Conheça a chef do mais louco restaurante chinês de Nova York

Angela Dimayuga está no comando do Mission Chinese Food, que tem como clientes os designers da Opening Cerimony e Kim Gordon.

Um clássico toldo vermelho com tipografia dourada indica o nome do restaurante: Mission Chinese Food. No teto, um afresco pintado a mão colore o ambiente em tons de rosa, cinza e azul-bebê. No andar subterrâneo, a trilha sonora da série Twin Peaks toca em loop em um corredor espelhado, enquanto os clientes circulam pelos dois bares e três salões que compõem o lugar. “Eu me inspirei na cena de espelhos do filme Operação Dragão (clássico de Bruce Lee lançado em 1973). Queria que as pessoas se sentissem meio confusas sobre onde estão”, confessa Angela Dimayuga, 30 anos, chef responsável por cada detalhe do espaço, com capacidade para 130 pessoas, na região de Lower East Side, em Nova York.

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Não se espante se encontrar o retrato da personagem Laura Palmer, protagonista da série do diretor David Lynch, num canto. Ou as cortinas lúdicas de papel metálico da empresa de decoração festiva cool Confetti System. Está tudo lá para criar o clima kitsch contemporâneo do restaurante, que serve fusion food – comida norte-americana com inspiração asiática.

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(Mission Chinese Food/Divulgação)

Angela cresceu na Califórnia, em uma família de descendência filipina. Em 2011, conheceu o chef Danny Bowien, proprietário do Mission (que tem outra unidade em São Francisco e deu origem a uma casa especializada em comida mexicana, a Mission Cantina, também em Nova York). No mesmo ano, os dois inauguraram uma versão menor do restaurante, que durou um ano meio. Em 2014, tiveram a chance de recomeçar. O resultado dessa empreitada, que no mês que vem completa 2 anos, foram menções em publicações como a revista Bon Appétit e o jornal Te New York Times e, em 2016, uma indicação dada a Angela como melhor chef em ascenção pela James Beard Foundation. Ela também desenvolveu parcerias com marcas como a japonesa Massive e o ilustrador Jiraya. Juntos, criaram uma linha de camisetas, que esteve à venda na multimarcas descolada Opening Ceremony. “Sou criativa. Gosto de criar e de socializar – coisas necessárias para ser uma ótima chef.”

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O menu do restaurante prevê experiências para todos os bolsos e gostos e propõe combinações novas. São 60 pratos, assinados por uma equipe encabeçada por Angela e Danny. “Você pode comer no bar e gastar 20 dólares, com nossas opções de entrada e pizza, ou ter uma refeição elaborada com caviar ou pernas de carangueijo”, explica. “Nosso princípio é que os pratos precisam ser vistos como asiáticos. Queremos que sejam memoráveis e familiares, mas não intimidantes.” Um exemplo é o ceviche de camarão, que, além da combinação básica de acidez, sabor doce e textura crua, também conta com molho de lichia e maracujá. “Algumas pessoas entendem e outras não.” O tofu frito é o queridinho da casa e sua receita está no livro The Mission Chinese Food Cookbook (Ecco), lançado no fim do ano passado.

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(Mission Chinese Food/)

Os clientes, que costumam virar amigos e fãs, incluem nomes como o diretor Spike Jonze, a modelo Cindy Crawford e a dupla de designers da Opening Ceremony, Kenzi Humberto Leon e Carol Lim. O duo importou Angela para tocar um evento só para convidados da marca durante a semana de moda de Paris, no fim do ano passado. “Foi caótico. Basicamente, abrimos um restaurante chinês em três dias em uma balada e alimentamos 90 pessoas”, lembra. “Sou fã deles desde sempre, mas nunca conseguia comprar nada na loja. Agora, me consideram meio que da família e me convidam para sentar na primeira fila dos desfiles.” (risos)

O ritmo intenso dos últimos dois anos resultou em um fim de 2016 com fôlego para pensar em voos mais altos: Angela diz, brincando, que falta ao lugar uma estrela no guia Michelin. “Um momento decisivo para nós foi quando uma celebridade estava no salão e, depois do jantar, veio me dizer que a comida estava deliciosa, mas a música, muito alta. Era Kim Gordon, baixista do Sonic Youth e uma das minhas artistas favoritas. No dia seguinte, falei para todo mundo que precisávamos pensar sobre o volume.” Hoje, qualquer um da equipe pode escolher a trilha sonora desde que respeite a vibe da noite.

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