Orientalismo à chinesa
Audrey Hepburn e China. A mistura é inusitada, mas o resultado surpreendeu. Walter Rodrigues mostrou que sua eterna paixão pelo oriente sempre pode render coleções incrivelmente belas e diferentes entre si. Desta vez, a China estava em foco, mas não espere um desfile de vermelhos nacarados e laqueados – nada disso, a opção de Waltinho foi mesmo pelo clássico pretinho. O vestido tubinho preto de silhueta marcada veio repaginado de maneira contemporânea e às vezes com alguns desenhos chineses feitos com apliques brilhantes ou bordados, mas os cortes geométricos, os volumes inusitados e os tecidos com efeitos luminescentes (um preto-verniz e um outro com pingos verdes, maravilhoso!) mostraram o domínio artesanal e a maestria do estilista. Outro destaque foram as franjas, outra paixão antiga, que davam o movimento - um molejo quase a caminho do mar. Mas nem tudo era preto total. Vestidos levinhos de musseline na cor verde-água e salmão, com faixa lilás, arrancaram suspiros. Deslumbrantes! Assim como o longos em degradê preto e rosa com pregas que davam movimento e volume, uma homenagem ao pintor abstracionista Mark Rothko. Nos cabelos, chapéus inspirados nos penteados das imperatrizes e na arquitetura de Pequim. Tudo para que essa viagem emocional de Audrey Hepburn à China estivesse à altura da volta do grande Walter Rodrigues ao Fashion Rio.
ELLE AMOU:
Os tubinhos pretos com desenhos brilhantes e os vestidos de musseline com volumes futuristas.
Débora Chaves e Irene Santos


