Confira os destaques do terceiro dia da 41ª Casa de Criadores

Histórias pessoais de superação inspiram a maioria dos estilistas do evento.

O projeto LAB — iniciativa para apresentar novos designers para o mercado — está ganhando cada vez mais relevância dentro do line-up do evento. Uma nova geração de estilistas preocupados em gerar desejo na passarela começa a surgir e um bom exemplo disso é a Neriage — marca estreante que abriu o terceiro dia (10.5) da Casa de Criadores.

Neriage

(Marcelo Soubhia/Agência Fotosite)

A etiqueta surgiu a partir do trabalho de conclusão de curso de Rafaella Caniello, que acabou de se formar em moda na Faculdade Santa Marcelina, mas parece já ter um olho apurado para o desenvolvimento de seus produtos. O processo criativo surpreende: o ponto de partida é nada menos que o livro O mundo como vontade e representação, do filósofo Arthur Schopenhauer, por exemplo. Divagações filosóficas à parte, o que se vê na passarela é uma moda bem resolvida que tenta, na medida do possível, respeitar a natureza dos tecidos. Inclusive, um dos materiais usados foi a lona de caminhão. Depois de passar por um tratamento para se tornar usável num contexto fashion, a designer criou jaquetas e coletes comfy com o inusitado tecido.

Neriage

(Marcelo Soubhia/Agência Fotosite)

Seguindo uma linha mais pop, a ACRVO, marca de Hugo Ito e Lucas Romano, fechou uma parceria com o filme Como ser o pior aluno da escola, de Danilo Gentili, para criar uma coleção 100% estampada com desenhos/pichações com temática estudantil. Assim, as anotações de caderno se tornam as mais diversas padronagens em roupas de modelagem descomplicado que fazem alusão aos uniformes clássicos. Sem deixar o lado manifesto para trás, os estilistas aproveitaram a oportunidade para colocar uma drag queen na passarela com uma camiseta anti-homofobia.

ACRVO

(Marcelo Soubhia/Agência Fotosite)

A marca de Diego Malicheski, Rocio Canvas, também agitou o projeto LAB com suas transparências em sobreposição, argolas de metal e recortes aerodinâmicos. O visual da coleção flertava com o sportswear, ao mesmo tempo em que tinha certo romance pairando no ar.

Rocio Canvas

(Marcelo Soubhia/Agência Fotosite)

Em um mood parecido, porém mais mínimal, entra em cena a Senplo. Looks gráficos em preto e branco predominavam a coleção que tinha como intuito criar uma alfaiataria inteligente para dar bossa aos looks do dia a dia.

Senplo

(Marcelo Soubhia/Agência Fotosite)

A estilista seguinte, no entanto, vai na direção oposta da normalidade do cotidiano. A segunda coleção de Caroline Funke na Casa de Criadores é lúdica e brinca com o tema “Baile de Máscaras”. Os elásticos são o fio condutor da apresentação colorida, surrealista e cheia de tridimensionalidade da designer. Destaque para o trabalho audacioso da beauty artist Amanda Schon que explodiu em cores no rosto do casting.

Caroline Funke

(Marcelo Soubhia/Agência Fotosite)

Fechando o projeto LAB, temos Renata Buzzo. A estilista vegana, desta vez, falou sobre desatar nós emocionais femininos. Para isso, se arremessou em um trabalho artesanal exaustivo (as peças da coleção demoram de 6 a 12 dias para serem completadas) que funcionou como uma terapia. Na passarela, vestidos leves com fios presos a nós delicados tinham um movimento incrível e ganhavam peso com os volumes poucos convencionais aplicados pela designer.

Renata Buzzo

(Marcelo Soubhia/Agência Fotosite)

Voltando ao line-up tradicional, temos a apresentação de Diego Fávaro que também fala de dores pessoais. Recuperado de uma recente depressão, o estilista usou o seu processo criativo como catarse. Livrando-se das angústias do passado e, ao mesmo tempo, tomando consciência da dificuldade que enfrentou, ele intitulou sua coleção de S.O.S. Nela, looks de mood urbano com alusões ao esporte estampavam palavras como “HELP” e “MAYDAY”. As t-shirts, inclusive, podem ser customizadas: quem quiser, estampa o seu nome na camiseta. O melhor de tudo? As peças já estão disponíveis no site do estilista.

Diego Fávaro

(Marcelo Soubhia/Agência Fotosite)

Depois disso, Rafael Caetano fez uma homenagem — também sporty — à cultura drag. Não faltaram alusões aos bordões de RuPaul, bem como estampas da icônica Divine, de Pepper LaBeija e outras. As roupas vinham coloridas com pink, brilhantes com paetês e reveladores com recortes estratégicos.

Rafael Caetano

(Marcelo Soubhia/Agência Fotosite)

Para encerrar as apresentações do dia, Alex Kazuo colocou uma série de looks pretos na passarela do evento. Todos com um exímio trabalho em modelagem, sem contar com os fitilhos de organza desfiados e entrelaçados por pequenos canutilhos. O resultado era uma espécie de tela couture de dava mais charme aos modelitos sisudos do designer. Durante a fila final, a trilha se silenciou e deixou apenas o barulho dos chinelos de madeira batendo no chão que, com a entrada do estilista, se confundiam com os aplausos.

Alex Kazuo

(Marcelo Soubhia/Agência Fotosite)

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