“Vivo em ansiedade permanente”, diz Emma Stone

Em seu novo filme "La, La, Land", Emma Stone vive uma garota que sonha em ser como ela: uma atriz de sucesso com chances reais de ganhar um Oscar.

A risada longa e sonora, vinda do corredor, anuncia a chegada de Emma Stone à suíte do hotel Ritz Carlton de Toronto, onde a reportagem de ELLE a aguarda para a entrevista. O jeito leve e fresh de Emma convive com um quê de estrela de cinema do passado. Essa ruiva de olhos verdes tem o brilho e a graciosidade de uma Audrey Hepburn ou Grace Kelly, como se tivesse saído de um filme antigo, e uma aura radiante, que explica por que a plateia acaba sempre torcendo por suas personagens nas telas.

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Foram essas características que fizeram o diretor Damien Chazelle convidá-la para protagonizar La La Land: Cantando Estações. O musical é ambientado na Los Angeles contemporânea, embora resgate a atmosfera de romance e de magia de clássicos do gênero, como Cantando na Chuva (1952). Ninguém fica imune ao charme de sua personagem, Mia, uma atriz aspirante que insiste em tentar conquistar Hollywood, mesmo saindo frustrada e rejeitada da maioria dos testes.

“Quando fui morar em Los Angeles, depois de convencer a minha mãe a deixar Scottsdale, no Arizona, eu também penei para conseguir um papel”, conta a atriz, de 28 anos, lembrando que chegou a trabalhar em uma loja de biscoitos e cupcakes para cachorros, a Tree Dog Bakery. O estabelecimento existe até hoje em West Hollywood. “Quando era chamada para um teste, pedia dispensa da loja e corria para o estúdio. Muitas vezes, nem me deixaram ler o texto todo, já me descartando logo de cara.’’

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Assim como Emma não desistiu, Mia também persiste, contagiando o público com o seu espírito sonhador – traduzindo a ideia da expressão “la, la, land” (que significa viver com a cabeça nas nuvens). O filme conquistou o prêmio de público no último TIFF, o Festival de Toronto, e a performance de Emma foi recompensada com a estatueta de melhor atriz no Festival de Veneza – fazendo dela a favorita ao próximo Globo de Ouro na categoria de melhor comédia e musical. Uma vaga como melhor atriz no Oscar é muito provável, prometendo quebrar a barreira que o gênero costuma enfrentar aos olhos da Academia, como se fazer rir e cantar fosse algo menor, em comparação com o drama. Caso a indicação seja confirmada, será a segunda de sua carreira, depois de concorrer como coadjuvante por Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância), em 2015.

“Se isso acontecer, vou pirar. Não sou blasé quando o assunto é reconhecimento. Sou humana”, brinca Emma, em um vestido Oscar de la Renta preto e branco listrado. Fashionista, com queda mais para o estilo clássico, a atriz quase enlouqueceu com os modelos feitos para ela em La La Land. Para capturar a proposta do filme, a figurinista Mary Zophres criou um guarda-roupa combinando o moderno com o vintage. “Queria levar para casa aquelas peças maravilhosas, com toque retrô.”

Tanto a personalidade quanto o humor de Mia são refletidos nas cores de seus looks. Quando ela canta e dança pela primeira vez com o pianista de jazz vivido por Ryan Gosling, por quem se apaixona, usa um vestido amarelo esfuziante. No encontro do casal, que começa no cinema e termina com a dupla voando (literalmente) no observatório do Grifth Park, ela escolhe o verde-esperança. “Todo o filme é propositadamente colorido para evocar a exuberância dos antigos musicais.’’

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O fato de Emma ter estrelado o musical Cabaret (no papel que foi de Liza Minnelli), na Broadway, entre 2014 e 2015, deu a confiança de que ela precisava para aceitar rodar La La Land. “Mesmo assim, fiquei muito nervosa durante as filmagens. Quando voltava à noite para casa, para estudar as falas e ensaiar as canções do dia seguinte, tentava me acalmar assando pães e bolos. Mas não dava muito certo”, conta, mostrando a cicatriz que uma assadeira deixou no seu pulso esquerdo. “Ficou com o formato de um ponto de exclamação.”

Esse jeito espontâneo e bem-humorado conquistou o diretor Damien Chazelle (mais conhecido por Whiplash: Em Busca da Perfeição) logo no primeiro encontro para tratar do musical. “Diante da câmera, Emma sempre solta faísca. E ela ainda tem um rosto atemporal, o que fez dela a escolha perfeita para homenagear as estrelas do cinema do passado”, afirma o cineasta.

Pelos festivais por onde passou, o longa arrancou aplausos em cena aberta (sem que a plateia conseguisse esperar o filme terminar para ovacioná-lo). É uma história de amor poderosa como há tempos não se via. O dueto atriz e pianista luta para sobreviver em uma cidade conhecida por esmagar os sonhos. São poucos os que realmente vencem por lá – e quando isso acontece, geralmente há um preço, como o filme deixa claro.

“Acho que o público é arrebatado pela ausência de cinismo, o que é revigorante nos dias de hoje. Os personagens podem até ter uma visão crítica do mundo, mas o filme é uma injeção de alegria, beleza e esperança”, afirma Emma. Quem não acredita que consegue nunca chega lá.” Fácil falar depois do sucesso alcançado, não? “É verdade que hoje tenho a vida que sempre quis. Só que poucos entendem a natureza do ator e desse negócio. Quando um filme termina, já começo a me preocupar com o que virá depois.” Se antes ela lutava para conseguir trabalho, o que a deixa angustiada agora é não saber se o próximo papel será tão bom quanto o anterior. “Vivo em ansiedade permanente. Talvez seja por isso que aprendi a fazer bolos. Pode ser um plano B”, diz, soltando uma gargalhada.

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