Fique de olho na estilista portugues Alexandra Moura

Uma das estilistas mais respeitadas de Portugal, Alexandra Moura ganha o mundo com suas coleções que apostam na queda de barreira entre os gêneros.

Para os organizadores da London Fashion Week, Alexandra Moura é “o segredo mais bem guardado da moda portuguesa”. Aos 42 anos, a estilista, conhecida pelo trabalho autoral, feito de poucas e bem trabalhadas peças, não se preocupa em seguir tendências. Suas coleções nascem de suas próprias inquietações: das sombras que observou durante uma viagem ao Japão, do milagre das rosas, uma história ligada afetivamente à memória de sua avó, de uma tribo no Iêmen ou da astronomia. Seus pontos altos são a alfaiataria bem cortada e o jogo constante de opostos. No ano passado, sua marca comemorou 15 anos de vida e  uma fase nova, com os olhos voltados para o mercado internacional. Antes de pisar na passarela do Moda Lisboa, em março de 2016, seu inverno 2016/17 foi apresentado em showroom dentro dos calendários das semanas de moda de Paris e Londres. O tema? A igualdade de gêneros. Formada pelo Iade, Alexandra começou a carreira sob a mentoria de dois ícones da moda portuguesa: Ana Salazar e José António Tenente. Versátil, já fez figurinos para espetáculos, uniformes para empresas e hoje também dá aulas de design de moda na Escola Superior de Artes Aplicadas. Em 2015, ganhou o Prêmio Mulheres Criadoras de Cultura pela contribuição de sua obra em prol da igualdade. A seguir, a entrevista exclusiva que ela deu à ELLE Brasil.

Qual a relação dos portugueses com a moda atualmente?

Estão mais atentos ao que está acontecendo, mas ainda hesitam em comprar o que é nacional. Na minha loja, a maioria dos clientes são estrangeiros em busca de uma moda de autor. Falta aos portugueses arriscar no sentido estético, procurando peças que tragam individualidade.

E do ponto de vista da criação?

O público local ainda não está tão aberto, mas a criatividade já explodiu. Houve uma grande evolução. Há uma sede de mudança, uma procura por algo único, uma vontade de marcar a diferença e de conquistar novos consumidores.

Qual é a sua marca registrada?

Investimos no handmade. As peças são muito trabalhadas. Tudo é pensado no detalhe. Nossa criação é atemporal, não segue tendências, tem um lado conceitual muito forte. Nossos looks são urbanos, para o dia a dia, mas com algo a mais. Não fazemos grandes quantidades. Focamos em um nicho de mercado para garantir essa qualidade.

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(Alexandra Moura/Divulgação)

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Como é o seu processo criativo?

A própria vida me alimenta. Já busquei inspiração na astronomia porque era, juntamente com a biologia, um caminho que pensei seguir. Mas outros temas me seduziram, como marionetes, a água, as sombras, uma viagem que fiz ao Japão. É algo que vejo no momento e me dá o clique. Depois, há uma pesquisa intensa, em que me demoro esmiuçando a ideia. Levo mais tempo nessa fase do que desenhando a coleção. Depois, imagino a personalidade de quem vai vestir as peças e, claro, os tecidos, os materiais, as cores. A coleção de verão se baseou no milagre das rosas.

As tradições de Portugal estão muito presentes em suas criações?

Na verdade, trabalho conceitos que têm a ver com necessidades que sinto no momento. Nesse caso, foi uma vontade de que houvesse um milagre em nossa vida, no mundo, no ser humano. A conjuntura está muito escura, muito pesada. E essa história é especialmente bonita. Há o aroma, as fores, a feminilidade. Inconscientemente, acho que gostaria que ela se repetisse hoje. Você ganhou o Mulheres Criadoras de Cultura, em 2015, um prêmio ligado à igualdade de gêneros.

É uma questão importante para você?

Sem dúvida. Tento sempre transmitir o lado unissex das peças. Tenho clientes homens que compram peças femininas e consumidoras que gostam de uma calça ou de uma camisa masculina. A ideia é não ter fundamentalismos. A nova coleção, de inverno 2017, fala dessa igualdade. De um indivíduo que não deve ser rotulado pelo gênero. Detalhes que vêm de códigos femininos passam para peças masculinas, e vice-versa. Há uma fusão que torna isso possível.

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(Alexandra Moura)

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