A “obsessão pelo corpo” pauta o trabalho de Miuccia Prada agora

"Eu gosto do confronto, mas partindo da ideia de fazer algo moderno", diz a estilista

“Por favor, não chamem este desfile de Cruise. Isso me parece muito fora de moda”, disse Miuccia Prada ao WWD após a sua última apresentação no domingo (7.5). A estilista se referia à coleção que antecede a de verão e que, até então, em sua marca, era divulgada junto com as peças masculinas. Empolgados, muitos veículos e fãs da grife italiana trataram logo de comemorar ‘o primeiro desfile Cruise da Prada’. “Para mim, um desfile é um desfile. Até o último momento, eu não queria escrever nada no convite, mas aí ninguém entenderia o que é, então achamos que era melhor escrever”, destacou. O pensamento de Miuccia é muito pertinente neste momento de questionamento do calendário tradicional e do formato das semanas de moda. Marcas como a Burberry já haviam começado a se perguntar se fazia sentido separar os desfiles por estações, uma vez que sua estrutura global atingiria diversos climas ao mesmo tempo — e que as noções de desejo, depois que as redes sociais nasceram, ficaram muito mais imediatas.

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Prada-Resort-2018

(Agência Fotosite/Agência Fotosite)

As roupas mostradas pela Prada no último desfile são desse tipo: desejo imediato independentemente do clima lá fora. Há momentos de cores claras e tecidos levinhos que nos lembram que estamos falando de verão, mas nada que não possa ser adaptado e unido a um bom casaco se a temperatura cair. As peças transparentes, aliás, são as mais interessantes por aparecerem em um contexto sportswear, uma mensagem que a estilista faz questão de reforçar. Ela está realmente interessada no corpo, suas formas e como seus designs vão se comportar em contato com a pele e também em movimento.

“Às vezes eu trabalho com algo que eu não gosto, mas isso eu realmente gosto. Estou amando transparência no momento. Eu não sei por que, já que é um corpo nu, mas parece tão delicado e ainda mais ao lado do esporte. As duas coisas são uma obsessão pelo corpo, as duas estão interessadas no corpo”, diz ela. “Como sempre, eu gosto do confronto e a fusão de ambos, mas partindo da ideia de fazer algo moderno“. E, como sempre, ela consegue. Há um momento em que o logo da Prada aparece desconstruído em uma versão mais bold. Por sua vez, jaquetas esportivas são reconstruídas como se os ombros estivessem na altura dos cotovelos — algo como o styling das denim jackets da Balenciaga, que têm como proposta serem usadas de uma forma diferente. Os vestidos de tule são acompanhados por meias que lembram as de performance, assim como algumas blusas de manga comprida bem justinhas ao corpo.

Prada-Resort-2018

(Agência Fotosite/Agência Fotosite)

A liberdade de Miuccia — de regras, códigos e estereótipos — sempre foi um dos principais motivos para admirá-la. E, neste momento, parece que ela está realmente aproveitando tudo o que já construiu para se divertir e experimentar cada vez mais. “Ainda vamos decidir sobre apresentar as coleções femininas e masculinas juntas. Por enquanto, estamos livres“, ela termina com bom-humor.

Prada-Resort-2018

(Agência Fotosite/Agência Fotosite)

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