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Fumando um cigarro atrás do outro, animadíssimo com o lançamento do perfume Dhalia Noir, Riccardo Tisci recebeu a ELLE Brasil, em junho último, para uma entrevista exclusiva no imponente Palazzo Bovara, em Milão. Atento aos detalhes da apresentação à imprensa mundial, o estilista – supercasual com seus jeans, T-shirt e tênis – estava acompanhado da sua inseparável musa, a modelo italiana Mariacarla Boscono, então grávida de oito meses. Na conversa, o diretor criativo da Givenchy falou sobre as brasileiras, a família, a criação do perfume e novos projetos.
Além de Lea T., você descobriu Daniela Braga (uma bela morena, ex-atendente de uma farmácia em Taboão da Serra, na Grande São Paulo). É amor pelas brasileiras?
Adoro as brasileiras. São lindas e têm uma atitude positiva, uma energia boa. Daniela vai se tornar uma estrela. Fará a nova campanha da Givenchy. Será exclusiva da marca e está superpronta! Ela tem uma beleza especial, um corpo fantástico. É elegante e autêntica.
Deve ter sido um conto de fadas para ela, que é de origem humilde.
Sim, eu sei o que é isso, pois venho de uma família pobre. Gosto de dar oportunidade às pessoas. Sou um designer bem-sucedido e não penso só em dinheiro. Quero passar uma mensagem ao mundo. Devo dar voz e apoiar gente como Lea T., que hoje é uma supermodelo, comunidades negras, albinos, enfim, quem tem uma beleza diferente e pode, um dia, alcançar o sucesso.
O que acha do estilo da brasileira?
Amo a simplicidade e a autoconfiança. Elas saem com um vestido de jérsei preto, uma bolsa Chanel, cabelos e make clean e ficam lindas! Para mim, são um exemplo de beleza orgânica. Não precisam muito para realçar a beleza. Veja a Gisele Bündchen. Uma sexy star só de jeans, Tshirt e sem muita maquiagem e produção.
Seu perfume tem as mesmas características de sua moda?
Completamente. O perfume tem uma importância vital para mim. Eu vim de uma família humilde e, mesmo depois de ficar bem de vida, às vezes minha irmã me confrontava com o fato de que não tinha dinheiro para comprar as peças da Givenchy, muito caras. Então, com o perfume, ela e outras mulheres podem se tornar uma garota Givenchy. Ou seja, é algo acessível e, ao mesmo tempo, remete à alta-costura. É um perfume clássico. A primeira nota lembra alguma coisa romântica, confortável. A seguir se transforma em algo sensual.
Ele é inspirado nas mulheres de sua família (mãe e oito irmãs)?
A principal nota, a rosa, foi inspirada no perfume que minha mãe usava, da Santa Maria Novella (uma marca italiana clássica). Depois, evolui para notas mais eróticas. Minha mãe e minhas irmãs, apesar de pobres, eram muito elegantes. A elegância, aliás, não pode ser comprada. Está dentro de você. Elas saíam para trabalhar e aí assumiam o lado guerreiro, batalhador. Quando chegavam em casa, se despiam dessa armadura de mulheres fortes e se tornavam pessoas amorosas. Era isso que eu queria transmitir no perfume. Aliás, no final, quando precisei decidir entre as três últimas versões da fragrância, foi mamãe que escolheu a definitiva. É um perfume dedicado a ela, o amor da minha vida.
Ainda há um grande desafio dentro da Givenchy para você?
Sinto que contribuí para revitalizar a marca, para deixá-la mais forte e ser a the best depois de 20 anos. O desafio agora é fazer com que a Givenchy seja relevante não apenas como identidade, ou na moda, mas que também represente um estilo de vida. Desejo que as pessoas possam comprar as roupas e tudo o mais da marca – livros, perfume, artigos para o lar. Minha ideia é expandir esse universo.
Qual o momento memorável desde que assumiu a direção criativa?
Um café da manhã com Hubert de Givenchy. Foi um encontro bastante emocionante. Ele é um gênio!
Que estilistas brasileiros admira?
Gosto muito do Alexandre Herchcovitch e da Lenny Niemeyer.
Quais os grandes novos talentos da moda internacional hoje?
Christopher Kane (fashion designer escocês baseado em Londres) é o único real talento hoje. Os demais sempre copiam alguém. Estou desapontado com essa nova geração.
Você tem algum projeto no Brasil?
Lea T. me convidou para o Carnaval e para outros projetos, inclusive com crianças carentes, mas minha agenda é complicada. Ainda não foi possível encontrar datas disponíveis.
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Dália negra
Misteriosa, romântica, feminina. Foi inspirado nessa mulher, personificada na campanha pela top Mariacarla Boscono, que Riccardo Tisci concebeu Dahlia Noir. Na versão eau de parfum, o buquê de rosas, mimosa e íris é precedido pela bergamota italiana e finalizado com acordes de patchuli, baunilha e fava tonka. A eau de toilette (foto) é mais suave – traz mandarina, limão, pêssego, rosa, âmbar e sândalo. Ambos estarão à venda a partir de setembro ao preço médio de R$ 287 (50 ml), cada um.





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