Karol Conka: “A minha existência é um ato político”

A cantora inaugura a Casa Air Max da Nike nesta quarta-feira (8.3) e fala com exclusividade sobre o que é ser revolucionária na moda e na música.

Todos querem um pedaço de Karol Conka em 2017 ou, pelo menos, se aproximar daquilo que ela representa de forma tão natural. Talvez seja seu estilo afrontoso, a autoconfiança ou a mensagem empoderadora de seu discurso. O mais provável, no entanto, é que seja a facilidade com que ela faz pequenas revoluções a cada aparição. Não à toa, o GNT a convidou para comandar um de seus programas sobre o universo feminino e hoje, no Superbonita, é possível assistir a conversas e experiências de mulheres negras falando sobre questões importantes de autoestima.

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A Nike também percebeu que esse seu poder de transformar as áreas em que atua tinha tudo a ver com um de seus projetos mais empolgantes: a Casa Air Max, que inaugura hoje (8.3), em São Paulo, e se dedica ao aniversário de 30 anos de um modelo que mudou a história dos sapatos por ter transcendido do mundo dos esportes até se tornar um dos maiores ícones da cultura sneaker.

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(I Hate Flash/Divulgação)

O espaço, no coração da Avenida Paulista, estreia no Dia Internacional da Mulher, e é uma verdadeira imersão no universo urbano, que mistura música e experiências sensoriais. Há diversas salas que celebram a influência do tênis e mostram, entre outras facetas, como ele sempre andou paralelamente ao mundo do hip-hop. “Eu acho que antigamente tênis era visto como uma coisa só do esporte, que não combinava com vestido, por exemplo. Mas eu sempre gostei por ser do rap. Há cinco anos, eu já misturava vestido de paetê com tênis, mesmo quando falavam que não era legal”, conta Karol que participou de um shooting especial da label e marcará presença na casa nesta noite. É fácil perceber que esse espírito questionador que Karol mostra em suas escolhas de moda está presente em todas as suas atividades, especialmente em sua música.

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“Para mim, o começo não foi nada difícil. Eu acho que para o rap, sim, foi difícil. Até para o público do rap. Essas pessoas demoraram para entender que eu vim para quebrar tabu, eu vim para quebrar padrões”, explica sobre seu som influenciado pelo pop. “Se o meu propósito é esse, é óbvio que eu não vou fazer um rap igual ao que já ouviram no Brasil. Eu não quero fazer o rap que todo mundo já fez, eu quero fazer a diferença. Eu gosto de causar um espanto nas pessoas com a minha arte porque depois do espanto vem a admiração”.

E essa estranheza à primeira vista, que rapidamente vira encanto, fez com que Karol fosse escolhida para campanhas de marcas como a Mark, nova linha da Avon, que quer, justamente, quebrar estereótipos do setor da beleza. Rótulos e padrões esses que já a fizeram sofrer, mas que foram deixados de lado depois de um processo de reconhecimento – o que só prova o quanto o debate da representatividade é importante: “Eu conheci o rap por meio de um álbum do Fugees, que tem a Lauryn Hill, e eu comprei esse CD só por ter ela na capa. Não sabia nem quem era o grupo, foi porque tinha aquela negra linda lá”, relembra. “Senti que com aquele álbum eu ia me libertar. Porque eu ainda sentia uma frustração dentro de mim por não poder ser quem eu queria ser, por viver numa sociedade que ensina padrões. Eu me libertei quando entrei para o rap e foi quando parei de alisar o cabelo”.

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(Felipe Morozini/Divulgação)

Se hoje detectamos uma necessidade urgente das marcas em rever seus posicionamentos e se inserir em um movimento de valorização da mulher, Karol parece ser a imagem a qual todos querem se conectar. O que faz sentido, uma vez que poucas estrelas do momento unem tão bem a sua imagem ao que acreditam verdadeiramente. “A minha existência e o meu posicionamento são atos políticos. Eu sempre quis ajudar as pessoas além da música, não só fazendo música, mas com o meu estilo, comportamento e a minha imagem”, diz quando fala de seu desejo de se dedicar à carreira de apresentadora, principalmente por acreditar que é possível usá-la para transformar, no melhor estilo Oprah.

São declarações como as que deu à ELLE durante a última edição do SPFW, quando afirmou que deveriam ter muito mais modelos negras na passarela, que mostram o quanto Karol quer e vem abrindo espaço para discussões que costumavam ficar na escuridão principalmente em meios como o mercado brasileiro de moda e beleza, tudo isso desafiando noções estéticas de forma muito inspiradora. “Ser uma revolucionária é quando você dá voz a um assunto que não é muito comentado. É quando você dá voz a um assunto que não é visto com tanta importância. É quando você mostra para uma sociedade um outro lado da história que não é contado. Isso é revolução. É você convencer as pessoas de que existe uma mudança para ser feita, e é necessário falar sobre aquilo”, finaliza.

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(Felipe Morozini/Divulgação)

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