Conheça as artistas que levam o Instagram ao limite

Jovens artistas usam sua própria imagem como plataforma para espalhar seu discurso engajado no Instagram.

Fora dos museus e das galerias de arte, mas a um clique do seu telefone, uma turma de novas artistas vem se beneficiando da visibilidade que a internet traz para disseminar seus trabalhos com forte vocação feminista. Elas podem assumir alter-egos, exibir seu corpo para abordar a sexualidade feminina e criar artimanhas e metáforas para driblar a censura. “A internet me deixar ir além do espaço dedicado à arte”, diz Leah Schrager à ELLE. “As pessoas não têm medo de se expressar online. Em uma galeria física, as reações para seu trabalho têm filtro. Na internet, não. Essas respostas influenciam meu processo criativo”, conta Amy Louis. Conheça a seguir cinco destaques dessa nova geração.

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Amy Louis 

Enigmática, a australiana já foi definida pela revista i-D como a Margot Tenenbaum (personagem do cineasta norte-americano Wes Anderson), do Instagram. Amy não faz questão de contextualizar as postagens de sua conta, em que constrói um universo escapista, sempre com cores suaves e muitas selfies. “Encontro inspiração ao mudar a maneira que vejo o que me cerca e transformar objetos cotidianos em material para meu trabalho”, diz. Ela, que acabou de se formar em artes visuais, cria esculturas com elementos como preservativos e frutas. “Meu trabalho fala de sexualidade e corpos abstratos. Ele é lúdico e ao mesmo tempo repulsivo.”

she is so Dramatic… i dont know her

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Leah Schrager 

“Meu trabalho é bastante controverso”, resume à ELLE a artista de Nova York, formada em artes pela Parsons. “Uso meu corpo para construir uma imagem sexy. E muita gente considera que isso não é arte.” Leah é a fotógrafa e protagonista de imagens com forte apelo sexual, que ganham interferências estratégicas, com as quais dribla a censura do Instagram. “Adotei a proibição na minha prática de arte”, conta. “Estou interessada no que é permitido à mulher fazer em diferentes espaços, em como ela é censurada e em descobrir um lugar com liberdade para todas nós.” Leah criou em 2015 um alter-ego, Ona, uma cantora, modelo e artista, com a qual planeja conquistar 10 milhões de seguidores até 2020.

This is an outtake from my upcoming show opening Wednesday at Miami Beach Cinematheque ✨

A photo posted by Leah Schrager (@leahschrager) on

Audrey Wollen

Para a artista de Los Angeles, a infelicidade feminina deve ser reconhecida como um ato de resistência. Autora da “teoria da garota triste”, Audrey explica que o protesto político é geralmente definido sob a perspectiva masculina – algo externo e violento, como uma ocupação nas ruas. Mas há uma histórico de mulheres que usaram sua angústia como ferramentas de resistência, de Sylvia Plath a Lana Del Rey, passando por Marilyn Monroe. No entanto, isso foi categorizado como um ato passivo e excluído da história do ativismo. Visualmente, Audrey reforça sua tese com uma série de selfies melancólicas em sua conta no Instagram.

Stephanie Sarley

A sexualidade feminina é o cerne do trabalho da artista de Oakland, nos EUA. “Minha arte é bastante simbólica e feminista”, define à ELLE Stephanie, que foi notícia do The Guardian à Playboy com a série de vídeos em que usa frutas para simbolizar o prazer feminino. No fim de 2015, ela postou um vídeo no Instagram em que tocava no interior de uma laranja, que acabava por expelir seu suco. “O vídeo viralizou e causou controvérsia. Mas a série ainda está em andamento e sempre evoluindo.” Stephanie chegou a ter imagens de sua conta deletada pelo Instagram. Para driblar a censura, criou duas séries de ilustrações com toques surrealistas em que a vagina é sua protagonista.

Amalia Ulman

Tudo começou em 2014, quando a argentina radicada em Los Angeles – apontada pelo crítico Hans-Ulrich Obrist como um dos grandes talentos de sua geração – postou em sua conta no Instagram: “Part 1”. Dali em diante, acompanhamos ela se recuperar de uma cirurgia plástica nos seios, entre brunches e poses de lingerie em quartos de hotel. Quase cinco meses e 195 fotos depois, descobrimos que se tratava de uma encenação, encerrada com um “the end” postado para mais de 90 mil seguidores. A série foi exibida este ano em uma coletiva da Tate Modern, ao lado de obras de artistas como Cindy Sherman, a quem ela é comparada.

#got #em #cakes dun care bout all ur negativity #itsjustdifferent less nervous today…. countdown

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