Teto preto sai dos galpões e domina os festivais brasileiros

A banda que nasceu da Mamba Negra - uma das principais festas eletrônicas paulistanas - une os beats do techno com a música brasileira.

Recentemente, São Paulo viu sua cena eletrônica extrapolar os clubes e invadir galpões abandonados no centro da cidade – ou afastados dele – em longas festas em que o techno é o denominador comum. Na lista, estão Capslock, ODD e Mamba Negra. A última, ao mesmo tempo agente e fruto dessa cena e que completa quatro anos este mês, é obra de duas mulheres: Cashu, DJ, e Laura Diaz, cantora à frente do Teto Preto.

A apresentação da banda, que injeta uma dose de música brasileira na pista de techno, é um dos highlights da Mamba. Mas, desde o início do ano, o Teto vem ultrapassando os galpões que a festa costuma ocupar: depois de se apresentar para milhares de pessoas no Rec-Beat, durante o Carnaval recifense, o grupo é uma das atrações do DGTL (evento de música eletrônica que já realizou edições em Amsterdã e Barcelona e traz ao Brasil Apparat, Carl Craig e Derrick May), no sábado (6.5), e do Bananada (festival em Goiânia voltado à música independente), no dia 14.

“O Teto nasceu da pesquisa de intersecções entre o orgânico e o eletrônico. A gente tem muita referência da música brasileira, é bem antropofágico”, diz Laura, que canta em português e no palco assume sua dose de atriz (ela fez parte da Universidade Antropófago do Teatro Oficina) e a persona de Angela Carneosso. A cantora é acompanhada pelos músicos Zopelar (sintetizadores), L_cio (drum machines), William Bica (percussão), além do performer Loic Koutana. O setlist traz Gasolina, hit do grupo que toma emprestado trecho de Terra em Transe (1967), filme de Glauber Rocha, e releituras de Itamar Assumpção (Já Deu pra Sentir) e Caetano Veloso (Jóia).

As duas primeiras faixas ganharam lançamento em vinil pelo selo do coletivo MambaRec, que também conta com uma rádio, a Vírusss, comandada por Cashu. A DJ segue o mesmo caminho do Teto, se apresentando em festivais além da Mamba: depois de tocar na edição brasileira do holandês Dekmantel Festival, em fevereiro, e na Gop Tun, em abril, ela participa do Red Bull Music Academy Festival, no início de junho, em São Paulo.

Bagagem

Foi justamente em festas como a Voodohop que Laura e Cashu se conheceram, em meados da década passada. “Cada uma já tinha sua bagagem de organizar eventos que eram multilinguagem, pequenos festivais na rua, em espaços estudantis, em ocupações”, lembra Laura, ex-aluna do curso de Audiovisual da USP (é dela roteiro, montagem, direção e finalização do clipe de Gasolina). Ela conta que a atuação cultural fora da sala lhe deu o engajamento necessário para criar a festa. “Isso vem da universidade pública, da falta de perspectiva de atuar culturalmente, de ser artista e não ter circuito.”

A primeira festa organizada pelas duas aconteceu na cobertura do prédio do apartamento que dividem, no centro de São Paulo, QG da Mamba, que completa quatro anos este mês. No início da projeto, a dupla fazia praticamente tudo, da procura pela locação até o fechamento dos caixas – hoje, uma festa conta com 20 pessoas na produção. Foi só a partir do segundo ano de Mamba que as duas conseguiram atuar também como artistas, “até por uma questão de maturidade estética”, diz Laura. Que venham então os festivais.

 

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