Novo projeto de André Carvalhal sugere uma moda mais humana

A Ahlma coloca a lógica da moda de ponta-ca beça e sugere um modelo de produção mais coletivo e consciente.

André Carvalhal tinha uma carreira de sucesso no departamento de marketing da Farm até começar a achar que era tudo demais. Não só no trabalho mas também no mercado, no mundo, na vida. Viajou para Índia, Amazônia, Piracanga e outros lugares em busca de autoconhecimento e espiritualidade e decidiu parar. Pisou no freio, pediu demissão, fez uma limpa no guarda-roupa. Não queria ter mais nada a ver com a indústria de excessos da qual fazia parte. Queria escrever (são dele os livros A Moda Imita a Vida e Moda com Propósito), prestar consultorias e tocar a Malha, um espaço colaborativo de produção, criação, experimentação e empreendedorismo criado por ele, no Rio de Janeiro, em 2016. Mas não foi bem assim.

Leia mais: “É possível fazer uma grande virada na moda”, diz André Carvalhal

No mês passada, seu novo projeto ganhou vida: a Ahlma, uma marca cujos princípios vão na contramão do que prega o mercado. “Queria algo mais conectado aos valores humanos e à consciência coletiva”, diz André. Tudo começou no ano passado, durante uma conversa sobre a Malha com Rony Meisler, CEO do grupo Reserva. “Ele achou a ideia incrível e queria se envolver, mas ninguém sabia bem como seria isso até que ele propôs lançarmos uma grife que representasse esses valores.” O primeiro passo é uma plataforma online de conteúdo, e-commerce e crowdsourcing. Tudo para enaltecer um dos principais pilares da etiqueta: a colaboração. “Num momento de crise, é importantíssimo ajudarmos uns aos outros.” No site, a participação coletiva vai da criação de peças à logomarca e às embalagens – tudo com participação e aval dos consumidores (só serão produzidos os trabalhos com maior número de curtidas). Na loja, localizada no Leblon e com abertura prevista para junho, as parcerias vão da moda à gastronomia, da lavanderia à academia. “Não queremos apenas um ponto de venda, mas um espaço onde se possa compartilhar esse novo momento.”

Ahlma-andre-carvalhal

Mostruário da futura loja Ahlma. (Ahlma/Divulgação)

DIREÇÃO CONJUNTA

O modelo colaborativo ganha cada vez mais adesão na indústria. Na Ahlma, porém, a criação conjunta é ainda bem mais ampla, quase subversiva. No lugar de um único diretor criativo, quem diz o que vai acabar sendo produzido é o próprio consumidor. “É como se pegássemos a ideia do on demand e aplicássemos à moda.”

As vantagens? Para começo de conversa, a redução de lixo e descarte. A moda é hoje a segunda indústria mais poluente do mundo (perde apenas para a do petróleo). Com uma produção mais precisa e limitada, desperdiça-se menos. Justamente por isso, as estampas em silk serão aplicadas na hora da compra, de acordo com a demanda e o desejo do cliente. Os jeans terão uma única modelagem, mas poderão ser ajustados e customizados pela equipe de costureiras. As sobras – de tudo – também serão reaproveitadas no esquema de upcycling. A Ahlma aceita doações de roupas e tecidos e garimpa sobras de marcas parceiras. “Nossa principal preocupação é minimizar o impacto na natureza”, pontua André. “E no ser humano também.”

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s