Saiba tudo sobre o universo sexy e retrô das pin-ups
As novas Pin-ups

O estilo sexy retrô conquista mulheres em todo o mundo e se contrapõe à ditadura da magreza.

As novas Pin-ups

O estilo sexy retrô conquista mulheres em todo o mundo e se contrapõe à ditadura da magreza.

As novas Pin-ups

por Thiago Lucas / fotos
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Puppini sisters: além de fazer composições próprias, o grupo - formado pela italiana Marcela Puppini e pelas britânicas Kate Mullins e Stephanie O’Brien – transforma clássicos da música pop em canções com uma levada anos 1940.

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Modelo de comportamento

Dita Von Teese: a artista burlesca é apontada como uma das principais responsáveis pela reinvenção da estética pin-up.

Bettie Page ficaria orgulhosa. Meio século depois de a rainha das pin-ups se casar e sair de cena, a estética que ela ajudou a consolidar está com tudo novamente. Fãs fiéis se esmeram para reproduzir aquele estilo sexy inocente e cantoras como Katy Perry vão buscar referências nas musas dos anos 1950 para compor o look. E não se trata apenas de um resgate visual. Nessa releitura, as pin-ups estão deixando de ser vistas como garotas tolas que posavam de mulher-objeto para ganhar um local de destaque no processo de emancipação feminina. Uma das defensoras da tese do pin-up power é Maria Elena Buszek, professora- assistente de história da arte na Universidade de Kansas City e autora do livro Pin-up Grrrls: Feminism, Sexuality, Popular Culture (Duke University Press). Para a historiadora, essas garotas desinibidas quebraram tabus, subverteram modelos femininos e ajudaram as mulheres a lidar com sua sexualidade.

Embora a imagem das pin-ups seja normalmente associada a divas de Hollywood, como Rita Hayworth, Marilyn Monroe e Jane Mansfield, suas origens vêm lá de meados do século 19, nas apresentações de dança burlesca (retomadas nos dias atuais por Dita Von Teese, a grande pin-up do momento). Já a popularização do termo é mais
recente: nos anos 1940, fotos e desenhos de mulheres em trajes sumários – para os padrões da época – faziam a alegria do público masculino. Essas imagens eram penduradas (em inglês, pin up, daí o nome) na porta de armários e viajaram na bagagem de muitos combatentes na Segunda Guerra Mundial. São dessa época as ilustrações de lindas e patrióticas beldades feitas pelo artista peruano Alberto Vargas para a revista Esquire, que foram parar na fuselagem de aviões. Agora, os desenhos de pin-ups estão de volta até na moda. Elas dão, por exemplo, um ar cult às abotoaduras da Strellson, uma marca de roupas masculinas criada por Jochen e Uwe Holly, da Hugo Boss. A coleção de verão da Strellson é estampada com criações do artista californiano Mel Ramos, expoente da pop art, conhecido por suas sensuais mulheres desnudas.

Foto: Gareth Cattermole/Getty Images


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Look democrático

Katy Perry: com seu look retrô, a cantora do hit I Kissed a Girl já virou ícone de estilo para milhões de adolescentes. De franjinha e esmalte vermelho-tomate, Katy capricha no olhar safado ingênuo, 100% pin-up.

Com poucos tabus sexuais a serem derrubados e a balança dos gêneros um tanto mais equilibrada, a bandeira das pin-ups contemporâneas é outra. Para a cantora Marcella Puppini, o retorno desse estilo é parte do movimento de contestação dos atuais padrões de beleza. “Acredito que o look pin-up celebra todas as formas e tamanhos de corpos e todas as raças”, diz ela, que, juntamente com as inglesas Kate Mullins e Stephanie O’Brien, revive a estética e o estilo musical dos anos 1940 com o grupo Puppini Sisters. “Diferentemente do estilo de Paris Hilton, o modelo pin-up não busca satisfazer aos homens. Trata-se de um conceito de estilo para fazer as mulheres se sentirem bem com elas mesmas”, defende Marcella. A colega Kate Mullins concorda e diz que já se foi o tempo em que as mulheres tinham de vestir ombreiras e ternos estruturados para parecer duronas. Hoje, vestimos porque gostamos, e sempre misturados a toques ultrafemininos. “Igualdade feminina não significa que temos que nos vestir como homens. Podemos mostrar o que nos torna diferente deles. O look pin-up nos lembra como a mulher pode ser sexy sem ser vulgar, destacando sua individualidade na atitude e no visual”, diz Kate.

Na esteira desse revival, quem comemora são profissionais como a hairstylist Nina Butkovich-Budden, dona do salão londrino Nina’s Hair Parlour. O lugar é especializado em recriar cortes, colorações, penteados e maquiagens idênticos aos das décadas de 1940, 50 e 60. Nina conta que as clientes se inspiram não só em ícones do passado mas também em celebridades atuais que adotam um hairstyle retrô, como Christina Aguilera, Gwen Stefani e Amy Winehouse. Para a cabeleireira, a onda pin-up vai além de comprar uma roupa antiguinha e sair por aí se sentindo uma diva das antigas. “Acima de tudo, é um estilo de vida que está sendo ressuscitado. As mulheres redescobrem o prazer de cuidar delas mesmas”, afirma ela. Nina também prepara cursos para ensinar a clientela a ondular o cabelo com bobes, como nos bons tempos da vovó. “As mulheres estão curtindo reviver isso”, acredita.

Foto: Eamonn McCormack/Getty Images



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Pin-up por um dia

Gwen Stefani: a cantora do No Doubt é adepta do glamour à moda antiga, com sobrancelhas perfeitas, pele branca impecável e cabelo platinum blonde nos trinques.

Já existem até fotógrafos especializados em oferecer “um dia de pin-up” em seu estúdio, como o britânico Tony Nylons e a americana Charise Isis, que clica mocinhas e senhoras em Williamsburg, no estado de Nova York. Desde os 20 anos, quando viu pela primeira vez uma foto de Bettie Page, Charise ficou vidrada por essa estética. “O que me fascinava nas fotos de Bettie e de outras tantas pin-ups era a combinação maravilhosa de sexualidade com autoconfiança, coisa que não se vê em muita gente por aí.” Além de retratar mulheres num clima de boudoir, Charise promove aulas de pin-up, em que ensina suas clientes em potencial a se soltar mais e a explorar seu lado erotizado. “Toda mulher tem uma deusa pin-up em seu interior. Eu ajudo donas de casa, enfermeiras, professoras e executivas a encontrá-la”, diz. “O corpo não tem importância alguma. Tudo é uma questão de maquiagem, roupa e, acima de tudo,
da atitude certa”, garante a fotógrafa.

Mas em nenhum lugar as novas pin-ups estão mais em evidência do que na internet. A publicitária carioca Ana Bandarra que o diga. Ana faz parte de uma turma que só tem aumentado todos os anos: garotas que se produzem dos pés (com peep-toes) aos cabelos (com baby bangs, aquela franjinha bem curta, ou rolos laterais, estilo anos 1940), armam uma sessão de fotos e colocam o resultado na web. “Gosto do universo retrô. Ainda que não saia montada no dia a dia, sempre coloco uma sainha mais antiga ou um acessório de décadas passadas”, conta Ana, que faz até produção de objetos para seus ensaios e posta as imagens no endereço www.flickr.com/photos/missana_pinups. Assim como ela, a produtora cultural Maria Clara Mallet divide seu tempo entre a realidade e a fantasia. “Adoro produzir as fotos. Acho muito divertido você poder se tornar uma personagem”, conta a carioca Maria Clara, também conhecida como Cherry on Fire (www.flickr.com/people/cherryonfire/).

Como transitam no mundo do bom e velho rock’n’roll, as tatoos são uma parte importante do visual das pin-ups atuais. Leques, sombrinhas orientais, poás e estampas de cereja e corações são outros detalhes recorrentes nos looks produzidos para os ensaios.

Há ainda quem adote o visual pin-up em tempo integral, como a sommelier curitibana Genise Strapasson, a Boogie Woogie Girl (www.fotolog.com.br/boogie_girl50). “Aderi a esse universo há sete anos e, desde então, ele faz parte da minha personalidade. Mando costurar minhas roupas exatamente como eram na época, procuro fazer os penteados e me maquiar como antigamente e minhas unhas são pontudas e vermelhas”, diz. Há quem ache tudo isso muito esquisito? Sem dúvida. Não que as seguidoras do estilo se importem. Afinal, como declarou certa vez a rainha Bettie Page, morta em dezembro do ano passado: “Eu nunca fui a garota da porta ao lado”.

Foto: Eamonn McCormack/Getty Images


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Roteiro retrô

Christina Aguilera: a popstar ganhou fama com um visual sexy de gosto duvidoso, mas acertou a mão quando resolveu se inspirar em Marilyn Monroe - trocou a cabeleira selvagem por ondulados glamourosos e não abre mão do batom vermelho

  
Moda
Laundry
A marca de Patricia Grejanin traz peças estampadas e coloridas, com apelo dos anos 1950. R. Augusta, 2690, lj. 323, tel. (11) 3085 0604, São Paulo. Loja online: www.laundrysp.com.br.

Juisi by Licquor
Brechó com grande acervo dos anos 1950 e 60. Al. Tietê, 43, lj. 6, tel. (11) 3063 5766, São Paulo. Vendas online pelo blog www.juisi.blogspot.com.

Thais Gusmão
A designer de lingeries cria peças românticas e divertidas, com um perfume retrô. R. Oscar Freire, 216, sobreloja, tel. (11) 3061 3874, São Paulo. Site: www.thaisgusmao.com.br.

Livraria
Rainbow Room
A livraria da produtora de moda Flavia Lhacer tem vários livros e revistas com referências a pin-ups. Al. Tietê, 43, lj. 10, tel. (11) 3062 7041, São Paulo.

Balada
Astronete
Bar com décor retrô, reúne curtidores do movimento cinquentinha às sextas, na festa Mod Generation. R. Matias Aires, 183B, tel. (11) 3151 4568, São Paulo.

Vegas Club
DJs nacionais e internacionais põem divas e roqueiros para dançar às quintas, na noite Rockfellas. R. Augusta, 765, tel. (11) 3231 3705, São Paulo.

Z Carniceria
Esse bar funciona num antigo açougue da década de 1950. As atendentes usam um look criado pela Laundry, xadrez com lenço de bolinhas e sapatilhas de boliche. Não faltam clientes querendo um. R. Augusta, 934, tel. (11) 2936 0934, São Paulo.

Viva La Augusta
Amantes de carros antigos e seus possantes se encontram com roqueiros e pin-ups num local inusitado: o estacionamento de um supermercado, em frente ao bar Z Carniceria. O evento começa à tarde e vai até a noite, ao som de muito rock’n’roll de raiz. R. Augusta, 935, São Paulo. Para saber a data do próximo encontro, ligue para  tel. (11) 2936 0934.

RioBilly
A RioBilly Party reúne DJs, bandas e a galera que curte o velho rock’n’roll. Para saber local e data das próximas festas, acesse: www.riobilly.com

Giulio Marcocchi / Getty Images



Publicado em 18/07/2009