Como a saída dos EUA do Acordo de Paris impacta a moda

Entre o posicionamento das marcas e da própria indústria, a presença dos consumidores é uma das grandes chaves para a sustentabilidade.

O anúncio de que os Estados Unidos sairiam do Acordo Climático traçado em Paris chamou a atenção de cientistas e grupos engajados com a luta contra a mudança climática. A nação é, hoje em dia, a que mais contribui para o aumento de dióxido de carbono na atmosfera. De acordo com os cientistas, caso o cuidado com esse tema não seja urgente, as temperaturas podem continuar a subir, alterando os níveis do mar e levando as condições climáticas ao extremo.

Frente a esse panorama, o site americano Business of Fashion contatou diversas empresas e autoridades na indústria para analisar o que essa mudança significa: “pela moda gerar muita poluição, a decisão de Trump é significativa. É esperado que as emissões de carbono do setor cresçam mais de 60%, e alcancem cerca de 2.8 bilhões de toneladas até 2030”, informa o site. A fonte é o recente estudo do Global Fashion Agenda e do The Boston Consulting Group, duas das maiores iniciativas que têm como objetivo deixar a moda mais sustentável. A previsão é que, sem a fiscalização do governo, existirão menos iniciativas e menor pressão para reformar as cadeias produtivas responsáveis pela poluição, assim como menores consequências para as empresas que falharem cumprir seus objetivos.

Apesar disso, outros fatores continuarão empurrando as marcas americanas em direção à redução energética. As empresas multinacionais continuarão a ter que alcançar as metas nos diferentes países em que estiverem presentes, assim como empresas que fizeram parcerias com organizações sem fins lucrativos terão que cumprir seus próprios acordos previstos anteriormente.

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O anúncio da Tiffany no The New York Times (Tiffany/Divulgação)

Algumas empresas se pronunciaram sobre a decisão do presidente norte-americano: a Tiffany, por exemplo, publicou uma propaganda no jornal The New York Times pedindo para que Trump continuasse a cumprir o acordo climático parisiense. De acordo com o chefe-executivo da marca, Michael Kowalski, eles tiveram múltiplas reações. “Nossa resposta foi: isso não é política, é ciência”, disse ele durante o Copenhagen Fashion Summit, conferência global sobre moda e implicações ambientais. Outras empresas, como a Nike e a GAP, também lançaram pronunciamentos afirmando que continuarão na busca da redução de seus impactos ambientais.

Francois-Henri Pinault, chefe-executivo da Kering, conglomerado que abriga marcas como Alexander McQueen, Gucci e Balenciaga, postou no Twitter: “Sr. Presidente, nos anos ’60, a América estava andando na Lua. A nova fronteira é a sustentabilidade.”

Leia mais: Um guia de marcas preocupadas com sustentabilidade para consultar sempre

O maior problema, porém, diz respeito às cadeias de suprimentos de matérias-primas — onde ocorre grande parte do impacto mais prejudicial da moda. A Levi’s, por exemplo, afirma que o incentivo governamental para mudanças climáticas permite que eles atuem mais rápido para cobrar mudanças. Sem esse suporte, o processo pode ficar mais devagar. “Sair do acordo climático de Paris nos coloca em uma grande desvantagem”, falou um dos diretores-executivos da marca, Chip Bergh, no LinkedIn.

Mas não é apenas o governo ou as empresas que podem dar o tom da mudança: o site aponta que uma das maiores forças em prol da sustentabilidade são os próprios consumidores, que pressionam as empresas a tomarem medidas favoráveis ao meio ambiente. Em 2016, por exemplo, a Zara e H&M foram afetadas pela preocupação com sustentabilidade.

Livia Firth, fundadora da Eco Age, repercute as posições internacionais e afirma a necessidade de um comprometimento com o meio ambiente para que a própria produção continue existindo: “a maioria da comunidade internacional está deixando claro que as coisas não pararão porque Trump decidiu sair do acordo. Para a indústria da moda, é uma questão de decidir se eles querem um negócio rentável daqui a 10 anos. Nesse caso, eles terão que lutar contra as mudanças climáticas em todos os níveis.

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