Reprodução
Gwen Stefani entrou no No Doubt quando tinha 17 anos e mandava ver no palco ao lado de um bando de garotos de Orange County, na Califórnia, cantando as letras que o irmão Eric escrevia e, claro, funcionando como colírio para os olhos masculinos. Foi só com a saída de Eric da banda que a cantora descobriu que também tinha coisas a dizer. Com olhos doces e um charme irresistível, Gwen cantou para que a deixassem em paz (Just a Girl) e vociferou contra namorados ruins (em Sunday Morning e Ex Girlfriend). Em seus álbuns solo, Love.Angel.Music.Baby., de 2004, e The Sweet Escape, de 2006, ela gritou sobre avanços na carreira, mulheres que falam mal umas das outras e o relógio biológico, que não para de avançar - tudo isso em meio a um agito frenético. Por certo tempo, Gwen encarnou o papel de uma super-heroína meio punk, que acessava as páginas do próprio diário em busca de confissões que pudessem ser transformadas em um pop-rock potente. Ao longo de sua carreira, ela vendeu cerca de 50 milhões de álbuns com um som que mistura gêneros e fala sobre rompimentos difíceis, casamento, filhos, machismo - sem sacrificar o caráter contagiante de sua música.
Incansável, em vez de dar um fim a sua carreira musical e continuar tocando os seus rentáveis projetos paralelos - as marcas de roupas e perfumes L.A.M.B. e Harajuku Lovers, além de sua contratação recente como o rosto da LOréal Paris -, ou mesmo ficar sem fazer nada com sua família fotogênica (os filhos Kingston, 4 anos, e Zuma, 2, e o marido há oito anos, Gavin Rossdale, vocalista da banda Bush), ela voltou para o estúdio com o No Doubt.
Quando encontro Gwen, 31 anos, na suíte Taipan, do hotel Mandarin Oriental, em Nova York, dou de cara com uma mulher de bochechas cavadas e sobrancelhas bem desenhadas (que fazem a gente se lembrar de quanto tempo não vamos a um salão). Sua maquiagem é uma ode à meticulosidade - delineador de olhos, cílios incríveis e lábios pintados de vermelho-escarlate. Toda essa feminilidade funciona tão bem para a cantora porque cria um contraste com o sotaque relaxado de moleca do sul da Califórnia.
Ela estava na cidade para a semana de moda de Nova York, mostrando a coleção da L.A.M.B. para o outono de 2011. Diga-se o que quiser a respeito das linhas de roupas de celebridades, mas o mini-império do varejo de Gwen Stefani, com sapatos, bolsas, roupas e fragrâncias, conta com rendimentos anuais de 150 milhões de dólares e reflete perfeitamente a visão da artista em relação ao seu estilo eclético e sempre em mutação - das garotas japonesas harajuku, obcecadas com shopping centers, a punks cheios de alfinetes. Em nosso encontro, ela é um anúncio ambulante de seu próprio desfile: usa uma blusa de golaalta com babados de tecido finíssimo em branco e preto, short de lã cor de carvão, meia-calça opaca e botas de motoqueiro até os joelhos, que, como ela explica, pegou do showroom. A seguir, a cantora fala sobre música, família e moda.





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