Folclore? Que nada!
Depois de um verão campeão, inspirado no futebol americano, a ansiedade para ver o inverno de Alexandre Herchcovitch era grande. Afinal, depois de uma coleção superimpactante, sempre fica a dúvida: o que será que vai vir na sequência? A resposta foi dada hoje pelo estilista e não decepcionou. Pelo contrário. Herchcovitch parte do folclore da Geórgia e das imagens do diretor Sergei Paradjanov para criar peças que de folclóricas não têm nada. A receita para deixar tudo absolutamente desejável (e usável), com passe livre em qualquer cidade do mundo, está no DNA de Alexandre: o trabalho de patchwork e as pitadas punk, tão características, entram em cena para “desencaretar” e atualizar tudo. Casacos de cortes perfeitos fazem par com vestidos de seda propositalmente rasgados, calças de alfaiataria acompanham camisas com paetês e vestidos com manga morcego ganham tachas com aspecto de madeira, graças a um trabalho de pátina. Isso sem falar nos enormes cristais, que adornam algumas peças, e nas sobreposições de texturas. Se o verão foi altamente criativo e desafiador, o inverno é do tipo quero já. Mas passa a léguas de distância de ser uma moda descartável: por trás das peças, há um trabalho primoroso. Prova de que conceito e consumo podem, sim, andar de mãos dadas.
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Fotos: Agência Fotosite