O que aconteceu com a Nasty Gal?

Antes da estreia da série Girlboss, mergulhe na história de altos e baixos e entenda a falência da marca.

Há um dia da inauguração da nova série do Netflix, Girlboss, estamos realmente ansiosos para descobrir os primeiros anos de vida da Nasty Gal — marca que, desde que nasceu como uma vitrine no Ebay, alcançou mais de US$ 100 milhões em vendas em apenas seis anos. Os episódios retratam Sophia Amoruso, uma americana que entendeu a demanda por roupas fast fashion que também tivessem personalidade, e que alcançou a fama por seu jeito criativo de encarar o controle de uma empresa.

Apesar do grande sucesso que fez nos primeiros anos, no dia 28 de fevereiro a Nasty Gal foi vendida por $20 milhões para a empresa britânica de multimarcas Boohoo.com, e também assinou, em novembro de 2016, um acordo de proteção após a falência.

Da mesma forma que cresceu muito rápido, os lucros da empresa também decaíram com velocidade. Em 2011, as vendas atingiram a marca de US$ 24 milhões, e, em 2012, chegaram aos impressionantes US$ 100 milhões. Já em 2014, no entanto, caíram para US$ 85 milhões, e depois, desceram ainda mais para a faixa de US$ 77 milhões em 2015, de acordo com documentos sobre seu fim. Nesses papéis, a empresa afirmava que suas relações com vendedores estavam tensas. Nos últimos anos, a marca tentou ainda fazer empréstimos para equilibrar seus números — um deles no valor de US$15 milhões. A marca afirmava que estava tentando levantar capital adicional, mas falhou na missão de se recuperar.

Leia mais: Disseram que “Girlboss” deveria ser mais apelativa para os homens

THIS IS CRAZY @girlbossnetflix wearing @gucci @buccellatimilan

A post shared by Sophia Amoruso (@sophiaamoruso) on

Um dos motivos da trajetória ser tão marcante é que o que construiu seu sucesso também fez parte de seu fim: o investimento massivo em anúncios e marketing — quem nunca passeou pela internet e se deparou com os onipresentes banners? — levou e drenou recursos valiosos: todo o dinheiro investido nessa área só é válido a longo prazo caso os consumidores se tornem leais.“Você acaba gastando muito dinheiro via marketing online, como banners ou [pagando] influencers, conta Ari Bloom, chefe executivo da Avametric, uma companhia de softwares de moda de São Francisco, e investidor em start-ups fashion, ao LA Times. “Se você gasta US$ 50 em marketing para que um consumidor compre algo apenas uma vez, você provavelmente não está fazendo dinheiro”, finaliza ele. No caso da californiana, a falta de habilidade para segurar os consumidores levou a um vazamento nos gastos.

Entre os principais motivos para não conseguir fidelizar os clientes está a qualidade dos produtos — as compradoras inundaram a internet e as redes sociais com reclamações sobre tecidos “descartáveis” — além da competição com marcas já estabelecidas no mercado, como a Zara e a H&M, que além de maior variedade por terem maior porte, também tinham uma presença física maior, permitindo, ao menos, o toque para testar a resistência das peças. O estilo da mulher que consumia Nasty Gal também pesou na conta, pois acabou sendo muito específico para uma marca que investiu em abrangência: durante os anos, parou de explorar o seu nicho de roupas edgy e vintage e se apegou completamente ao estilo de uma jovem californiana cool. “Não é muito claro o quão atrativo isso era ao redor do país e do mundo”, comenta Richie Siegel, fundador do Loose Threads, uma companhia de mídia focada em moda e tecnologia. 

Especialistas em negócios apontam também que a marca teve grandes gastos irresponsáveis: quintuplicou seu HQ, que tinha muito mais espaço do que a empresa necessitava, além de ter angariado um pé atrás sobre seus vínculos empregatícios no influente site de empregos Glassdoor, em que recebeu uma avaliação de 2.7 em 5.

Leia mais: As incríveis histórias das mulheres ocultas do mundo da moda

Happy Friday! Tag an inspiring #girlboss in your life. 👯 @girlbosstv @girlboss

A post shared by Sophia Amoruso (@sophiaamoruso) on

A saída de Sophia enquanto a fortuna da empresa diminuía também mandou um sinal trocado para os investidores em potencial. “A Nasty Gal é um exemplo de como uma companhia intimamente ligada à imagem de sua fundadora pode falhar quando esta não está mais lá – ou quando sua atenção está focada em outros momentos”, afirmou o LA Times.

Os problemas da marca, porém, não foram apenas causados por Amoruso estar próxima da geração millenial, como alguns especialistas apontam, e muito menos por seu jeito criativo de tentar ser o símbolo para quem desejava seu lifestlye. A falência certamente não é novidade no âmbito digital — outros e-commerces gigantes, como o Birchbox e o Gilt Group, também tentaram se equilibrar entre sua influência online e seu alcance logístico, e falharam. Como uma verdadeira #girlboss, Sophia deve ter muitas cartas na manga, e recentemente publicou em seu Instagram uma foto que dizia “Fail better, fail fast” (“falhe melhor, falhe rápido”). Para ficar de olho!

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s