Amizade e coletividade: sim, elas existem na moda!

Em tempos bicudos, esses são valores mais que essenciais. Clicamos grupos da moda que misturam família e parceria no business e fora dele.

LAB

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Na foto, da esq. para a dir.: Evandro Fióti, o rapper Rashid (com quem Emicida e Fióti fizeram parcerias musicais), a assessora de imprensa da LAB, Marina Santa Clara Yakabe (casada com o rapper Rael), o designer Marcelo Lima (Marcelinho), dona Jacira (artista plástica e mãe de Emicida e Fióti), Emicida, Daniela Rodrigues (empresária, casada com Rashid) e Rael (parceiro e cantor do selo dos irmãos). (Miro/ELLE)

Quando Emicida decidiu fazer camisetas pela primeira vez, contou com a ajuda do amigo Marcelinho, hoje o nome por trás da marca de streetwear 13 Treze. “A gente nem pensava em vender roupa. Só queríamos nos vestir igual para poder ir aos bailes numa parada meio crew, como a gente via nos gringos, tipo Wu-Tang Clan”, relembra o rapper. Na música (e na vida), ele faz questão de trabalhar com quem compartilha as mesmas paixões. Quando desfilou na SPFW com a Lab, marca que toca ao lado do irmão Evandro Fióti, quis falar sobre herança cultural e, acima de tudo, representatividade. “A gente representa um universo vasto. Poder estar naquele evento e levar as pessoas em que acreditamos e diferentes tipos de beleza é muito forte.” O aprendizado vem muito da música e da vivência dos irmãos.

“O hip-hop sempre se moveu de maneira coletiva e aprendemos com isso”, explica Emicida. Mas a lição também é de berço, como ficou claro quando as jaquetas bordadas por dona Jacira, mãe da dupla, entraram na passarela do último desfile (até agora foram dois, desenhados pelo estilista João Pimenta). Ali, entre prints em referência às escolas e rodas de samba, estavam frases e pequenos poemas sobre um Brasil esquecido e oprimido. “De tempos em tempos, vivemos uns surtos tecnológicos que nos enchem de informações, mas há sempre uma resposta humana para mostrar o que realmente importa”, diz o rapper. “Não adianta nada ter potencial se não temos a capacidade mais básica: sermos humanos. Como a gente exerce isso? Se conectando com o outro independentemente da cor, do gênero e da classe social.”

Casa Juisi

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Na foto, da esq. para dir.: a fotógrafa Debby Gram, o relações públicas Claudio Neves, Sofia e sua mãe (a coreógrafa e performer Elisbete Finger), o empresário Leandro Matuja, a galerista Maria Monteiro, Simone Pokropp, Junior Guarneiri, a produtora Karina di Cunto e o fotógrafo Felipe Morozini. (Miro/ELLE)

Simone Pokropp e Junior Guarnieri se conheceram no fim dos anos 1990 na extinta marca Slam. Ela trabalhava no marketing e ele supervisionava as lojas. Ficaram amigos, foram morar juntos, até que Junior se mudou para o Rio de Janeiro – já que a grife abriria pontos de venda lá. Simone ficou sozinha, mas, como os negócios cariocas não vingaram, a dupla virou roommate de novo. “Nessa época, iniciamos uma coleção de peças vindas do Japão”, lembra Junior. “Foi um sucesso entre os amigos. Todo mundo queria saber de onde eram os looks, então começamos a emprestar e alugar alguns”, comenta Simone. Nascia assim, baseada na curiosidade, o que hoje conhecemos como o brechó Casa Juisi (lar de um dos acervos mais incríveis de São Paulo). “Começamos em casa mesmo. Depois abrimos o espaço da Galeria Ouro Fino, que mudou para a Alameda Tietê e, há quatro anos, para a Sé, onde está atualmente”, diz Junior. Apesar de o passado ser o principal objeto de trabalho, é o olhar da dupla que contextualiza as peças nos movimentos do presente e dá liga à coisa toda. “Sempre prestamos atenção naquilo que está ao redor e no que os amigos estão fazendo”, afirma Simone. Um exemplo é a parceria com a galerista Maria Monteiro. “Pensamos que não existia nada na cidade que vinculasse passado e arte contemporânea e nos juntamos a ela. Hoje, é impossível fazer qualquer coisa sozinho. A troca de informação é essencial, e isso só vem com a vivência com o outro”, arremata Simone.

NK Store

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Na foto, da esq. para a dir.: Carlos Pazetto, Didi Wagner, Helena Barbero, Thiago Costa Rego e Nathalie Klein. (Miro/ELLE)

“Meu modo de gestão sempre foi de muita proximidade com as pessoas”, diz Nathalie Klein, empresária e fundadora da NK Store, que completa 20 anos em 2017. Natural, então, que alguns de seus principais parceiros ainda estejam a seu lado – e não só durante as horas de expediente mas também na vida toda. “Quando você tem uma relação fora do trabalho, cria afinidade e consegue entender e compartilhar melhor as ideias.” Sua atual buyer, Helena Barbero, por exemplo, ingressou na multimarcas como assistente de vendas, em 2008, passou para a equipe de estilo, até ficar responsável por tudo que chega às araras da loja. O produtor Carlos Pazetto assina projetos especiais e eventos desde os primeiros anos de existência da label. Thiago Costa Rego, responsável pelo marketing e pela comunicação, está ligado à marca há 16 anos. Ele começou como assessor de imprensa da Talie NK até entrar oficialmente para o time, primeiro no estilo e, depois, na área que comanda atualmente com sua empresa, a T,Office. “A Nathalie virou uma grande amiga. Já dividimos até quarto”, conta ele. “Sei bem como ela funciona e quais são seus gostos. É uma relação de confiança e respeito mútuos, mas acima de tudo de muita admiração”, completa. Admiração, aliás, que se estende para as clientes. “Conheço a marca desde que abriu e, apesar de todo esse tempo, de todas as mudanças, continua sendo a loja da Nathalie, sempre com a cara dela”, afirma a apresentadora Didi Wagner.

À La Garçonne

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Na foto, da esq. para a dir.: a modelo e cantora Geanine Marques, a diretora de redação da ELLE, Susana Barbosa, o stylist e artista plástico Maurício Ianês, Fernando e Ben (filhos de Alexandre e Fábio), Alexandre Herchcovitch, Fábio Souza, o assistente de estilo Rhody e Regina Herchcovitch, mãe de Alexandre. (Miro/ELLE)

“Não consigo fazer nada sozinho.” A frase é de Alexandre Herchcovitch e pode soar paradoxal vindo de um dos mais célebres estilistas brasileiros. Acontece que Alexandre sempre fez questão de dar nome a todos que colaboram com seus trabalhos. Desde o início da carreira, quando teve ajuda da mãe para fazer suas primeiras peças ou quando convidou o artista plástico e amigo Maurício Ianês para assinar o styling de seu desfile de graduação. Hoje, as colaborações ganham outro viés. A À la Garçonne, a marca fundada por seu marido, Fábio Souza, se alinha a uma nova postura de mercado que visa somar. Há duas coleções, vem firmando parcerias com empresas para a produção de peças, como camisetas, lingerie, camisas e tênis. “A À la Garçonne já nasceu com essa ideia muito presente”, explica Fábio. O que não quer dizer que as conexões pessoais não continuem. Alguns dos parceiros antigos do estilista, como Maurício e a modelo Geanine Marques, seguem presentes na vida e nos trabalhos. A eles se somam nomes recentes, que nasceram como contatos profissionais e viraram grandes amigos, como o assistente de estilo Rhody. É também o caso de nossa diretora de redação, Susana Barbosa, com quem desenvolveu uma amizade alimentada por fins de semana compartilhados em Gonçalves, em Minas, onde as famílias de Alexandre e Susana costumam se refugiar.

Amsterdam Sauer

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Na foto, da esq. para a dir.: Esther Giobbi, Stephanie Wenk, Pedro Igor Alcantara e Gabriel Sauer. (Miro/ELLE)

Para a família Sauer, joias são mais do que preciosidades: são um negócio. “Já estamos na terceira geração, algo raro para um family business”, diz Gabriel Sauer, diretor da joalheria fundada por seu avô. “Há uma conexão emocional com tudo que fazemos”, afirma. Para Stephanie Wenk, sua prima e diretora de criação, essa emoção é essencial. “Temos maior abertura para trabalhar com novas ideias”, opina ela, sobre o novo momento da etiqueta. A relação de intimidade também extrapola os laços de sangue. Dois projetos recentes da casa, ambos nas últimas edições da SP Arte, foram assinados por amigos de longa data: Pedro Igor de Alcantara, da agência de conteúdo e planejamento Arara, e a arquiteta Esther Giobbi. Eram instalações, não por acaso, que traduziam ambientes acolhedores e convidativos (um café parisiense, na edição deste ano, e um apartamento, em 2016).

Luca & Jack

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Na foto, da esq. para a dir.: Carolina Glidden Gannon e a filha Luca, Jack e sua mãe, Nina Sander. (Miro/ELLE)

Os pais de Carolina Glidden Gannon e Nina Sander sempre foram próximos. “Então sempre tivemos certa convivência. Chegamos a fazer trabalhos juntas, mas não tínhamos tanta intimidade”, lembra Carolina. Tudo mudou quando ambas ficaram grávidas juntas. “Mandava mensagens para Carol, e começamos a trocar figurinhas de gravidez”, diz Nina. “Depois que as crianças nasceram, a Carol veio me visitar com a Luca, que estava com uma roupinha feita por ela. Começamos a falar sobre como era difícil encontrar roupas para as bebês e decidimos abrir a marca.” No caso, a Luca & Jack, inicialmente focada no universo infantil, mas que hoje veste mães e filhas. “Foi tudo natural, pois temos sintonia”, conta Nina. “É como eu sei trabalhar, tocando os negócios de maneira pessoal. Já que passamos 70% do nosso tempo no trabalho, que seja com algo e gente que amamos”, finaliza Carolina.

Amapô

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Na foto, da esq. para a dir.: o designer Fábio Kawallys, Carla Machado (dona da Turbano), Jannik Monteiro Soisalo (filho de Vanessa Monteiro e um dos modelos do desfile de inverno), Gustavo Menegazzo (cenógrafo dos desfiles), Âmbar e a mãe, Carolina Gold, Safira (filha de Carolina), Pitty Taliani, Ava Menegazzo (filha de Gustavo Menegazzo e também presente no desfile), Claudio Santana (diretor dos desfiles), a stylist Vanessa Monteiro e o estilista Dudu Bertholini. (Miro/ELLE)

“A Amapô é muito mais pessoal do que empresarial e é visível no nosso trabalho”, diz Pitty Taliani, sócia da etiqueta. “A gente fala que a marca foi nosso primeiro filho e é interessante ver como as transformações impactaram nossa vida, e vice versa”, continua Carolina Gold, outra parte da dupla. Apesar de ser fruto de duas mentes, a label sempre se aproximou da ideia de coletivo ao contar com a colaboração do grupo de amigos com quem as fundadoras convivem. “Sempre foi muito natural”, pontua Carô. Já houve, por exemplo, estampas feitas pelo designer Fabio Kawallys, trilha assinada pelo pai de uma das sócias, cenários de Gustavo Menegazzo e direção de desfile por Claudio Santana, além da presença de filhos e amigos como modelos. O último desfile, aliás, foi uma celebração à família e à amizade. “Ficamos uma temporada sem desfilar. Quando voltamos, olhamos para tudo o que já realizamos e quem fez parte dessa história. Quando você não quer abrir mão do que acredita, seus amigos vão apoiar”, conta Carô. “É isso que dá verdade e alma ao trabalho”, afirma Pitty.

MOOC

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Na foto, em sentido horário a partir do canto superior esquerdo: o publicitário Levis Novaes, o designer e DJ Kevin David, a fotógrafa Catarina Martins, a maquiadora Lídia Thays, o produtor audiovisual Raphael Fidelis, o diretor de arte Vinni Tex, a stylist Suyane e o produtor audiovisual Louis Rodrigues. (Miro/ELLE)

Eles são Catarina Martins, Kevin David, Suyane, Raphael Fidelis, Lídia Thays, Louis Rodrigues, Vinni Tex e Levis Novaes, mas representam muitos mais. Amigos de longa data e parceiros de trabalho há dois anos, formam o Mooc (Movimento Observador Criativo), coletivo que expande discussões socioculturais por diferentes mídias. Entre os integrantes, há DJs, produtores, fotógrafos e stylists. O denominador comum é a pele negra, mas também os valores e as inquietações. “Somos parecidos, mas somos diferentes: temos héteros, gays, a mina gorda, a mãe solteira”, diz o diretor de arte Vinni Tex. Juntos, perceberam que podiam produzir um trabalho sólido. Exemplos recentes são as parcerias com a Converse, a Nike e a CZO, da Cartel 011. As conquistas do grupo não ficam apenas restritas aos membros do coletivo e se estendem a quem é alcançado pelas mensagens que produzem. “Apesar da resistência da mídia, queremos que os negros consigam se mostrar cada vez mais de um jeito autêntico”, diz a stylist Suyane.

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