“Olhamos para as passarelas brasileiras e parece que estamos olhando para a Suécia”, diz Emicida

Como a ELLE de outubro adiantou, Emicida é o principal nome desta temporada de SPFW. Ao lado do irmão e sócio, Evandro Fióti, e com a direção criativa de João Pimenta, o rapper coloca sua marca, a LAB, como estreia mais aguardada da semana de moda. A etiqueta é mais uma perna do Laboratório Fantasma, selo que conta com discos, acessórios e alguns itens de vestuário que agora ganham statement fashion com o lançamento da nova etiqueta. Antes do desfile, batemos um papo exclusivo com ele, que falou sobre suas influências, a mensagem de suas roupas e a escolha do casting. Confira:

Como surgiu seu interesse pelo mundo da moda?

Nos anos 1990 o Ice Blue, dos Racionais MC’s, tinha uma marca chamada Ice Blue. Ele foi o primeiro a sugerir que podíamos ter um corte bacana, escolher tecidos legais e fazer uma campanha publicitária. Isso em um tempo no qual as pessoas tinham muito mais dificuldade de associar o rap brasileiro com a moda. Pra gente, ele abriu um caminho que hoje torna bem mais simples o nosso trabalho.

Eu fico feliz que as pessoas relacionem o que a gente faz aqui com o trabalho do Kanye West e do Pharrell, mas acho importante ressaltar que tinha uma movimentação antes do hip hop brasileiro. Minha maior inspiração naquela época, 1997 e 1998, era o que o Ice Blue fazia. Ele é cortador de tecido de profissão, então levou um cuidado para marca dele que até então era raro. Tiveram etiquetas no hip hop brasileiro que brincavam com essa coisa do streetwear, mas ele fez isso de uma maneira muito séria e criativa.

O Pharrell vê a criatividade como combustível e o produto final como plataforma. Se o resultado do que a gente criar será um aplicativo, um desfile de moda, um disco de rap ou um musical no teatro, é indiferente.

Nomes como Kanye West e Pharrell William são exemplos para você hoje?

Sim, eles são grandes inspirações. Eu gosto do que o Kanye West faz, mas piro mesmo é no Pharell.

Podemos dizer que você é #timePharrell então?

Ele vai além da criação e tem essa coisa do lifestyle livre que eu acho foda. Ele não é só um cara que desenha peça de vestuário, ele desenvolve cadeiras, malas, bolsas de luxo… Passeia por várias áreas. A coleção da Adidas ficou incrível, quanto ele lançou eu estava na Suíça e o povo ficou louco.

O Pharrell vê a criatividade como combustível e o produto final como plataforma. Se o resultado do que a gente criar será um aplicativo, um desfile de moda, um disco de rap ou um musical no teatro, é indiferente. O que eu acho bacana e admiro muito é que ele tem criado uma história, aliando criação com o lado musical.

Leia mais: Emicida estreia no SPFW com sua nova marca e conta detalhes exclusivos para nós!

Qual é a mensagem que as roupas da LAB carregam?

O personagem central dessa coleção é o Yasuke, que em 1579 foi sequestrado na África, apareceu no Japão e virou um samurai importante. Esse cara traz a quebra de paradigma, de estereótipo e de barreira. A gente vem de uma sociedade muito conservadora, muito antiga e muito viciada no ontem. O que estamos fazendo aqui hoje é oxigenar a criação brasileira. O SPFW enriquece muito com isso. A moda e a criatividade brasileira vão se beneficiar dessa diferença que traremos pra cá. Vamos explorar o plural e precisamos saber colocar isso na passarela para inspirar o Brasil a procurar novas formas de olhar para si mesmo.

Mariana Maltoni

Mariana Maltoni

Preview do desfile da LAB no SPFW que foi publicado na ELLE de outubro.

Como foi a escolha do casting?

Em geral, a gente a olha para as passarelas daqui e parece que está olhando para as passarelas da Suécia. Podemos olhar o casting do nosso desfile pelo viés da ocupação e também da representação, da beleza, da autoestima e da elegância. Durante muito tempo isso não foi associado às pessoas pretas e à periferia. O que estamos fazendo agora é pegar tudo isso de volta. Eu e o Evandro participamos da escolha de cada pessoa que participará, não deixamos essa decisão na mão de ninguém. E não fomos só pelo perfil, também trocamos uma ideia pra saber quem eles eram.

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