Essas três meninas cariocas estão popularizando a moda sustentável através de peças jeans incríveis

A MIG Jeans é adepta do upcycling e chamou atenção no Rio Moda Rio.

A moda carioca está se reinventando. Não que suas características mais conhecidas estejam perdendo força a cor, as estampas e as modelagens confortáveis continuam firmes , mas há uma turma de jovens meninas que merece atenção pela criatividade e, principalmente, pela vontade de mostrar algo novo.

Durante a primeira edição do Rio Moda Rio, os grandes desfiles dividiram espaço com uma seleção de marcas pequenas que estavam lá tanto para vender seus produtos quanto para expor suas ideias para um número maior de pessoas. Criada por três amigas em 2015, a MIG Jeans foi uma das boas surpresas do evento.

Carol Lancelloti para revista A Lagarta Carol Lancelloti para revista A Lagarta

Mayra Sallie, Luana Depp e Isa Maria Rodrigues praticam o upcycling. Se você ainda não ouviu falar, é um processo que dá vida nova a, por exemplo, peças esquecidas no seu armário. “Percebemos que podíamos ir além de customizar peças de brechós, que era a nossa ideia inicial, ao apostar no jeans, um material de produção poluente, grande duração, facilidade de transformação e uma peça básica, facilmente encontrada em brechós com defeitos de uso e tempo”, explicam as meninas de 20 e poucos anos, que se conheceram no curso técnico de produção de moda da FAETEC. “Também percebemos a necessidade que as pessoas tinham de personalizar peças próprias”, completam.

O aumento da popularidade de brechós, armários compartilhados e projetos que têm como objetivo aumentar a vida útil das peças, além do fato de grandes marcas estarem investindo em estudos sobre sustentabilidade, mostra como uma nova geração está influenciando a indústria e economia da moda. Um recente report da MARU/VCR&C, agência americana especializada em análise de mercado, explica que os millennials valorizam empresas com uma cadeia produtiva mais justa, tecidos orgânicos e que possuam princípios sustentáveis. Nesse contexto, faz sentido que pequenas iniciativas, criadas exatamente por representantes dessa geração, consigam engajar de forma orgânica e verdadeira seu público.

Leia Mais: Iniciativas que mostram como o consumo de moda está mudando

Carol Lancelloti para revista A Lagarta Carol Lancelloti para revista A Lagarta

“Nosso público é eclético, criativo e autêntico, não segue tendências e padrões. Eles mostram o que são, o que amam, acreditam e apoiam. São urbanos e curtem conhecer lugares e culturas diferentes, eventos e atrações alternativas. Valorizam marcas com conceito e atitude conscientes. São ligados à natureza e à sustentabilidade”, explicam as meninas da MIG, que trabalham com o garimpo de peças vintage, com reaproveitamento de resíduos têxteis e descartes de grandes empresas.

A questão do preço

Atualmente, uma das grandes críticas a movimentos que apoiam o consumo e moda de forma mais consciente é o valor dos produtos oferecidos, uma vez que lojas de fast fashion oferecem design por um preço muito baixo. Isso, no entanto, não se aplica à MIG. “Por trabalharmos com peças descartadas, temos um preço de custo menor, o que nos permite ter preços mais acessíveis. Além disso, também faz parte de nosso propósito democratizar a moda sustentável, abrindo oportunidades para diversos públicos. Por isso, trabalhamos com linhas mais acessíveis e a opção de serviço de customização e ação de doação em troca de desconto”. Ou seja, você pode levar uma peça antiga, que elas usarão futuramente como matéria-prima, e sair com uma jaqueta que não passa dos R$ 200, por exemplo. Para manter a essência, elas preferem trabalhar em escala menor, ter controle total sobre a produção e aproveitar o que cada uma pode oferecer. A Mayra, inclusive, é a modelo das fotos que estão espalhadas por essa matéria.

A ideia agora é a expansão através do e-commerce, parcerias com marcas, pontos físicos, workshops e cursos de customização pelo Brasil. “Queremos disseminar o conceito e conscientizar sobre novas formas de consumo e produção consciente”, finalizam. Considerando que a roupa mais sustentável que existe já está pronta  uma vez que, mesmo em uma produção preocupada com o meio-ambiente e com a valorização da mão e obra, a natureza ainda sentirá os impactos da extração não há dúvidas de que esse modelo tem tudo para se espalhar ainda mais.

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