Inteligência artificial já é realidade no mundo da moda

De experiências de compra 100% personalizadas a chats com robôs, investigamos como a inteligência artificial está transformando a cena fashion.

Não é mais uma questão de futuro ou uma cena típica do mundo high-tech da família Jetsons: a inteligência artificial faz parte do nosso dia a dia e, se depender das recentes investidas no meio, promete transformar a maneira como vivemos e compramos em um cenário muito próximo. Algumas mudanças já estão acontecendo, apesar de ainda passarem despercebidas, enquanto outras são projeções que têm tudo para levar nossa experiência de compra a outro nível, tornando-a cada vez mais exclusiva.

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Você ouviu falar dos Beacons? Eles existem dentro do seu iPhone e funcionam como um dispositivo de localização que pode alertar alguns aplicativos com suas coordenadas exatas. Imagine entrar em uma loja de departamentos e, após namorar um sapato da Valentino, receber uma notificação avisando que aquele mesmo par está com desconto. Ou passar na frente da vitrine da Dior e ser avisado de que a bolsa de seus sonhos acaba de chegar às prateleiras. A tecnologia reconhece quando você se aproxima de outro Beacon e permite tanto rastrear seus lugares favoritos dentro de um espaço como disparar ofertas exclusivas.

É um passo que torna muito mais certeiras as notificações que as labels às vezes mandam por SMS – em vez de recebê-las em horários aleatórios do dia, você as receberá quando o Beacon notar que você está na porta da loja ou até mesmo na frente de uma arara. “O varejo procura na ciência a resposta para diminuir cada vez mais o gap entre as vendas on e offline”, explica Symon Niemczura, CEO da Kontakt.io, uma das empresas fabricantes da tecnologia. “O marketing de proximidade é exatamente o que os varejistas precisam para transformar alguém que está apenas olhando em um comprador.” Grandes multimarcas, como a Macy’s, implementaram ações usando o Beacon e, segundo pesquisas da Kontakt.io, os resultados são 16 vezes melhores do que aqueles usando apenas propagandas via celular. “Toda a atividade é opcional, portanto o consumidor tem que habilitar o recebimento. Caso ele não queira, pode interromper a qualquer minuto”, explica o norte-americano Chuck Martin, autor do livro Mobile Influence: The New Power of the Consumer.

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Outro campo em que a inteligência artificial age com força é no mundo dos e-commerces. A ideia é utilizar cada vez mais ferramentas para mapear o comportamento de todos os clientes e entender como as pessoas compram. O resultado são ofertas e experiências cada vez mais singulares, pensadas de maneira diferente para cada um dos clientes em potencial. Endereços como o Shop2gether contam com eficientes cérebros eletrônicos, que fazem todo esse trabalho de adivinhação. “Cada software é específico para uma coisa: para a análise de comportamento, para os algoritmos de ofertas, para sugerir produtos em anúncios do Facebook, para filtrar e cruzar o comportamento de quem navega enquanto está logado no site”, exemplifica Ana Isabel Pinto, cofundadora do Shop2gether. “Hoje em dia, não há como se comunicar com todo mundo do mesmo jeito. É preciso ser assertivo.”

Soluções idealizadas para os varejistas também facilitam a entrada de novas etiquetas no mercado e a produção de peças que atendem à demanda exata do público. Lá fora, o software Edited montou um banco de dados com informações e preços de milhares de sites de todo o globo. Assim, quando alguém estiver interessado em lançar uma linha de leggings, por exemplo, tem acesso imediato a preço médio, best-sellers e outros critérios relevantes para as futuras vendas. “Quem usa nossos dados tem estatísticas reais na mão, que podem ser usadas para apoiar decisões sem precisar depender de relatórios de tendências”, explica Julia Fowler, cofundadora da plataforma.

Topshop, Net-a-Porter e eBay são algumas empresas que fazem uso do sistema. Aqui, no Brasil, o eFitFashion pretende fazer roupas sob medida online. “Nosso software possibilita que as pessoas mandem suas medidas e ele desenha um molde com dimensões exatas e o encaminha para uma costureira ou marca”, conta Juliana Pirani, uma das desenvolvedoras do programa. A ideia é lançar, no primeiro semestre de 2017, uma plataforma que una compradores e vendedores de roupas feitas sob medida – uma seara ainda difícil de ser explorada em compras feitas na web.

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A comunicação entre as marcas e os clientes também deve sofrer os efeitos desse boom tecnológico. Em suas apresentações recentes durante as semanas de moda de Nova York e Londres, Tommy Hilfiger e Burberry investiram em chatbots para aumentar o buzz sobre suas coleções. O recurso funciona como bate-papo-padrão pelo Facebook Messenger – no entanto, não há ninguém do outro lado. Com base em perguntas e respostas de fácil entendimento, ele mostra looks recém-desfilados, conta curiosidades sobre o desfile e, é claro, incentiva o see now, buy now. Em um futuro próximo, a tecnologia servirá também como personal shopper e SAC, tirando dúvidas de estilo e dando informações relevantes sobre numeração e estoque.

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“Os chatbots ficam mais espertos a cada interação. Os seres humanos se comunicam de maneiras diferentes e nossa tecnologia capta as nuances de cada mensagem trocada com os usuários”, pontua Puneet Mehta, CEO da Msg.ai, empresa desenvolvedora do chatbot usado pela Tommy. O mercado é tão promissor que o próprio Google lançou um assistente (do tipo Siri), que hoje funciona no app de mensagens Allo (apenas em inglês). Nele, é possível tirar dúvidas diretamente com o buscador e até usá-lo em um chat com um grupo de amigos.

Ainda um pouco distante do nosso cotidiano, mas em fase de testes, outra engenhoca deve mudar nosso relacionamento com as roupas: são os óculos de realidade mista, um mix de realidade virtual e aumentada. Por enquanto, eles ainda soam como coisa de filme sci-fi, mas a Microsoft já os usa em parceria com empresas como a Volvo e a Western University e, recentemente, os estreou no universo fashion, na apresentação da estilista Martine Jarlgaard. Batizado de HoloLens, o acessório permite que o usuário veja hologramas e interaja com eles em atividades diárias. “Na moda, gadgets de realidade mista podem nos dar a capacidade de virtualmente experimentar uma roupa ou fornecer informações adicionais semelhantes àquelas que temos disponíveis em um e-commerce, como produtos sugeridos, preços e dados adicionais. Algo que não é facilmente disponível em uma loja física”, prevê Brad Hayes, expert em inteligência artificial e ciência da computação pelo MIT.

Por fim, uma discussão que ainda vai dar o que falar: os robôs um dia substituirão a mão de obra humana? Pelo menos no meio fashion, a projeção é que a robótica entre para somar, e não para tomar o nosso lugar. “Robôs e seres humanos têm capacidades complementares e é juntando os dois que se obtêm melhores resultados”, avalia Pedro Domingos, professor da Universidade de Washington e autor do livro The Master of Algorithm. “Da mesma forma que a arquitetura de Frank Gehry e Zaha Hadid não seria possível sem os computadores, a inteligência artificial tornará possíveis novas formas de design e os estilistas que a souberem utilizar vão longe.” O futuro é agora.

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