresciam, também existiam trabalhos gerados pela dúvida ou pela vergonha, como os do artista Keith Vaughan, que temia que seus desejos vazassem demasiadamente por suas telas.

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Oscar Wilde por Robert Goodloe Harper Pennington, 1881 (William Andrews Clark Memorial Library/Divulgação)

Entre os destaques da mostra está um retrato de Oscar Wilde por Robert Goodloe Harper Pennington, dado ao escritor como um presente de casamento, a ser exibido pela primeira vez. Wilde foi forçado a comercializar esse trabalho quando declarou falência e precisou de dinheiro para despesas legais enquanto aguardava julgamento por indecência em 1895. Ao seu lado, será exibida a porta da cela da prisão na qual ficou encarcerado. Já as naturezas pintadas por Hannah Glickstein (conhecida como Gluck) eram  aceitas pelo establishment da época, apesar do estilo da pintora e de sua relação com a florista da realeza Constrance Spry.

John Singer Sargent, Dora Carrington, Duncan Grant e David Hockney também estão na mostra com suas pinturas, desenhos, fotografias pessoais e filmes de artista, celebrando a diversidade da arte queer britânica. A entrada custa 16.50 libras esterlinas, e para quem visitar também a exposição de David Hockney, que acontece até o dia 29 de maio, o museu oferece um drinque grátis (reservas no site).

Gluck (Hannah Gluckstein), autorretrato, 1942 (National Portrait Gallery/Divulgação)

 

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