O que há por trás do fetiche das mulheres por bolsas?

Seja qual for o seu modelo favorito, bolsas fazem parte do imaginário feminino por diversos motivos!

O fetiche que envolve as bolsas, feito uma aura mágica, foi um dos grandes temas escondidos do universo simbólico de Alfred Hitchcock. A ladra Marnie e sua clutch, recheada de traumas e segredos. A bolsa de cobra de Tippi Hendren em Os Pássaros, carregada do vigor sexual que abala a harmonia da mãe e seu filho único a ponto de criar uma reação da natureza, entre tantas outras minuciosamente escolhidas pela genial figurinista Edith Head e seu meticuloso diretor. O que eles diriam, que roteiros criariam para algumas das mais interessantes it-bags dessa temporada?

O que, afinal, querem as mulheres Valentino e suas microbolsas – às vezes substituídas por um insinuante porta-batom que se abre num espelho para os lábios? Será que são livres a ponto de carregar tão pouco, estarão cercadas de pessoas que fazem suas vontades ou prontas para situações que não exigem nada mais que uma boca bem pintada?

E as mulheres Balenciaga? Serão elas trabalhadoras ou viajantes?

Para onde levam suas bags, que mais parecem malas da vovó ou pufes para quem não sabe bem onde passará a noite? Será que carregam a vida nessas bolsas enormes, será que estão em constante mudança, em fuga, ou colecionam suvenires de viagem? Talvez sejam cleptomaníacas ou simplesmente acumuladoras de memórias.

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Hitchcock e a senhorita Head certamente apreciariam as clutches sexualmente explícitas da Prada, com suas texturas, seus pelos e seus fechos indiscretos.

As mulheres de Miuccia, sempre tão assertivas e experts em detalhes que falam sozinhos. Cobertas dos pés à cabeça, cheias de sobreposições e abraçando o estranho, são sem dúvida as mulheres do zodíaco fashion que mostram suas bolsas com mais personalidade.

Já a mulher Vuitton, tão conectada no mundo da tecnologia, em alguns momentos carrega só o celular, cujo case monogramada faz às vezes da it-bag. É a bolsa-Tinder, aventureira do date. Ou talvez a antibolsa de alguém cujo desejo passe bem longe dos affairs e se concentre nos jogos vorazes de popularidade e autoerotismo das redes. Por trás dos menores cases, podem estar neoimperatrizes atrás de súditos virtuais.

Reprodução / Instagram @nicolasghesquiere

Reprodução / Instagram @nicolasghesquiere

Com as mulheres, nunca se sabe. Mas há muito o que imaginar. E a minimalista Céline com suas enormes bolsas adornadas por cordas? Terão essas mulheres se libertado ou será que decidiram se amarrar por diversão, dominando os nós?

Intrigantes também as plastificadas da Miu Miu. Estarão elas protegidas ou serão apenas coberturas sintéticas e frias para forros delicados, que buscam numa estética que flerta com o antiquado e com o pudico uma alternativa a um mundo que troca de bolsa por esporte?

Os muito realistas dirão que uma bolsa é só uma bolsa, um amontoado de materiais. São, entre todos, os mais ingênuos, do tipo que jura que as aparências enganam e não enxerga as projeções de afeto sobre esses misteriosos acessórios, que entre mãos, cinturas e peitos carregam segredos íntimos sobre as tramas do feminino.

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