O Greenery pegou e você nem percebeu!

A cor do ano eleita pela Pantone não está na vitrine das lojas, mas o mood que ela evoca está influenciando o lifestyle dos centros urbanos.

É difícil imaginar que uma cor seja capaz de ter um hype tão grande como o rosa quartzo (a.k.a. Millennial Pink) — tom escolhido pela Pantone para o ano passado, ao lado do azul serenity. Quando o greenery foi anunciado, o verde amarelado foi recebido com certa resistência. Será que ele seria capaz de substituir um dos mais novos hits da cultura pop?

Se pensarmos pelo lado do produto, não há como negar que ainda estamos no reinado do cor-de-rosa. A Nike, por exemplo, acabou de lançar uma coleção inteira com uma cartela inspirada na matiz. No entanto, apesar de não ser o mais queridinho das vitrines de moda e decoração o greenery já chegou na sua casa. Só que num formato diferente: possivelmente, dentro de um vasinho.

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“As cores eleitas pela Pantone não representam apenas o que veremos em produtos, mas sim o momento social que o mundo está passando“, explica a expert em tendências do WGSN Beatriz Modolin. O rosa, por exemplo, sempre tão associado a um ideal único de feminilidade, também ganhou novas leituras a partir de movimentos sociais que ressignificaram a cor como um símbolo de resistência (pense nos chapéus pink de tricô que surgiram nas manifestações contra Donald Trump nos Estados Unidos).

Mas voltando ao greenery, ela aposta que “os centros urbanos estão se expandindo e, na mesma medida, nossas vidas ficam cada vez mais ocupadas. Nesse contexto, fica difícil encontrar tempo e espaço para explorar a natureza no nosso dia a dia. Por isso, estamos buscando novas formas de fazer conexões como essas.” Segundo a cool hunter, essa é a principal razão por trás dos pequenos espaços naturais que vemos pipocando pela cidade.

As cores eleitas pela Pantone não representam apenas o que veremos em produtos, mas sim o momento social que o mundo está passando – Beatriz Modolin, WGSN

Em São Paulo, um bom exemplo desse fenômeno é o surgimento do FLO Atelier Botânico. “O nosso propósito, aqui no ateliê, é o de fazer uma reconexão com a natureza”, diz Antonio Jotta, um dos idealizadores da casa que prefere não se intitular como floricultura. A ideia deles (ele trabalha junto com sua esposa Carol Nóbrega) é contemplar desde quem não tem tanta intimidade com o assunto, os que “procuram somente um terrário”, até quem realmente já está entrando num nível mais abstrato dessa volta ao verde. “Aliás, existem casos em que nem o verde exatamente é o foco. Temos clientes fascinados por folhagens de tons avermelhados, pretos e que colecionam esse tipo de planta“, revela.

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Editorial “Linha Limite” da nossa edição de maio com fotos de Gui Paganini e styling de George Krakowiak. (Gui Paganini/ELLE)

Não à toa, tantos editoriais, campanhas e obras de arte contemporâneas estão trabalhando com cenários in natura. Gleeson Paulino, que faz parte da geração de novos fotógrafos brasileiros de moda, é um dos maiores defensores da causa. Basta rolar um pouco no seu feed no Instagram para perceber sua obsessão pelos campos idílicos que encontra em suas viagens ao redor do globo.

“Esse tom suave de verde amarelado remete aos primeiros dias da primavera, simbolizando a esperança de um momento mais tranquilo“, retoma Beatriz. Como 2016 foi um período turbulento na política, marcado por polarizações radicais no Brasil e no mundo — não à toa a Pantone escolheu extraordinariamente dois tons para o ano –, 2017 surge com o propósito de nos unir novamente ao relembrar que todos viemos do mesmo lugar: a natureza.

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