Moda

Nike Cortez: a volta de um ícone

Nike celebra 45 anos de um de seus tênis mais amados, e relança as cores clássicas do modelo que atravessou décadas conquistando diversos estilos.

Nike comemora 45 anos de um de seus tênis mais adorados, e relança as cores clássicas do modelo que atravessou as décadas conquistando personalidades criativas, diversas e transgressoras

Toda peça de roupa diz algo sobre quem a veste, mas os sapatos têm a capacidade de falar isso mais rapidamente. Não há como negar que eles influenciam a forma como nos movimentamos e, consequentemente, expressamos. Essa habilidade fica ainda mais evidente quando olhamos para os tênis. Conectados ao esporte e a atividades de superação humana, eles sempre exerceram fascínio, e ganharam leituras diversas conforme foram cativando as ruas. Por ser um item tão recheado de desejo e expectativas, é impossível não adquirir automaticamente a memória de pessoas que marcaram época com seus pares antes de nós.

“A pessoa pode estar montada, mas se ela estiver com um tênis totalmente contrastante, você percebe que é tudo fachada. Na verdade, ela é o tênis”, aponta com bom-humor a fotógrafa Julia Razuk, um dos rostos escolhidos para ilustrar o relançamento do Cortez no Brasil, que começa a ser vendido nesta segunda-feira (29.5). 

O figurino de Whitney Houston no Super Bowl de 1991 é um bom exemplo por ser praticamente tão lembrado quanto a sua performance. A cantora optou por um conjuntinho esportivo para o show que marcaria sua carreira e completou a produção com o clássico Nike Cortez branco, azul e vermelho. A escolha foi certeira. Afinal, ele já era um ícone americano mesmo antes dos anos 1990. Primeiro tênis de corrida da marca, o Cortez foi desenvolvido em 1972 pelo próprio criador da Nike, Bill Bowerman, para dar conforto aos praticantes de atletismo, e foi visionário ao deixar a tecnologia de amortecimento à mostra. Assim como boa parte dos tênis que fizeram história, depois de conquistar os atletas pela performance, virou objeto de desejo. Seu visual clean, com linhas simples e ajustado ao pé, foi essencial para que ele andasse com desenvoltura por diversos grupos criativos e continuasse relevante até hoje, 45 anos depois.

Nike Cortez OG em cena do filme Forrest Gump.

Nike Cortez OG em cena do filme Forrest Gump. (Paramount Pictures/Reprodução)

Em 2017, ele volta atualizado, mas seu estilo é basicamente o mesmo. O apelo vintage (a versão OG clássica promete ser hit, assim como o Compton, mais escuro, e o modelo verde e amarelo) o transforma em um dos lançamentos mais aguardados do ano, e considerando que a moda anda tão apegada a tendências do passado, não há dúvidas de que ele virará um queridinho do street style.

Quer saber mais sobre o Cortez? www.nike.com.br/sportswear

Sua história no mundo fashion e na cultura pop, aliás, não é de hoje. O estilo do fim dos anos 1970 na Califórnia é facilmente traduzido na inesquecível foto de Farrah Fawcett em cima de um skate, no set de filmagem de As Panteras, com sua calça jeans boca de sino e um par de Cortez. Na década de 1990, Forrest Gump correu com seus “magic shoes” nas telonas e a série Seinfeld incluiu o tênis em seu figurino normcore. No meio tempo, ele conquistou espaço no visual da cultura hip-hop se consolidando, de vez, como um hit das ruas — em 2013, até Kendrick Lamar o citou na música “Control” e, neste ano, usou a versão preta e branca em seu elogiadíssimo show no Coachella.

“O Cortez é um ícone, e um ícone, às vezes, espera sua hora”, reconhece Michelli Provensi, outra personalidade convidada a incorporar o tênis ao seu estilo nas fotos a seguir. Ela se refere ao boom de sneakers das últimas temporadas, em que o Cortez teve algumas fases expressivas, mas que não se comparam ao que o espera em 2017.

Davi Sabbag, Michelli Provensi, Julia Razuk e Marina Santa Helena com as três principais combinações de cores do Nike Cortez: Nike Cortez Compton (preto com detalhes dourados), Nike Cortez OG e Nike Cortez verde/amarelo.

Davi Sabbag, Michelli Provensi, Julia Razuk e Marina Santa Helena com as três principais combinações de cores do Nike Cortez: Nike Cortez Compton (preto com detalhes dourados), Nike Cortez OG e Nike Cortez verde/amarelo. (Gleeson Paulino/ELLE)

Mas será que existe um motivo específico para que ele vire o sapato desejo do momento? Todo bom clássico da moda é abraçado por diversos estilos, ganha novas leituras a partir de escolhas pessoais, mas inevitavelmente dá um toque irreverente a quem o usa. Há 45 anos, o Cortez constrói esse caminho e o mundo, hoje, anseia por peças democráticas, acolhedoras e que deixem a individualidade brilhar. Existe hora melhor para se celebrar este aniversário?

Abaixo, conversamos com a fotógrafa Julia Razuk, o músico Davi Sabbag, a modelo, escritora e DJ Michelli Provensi e a stylist Marina Santa Helena sobre essa mística que envolve o mundo dos sneakers e os convidamos a interpretar o Cortez à sua maneira, em um shooting exclusivo para a ELLE.

Quer saber mais sobre o Cortez? www.nike.com.br/sportswear

Julia Razuk

Julia Razuk usa o modelo Nike Cortez OG.

Julia Razuk usa o modelo Nike Cortez OG.

Fotógrafa

Julia Razuk faz parte de uma geração de jovens fotógrafas que registram mulheres, e seu visual, forte e delicado ao mesmo tempo, é muito marcado pelo cabelo e por um processo de autoconhecimento que também veio pelo o início de sua carreira, quando fazia autorretratos. Hoje, seu penteado poderoso não deixa que ela passe despercebida, mas nem sempre foi assim. “Meu cabelo era alisado, e teve uma época em que eu tinha dreads e a franja lisa. Depois desapeguei, essa é a primeira vez na minha vida com o cabelo natural. É muito impactante e eu acho isso interessante. No meu ciclo familiar, por exemplo, ninguém está acostumado. Então, só de eu estar lá dentro, já desconstrói muita coisa”, explica. Os fios são um statement, mas seu estilo, bastante definido pela escolha de apenas usar tênis (ou chinelos), também conversa com sua personalidade. “A moda na minha vida sempre foi ligada ao que eu ouvia, ao meu estilo de música, ao rap. Eu via os clipes e formava uma imagem ligada aos tênis que apareciam neles”, relembra a fotógrafa de Mato Grosso do Sul, que atualmente mora em São Paulo.

Influenciada também por este momento de forte affair entre a moda e o hip-hip — a LAB com suas participações na SPFW é o maior exemplo brasileiro, mas lá fora há muito coisa acontecendo, como A$AP Rocky estrelando campanhas da Dior e até escrevendo uma letra de música sobre Raf Simons –, ela começou a criar um interesse maior por roupas, mas a paixão pelos tênis prevaleceu. “O tênis é uma característica forte, é um acessório que diz muito sobre a pessoa. Ela pode estar montada, mas se estiver com um tênis totalmente contrastante, você percebe que é tudo fachada. Na verdade, ela é o tênis. Para nós, que gostamos, o tênis é quase uma peça de museu, cheio de história”. No dia a dia de Julia, porém, ele não tem caráter contemplativo, e é o primeiro item que escolhe na hora de se vestir pela manhã.

“A moda na minha vida sempre foi ligada ao que eu ouvia, ao meu estilo de música, ao rap. Eu via os clipes e formava uma imagem ligada aos tênis que apareciam neles”

“Eu acordo e começo pelo tênis, e isso tem muito a ver com as atividades que eu vou ter. Eu não pratico esportes formalmente, mas pela quantidade que ando na cidade de São Paulo, é uma maratona todo dia”, exemplifica sobre como a peça representa seu lifestyle. “Essa parada de usar tênis no dia a dia começou porque eu ficava correndo para todos os lados. Eu já fiz futsal, judô, balé, mas o importante era estar de tênis para que eu conseguisse subir em qualquer coisa, chutar o que eu quisesse”.

Com o amadurecimento, sua preferência por modelos específicos, de cores neutras, surgiu e isso, inclusive, tem a ver com o seu cabelo. “Eu não sou muito acostumada com cores, uso mais nude, preto, cinza e branco porque acreditava que por ser ruiva ficaria muito colorida”, diz. Assim como transformou sua relação com as madeixas, Julia hoje também está mais aberta a cores e a explorar a moda a seu favor. “Quando eu voltei a fazer minhas fotos autorais, senti falta da produção de moda. Eu me abri muito, antes meu trabalho era mais focado no corpo, e as peças eram acessórios, nunca ficavam à mesma altura da modelo. Hoje, eu a trago como um elemento importante, e faz toda a diferença”.

Davi Sabbag

Músico

Davi Sabbag usa o modelo Nike <span>Nike Cortez Compton (preto com detalhes dourados)</span><span>Nike Cortez Compton (preto com detalhes dourados)</span>Cortez Compton (preto com detalhes dourados).

Davi Sabbag usa o modelo Nike Nike Cortez Compton (preto com detalhes dourados)Nike Cortez Compton (preto com detalhes dourados)Cortez Compton (preto com detalhes dourados).

A Banda Uó pode ser colorida e extravagante, mas um dos membros do divertido trio está, cada vez mais, olhando para a direção contrária dessa estética. “Eu estou no menos. A banda que eu tenho é totalmente o contrário, ela é sempre mais, mas a minha vida difere bastante disso. Minhas roupas sem estampas estão refletindo um momento de vida mais tranquilo, e eu ando em busca de peças básicas de materiais menos sintéticos, mais naturais”, revela Davi Sabbag. A procura por um ritmo de vida desacelerado não é exclusivo do músico, e tem muito a ver com o resgate de habilidades e visuais que foram sucesso no passado. “As coisas mais simples, mais concisas, são mais bonitas para mim no momento. Eu doei muita coisa no meu guarda-roupa. Acho que se você não faz essa renovação, a energia fica um pouco estagnada e isso não é bom. A moda também está em movimento, as coisas vão e voltam, mudam o tempo todo”.

Nesse processo de evolução de estilo, a escolha pelo tênis como sapato que o acompanhou em toda a transformação é muito simbólica. “O mundo está bem diferente, você precisa de praticidade, não dá para chegar em casa após um dia de trabalho com o pé destruído. Depois que o esportivo se juntou ao social, ficou mais fácil usar o tênis de uma forma mais livre”, aponta. “Sinto que hoje nada é ruim, você faz a sua moda e acabou. Eu uso em show exatamente porque é confortável, e é bonito. Cerca de 95% dos meus calçados são tênis”.

Das botas aos sapatos sociais, os sneakers sobreviveram ao makeover do armário de Davi exatamente por sua versatilidade: eles vão dos compromissos do dia a dia a eventos noturnos, o que combina com a vida mais tranquila que o cantor procura, sem gastar tanto tempo pensando e trocando de roupa. “É um pouco clichê, mas você tem que se olhar no espelho e se sentir confortável. Eu era um pouco mais complacente com figurino, mas hoje se eu não me sinto, eu não uso. Quando eu estava numa época de mais cores, os tênis também estavam lá, mas eles eram bem coloridos, era uma loucura. Dei uma reciclada nisso também, a moda é expressão, movimento, ela está se renovando a todo momento e o mais importante, no fim, é você se sentir bem”.

Michelli Provensi

Michelli Provensi usa o modelo Nike Cortez Compton (preto com detalhes dourados).

Michelli Provensi usa o modelo Nike Cortez Compton (preto com detalhes dourados).

Modelo, escritora e DJ

Michelli Provensi é um dos maiores exemplos brasileiros de modelos que tiveram a capacidade de se reinventar, e, hoje, além da escrita, ela se dedica a fazer roteiros, à sua carreira como DJ e ainda planeja entrar para a televisão. “A minha babá foi a moda, eu cresci nesse universo e a maioria dos meus amigos vem desse espaço. Mesmo que eu não queira, estou sempre com alguma coisa que foi vista nas passarelas, é muito intrínseco, é muito louco, e por isso é importante contar com peças clássicas que eu me identifico e gosto”, explica desvendando o segredo para não se deixar influenciar tanto pelas tendências a ponto de virar uma fashion victimDentre esses itens, o tênis se destaca como elemento indispensável. “O tênis é peça fundamental do meu guarda-roupa desde que eu decidi não ser mais um personagem e trabalhar em cima de quem eu sou verdadeiramente. A Michi é uma mulher que usa tênis. Eu não uso salto”.

Há cerca de quatro anos, ela decidiu que era hora de parar de se vestir para o outro e começou a se vestir para si. Nesse processo, o salto saiu de cena, não por ele ser um inimigo, mas por não combinar com a vida dinâmica e espontânea de Michi. “Eu quero estar confortável. Eu sou uma pessoa que, do nada, começa a dançar, o salto não funciona. Eu acho lindo, às vezes eu tenho um desejo, mas eu vejo salto como uma joia. Não vou sair de joia na rua toda hora. O salto é uma experiência, o tênis faz parte do meu pé. Quanto mais velho, melhor, e ele tem uma conexão com a cidade de São Paulo”.

“O tênis é peça fundamental do meu guarda-roupa desde que eu decidi não ser mais um personagem e trabalhar em cima de quem eu sou verdadeiramente”

Marina Santa Helena

Marina Santa Helena usa modelo Nike Cortez verde/amarelo.

Marina Santa Helena usa modelo Nike Cortez verde/amarelo.

Stylist

Alguns acontecimentos que à primeira vista podem parecer banais muitas vezes têm a capacidade de transformar as relações com o corpo, mente e, principalmente, estilo. Para a stylist Marina Santa Helena, o acontecimento responsável por uma virada em seu lifestyle foi a decisão de vender seu carro. “Desde que vendi, passou a ser muito importante eu estar com um sapato legal, confortável, que me permita andar para todo lugar e pegar o metrô. Eu sinto necessidade de estar de tênis. Minha relação com moda mudou muito porque eu tenho que pensar no conforto, em uma saia que vai ficar puxando, em uma roupa que funcione para o dia inteiro. E o tênis é essa peça, por mais que muitas pessoas ainda não acreditem”, comenta Marina, que também trabalha com consultoria de estilo.

Ao sair da sua bolha de pessoas que trabalham na área, ela percebe andando por outros nichos que ainda há resistência, principalmente por aqueles que precisam, ou acreditam precisar, se adequar a um dress code, mas que até as pessoas com os guarda-roupas mais conservadores estão começando a se abrir para peças mais funcionais. “Gosto de pensar que as pessoas estão um pouco mais relaxadas em relação a estilo, que não há mais regras do tipo “temos que usar tal coisa porque, se não, a gente não se encaixa. De modo geral, as pessoas estão mais seguras”, analisa. E essa percepção se aplica à relação da própria Marina com suas escolhas de moda. Ela faz um trabalho chamado “análise de coloração pessoal”, que serve para descobrir quais cores fazem com que os traços de cada pessoa sejam valorizados, o que a vem instigando a ousar mais. “Não tem a ver com a cor da pele, tem a ver com os olhos, sobrancelhas, nariz, boca…. São cores que os evidenciam. Eu nunca explorei minha paleta ao máximo e meu objetivo com o meu estilo, agora, tem sido esse: colocar pontos de cor que funcionem para mim. Estou to migrando para as cores”, expõe.

EQUIPE

Fotógrafo: Gleeson Paulino | Stylist: Marcell Maia | Maquiador: Dindi Hojah | Produção Executiva: Mai Dornelles | Assistente de maquiador: Thaisa de Facio | Produção de moda: Monica Oliveira e Bertha Juca | Assistentes de fotógrafo: Matheus Prim e Junior Viana | Modelos: Michelli Provensi, Davi Sabbag, Marina Santa Helena e Julia Razuk