Tear manual, eco-punk, álbum de família e roupas-casulo
Carolina Ramos (Carú) criou a Landacarú com a proposta de só usar tecidos feitos em tear manual e com algodão orgânico. O resultado foi bem interessante: casacos, ponchos, caftãs, vestidos e macacões tipo jardineira em estampa vichy ou listrados, mais algumas tramas especiais, como a do algodão com seda. Boinas e cachecóis, assim como colares com bolas listradas, peças de prata e flores de tecido, bem hippie-chic, foram usados no styling. Amarrações e elásticos, que ajudavam a marcar a cintura levemente alta, davam uma bossa diferente às saias e calças.
Já a Pluz Brasil, de Paulo Luz, trouxe para a passarela uma pitada punk em meio ao tom ecológico e romântico do restante da coleção. As faixas de seda amarradas na cabeça, com laço lateral, não deixam mentir. Black e green jeans, saias tipo clochard, chemisiers de tricô preto com botões dourados e cinto de couro com laço na frente são algumas de suas propostas para a estação. Um vestido tomara-que-caia preto com faixa listrada que começava no decote em V e ia até a barra da saia atrás tinha um toque de rebeldia dos punks, com elegância. Golas estruturadas e suspensórios completavam os looks.
O quarteto paulistano do No Hay Banda brincou com os opostos e fez um jogo bonito de se ver. Apostou nos recortes, na alfaiataria em versões jeans e algodão e no conforto da malharia, com caimento lânguido e charmoso – e acertou. Bem sacado o vestido vermelho e branco com costura xadrez que imitava a frente de um colete, assim como o vestido curto acinturado sobre a blusa de babadinhos rosa, bem romântico. A salopete plissada de black jeans e o jumper no mesmo tecido com modelagem ajustada ao corpo e alças em X nas costas foram os pontos fortes, assim como o chemisier verde com maxibotões.
Inspirado em uma antiga foto de família e nas imagens do filme A Cor Púrpura, Ivã Ribeiro Ivã Ribeiro resgatou o charme do início do século passado. O tecido base da coleção foi o algodão cru manchado nas cores lilás, azul e vermelho. Entre os clássicos revisitados, ponto para o tomara-que-caia branco em organza com saia em várias camadas e apliques de bolinhas azuis e para o vestido roxo com transparências em três tons, cheio de frufrus na barra e acompanhado de luvas e tornozeleiras.
Por último, a Random, que fechou o Rio Moda Hype, capitaneada pelos estilistas Rafael Saraiva e Taís Meireles, trouxe uma moda focada na estética do casulo e na sua forma envolvente e protetora. O amarelo e o preto imperaram: ponchos, mantôs, casacos de matelassê, que lembravam as capas de chuva de bombeiros, tudo em modelagens amplas. O tom over se repetiu nas golas e nos cachecóis que iam até os pés e se arrastavam pela passarela. Os boots pretos de plástico complementavam os looks.
Débora Chaves


