Fina ironia
A marcha fúnebre e as tristes palavras da canção “De que vale ter tudo na vida?(Nada/ Mais importa agora/Você foi embora/Eu fiquei tão só)” abriram o desfile do pernambucano Melk Z-Da. Nada mais adequado para trilha sonora de uma coleção baseada no filme “A Noiva Cadáver”, de Tim Burton, que mostra o encontro entre o mundo dos mortos e dos vivos. A sorte é que o estilista não derrapa no deprê. Ele soube brincar com o tema e explorou de forma inusitada as semelhanças entre as principais cerimônias desses dois mundos: o casamento e o funeral. As flores, as músicas, as roupas e a emoção estão fortemente presentes nos dois momentos. Como não podia deixar de ser, a base da coleção é o preto – são lindos os vestidos com detalhes plissados, cinturinha bem marcada, assim como os modelos em degradê (do preto para o branco) que vão surgindo até que só restam os modelitos brancos, noivinha total! Na seqüência, aparecem vestidos beges, amarelos, violetas e vermelho cor-de-sangue, que é para dar um sopro de vida entre os convidados. Os tecidos são nobres, como organza, seda, tafetá e cetim. As flores são feitas com garrafas pet recicladas e recobertas com spray (não morrem!) e estão por todo lado: nas golas, nos cabelos e bordadas nos vestidos e saias. O matelassê imita o mesmo tecido usado nos enxovais de noivas e nos forros dos caixões. O inverno da Melk Z-Da vai ser quente: vestidos curtos, saias curtas, às vezes com levíssimos balonês, calças skinny de cintura alta e coletes.
ELLE amou:
O vestido degradê e as botas gladiadoras à la Balenciaga.
Débora Chaves


