Por que estamos apaixonados por Rihanna no MET Gala

Bad Gal Riri sustenta o posto de rainha do tapete vermelho do evento mais importante da indústria da moda.

Quando soubemos que Gisele seria coanfitriã do Baile do MET, que neste ano marca a abertura da exposição Rei Kawakubo/Comme des Garçons: Art of the In-Between, a improvável imagem da ubermodel vestindo uma das vanguardistas criações da estilista japonesa surgiu inevitavelmente na nossa cabeça — e na de muitos outros veículos e jornalistas de moda mundo afora. Apesar de difícil, estávamos curiosos para ver se Gisele, de alguma forma, escolheria e seguraria uma peça da CDG. Não aconteceu. Uma das primeiras a cruzar o tapete azul do evento, ela preferiu um vestido minimalista e sustentável de Stella McCartney que, sem dúvidas, agradou seus fãs.

A opção da top brasileira fez com que a expectativa para os próximos convidados aumentasse e, apesar de Katy Perry ter usado um look bastante ousado da Maison Margiela, foi Rihanna quem, novamente, roubou a cena.

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O look de Rihanna Comme des Garçons faz parte da exposição “Rei Kawakubo/Comme des Garcons: Art Of The In-Between”. (Neilson Barnard/Getty Images)

Há algo de muito especial na forma como Bad Gal Riri usa suas roupas. A cantora consegue transitar entre o street e a alta-costura com facilidade fazendo com que esses dois mundos não pareçam opostos, mas complementares. Foi assim quando na Women’s March ela juntou um vestido de tule rosa da estilista britânica Molly Godard a um moletom, boné, calça jeans e escaprins do mesmo tom. A roupa pode parecer fora de contexto, mas a cantora de Barbados a transformou em um símbolo da quebra de estereótipos de feminilidade e jogou o tecido delicado na rua.

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Em tapetes vermelhos não é diferente. As escolhas de Rihanna (vestido transparente no CFDA, volume gigantesco no Grammy…) costumam colocá-la com frequência nas listas das mais bem-vestidas. Não que isso seja realmente importante, mas é um indicativo do quanto todos estão sedentos por alguém que se arrisque e, principalmente, se expresse e divirta com a moda. Seu look amarelo no MET Gala 2015 para a mostra China: Through the Looking Glass foi inesquecível — vale ressaltar que ela foi uma das únicas a usar uma designer chinesa no evento e descobriu Guo Pei sozinha enquanto pesquisava a moda do país na internet — e o deste ano também já entrou para a seleção de momentos memoráveis. A combinação de umas das peças recentes mais marcantes de Rei Kawakubo às sandálias vermelhas de amarrações e maquiagem com muito iluminador rosa é o que podemos chamar de adaptar o tema ao seu estilo.

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(Dia Dipasupil/Getty Images)

Uma conhecida citação de Rei Kawakubo fala sobre a estilista “não desenhar para mulheres que se preocupam com o que seus maridos possam pensar sobre suas roupas”, mas a frase também serve para a sociedade no geral. Suas peças não estão preocupadas em criar uma imagem feminina tradicional. Na verdade, elas não se relacionam com nenhum tipo de estereótipo de beleza. Elas nasceram, exatamente, para desafiar as noções arraigadas do que é belo, os limites e formas do corpo e, ainda, para mostrar que há muito o que se fazer com tecidos, ou sobra deles, que costumam ser ignorados (dá para ser mais atual?).

Por esse motivo, é raro ver celebridades usando CDG por aí. Em entrevista ao site Refinery29, alguns stylists de Hollywood admitiram que, apesar de respeitar imensamente as contribuições e o olhar vanguardista de Rei, não consideram a etiqueta para suas clientes. “Meu trabalho é fazer com que o público ame as mulheres que visto”, explicou Kate Young, responsável pelas produções de nomes como Selena Gomez e Dakota Johnson.

O MET Gala, no entanto, parece ser a ocasião perfeita para que, mesmo por uma noite, mulheres se desvencilhassem de um padrão e dos olhos julgadores de seus seguidores do Instagram. Um evento para provocar discussões sobre beleza, principalmente quando a exposição homenageia o trabalho de uma mulher que dá inúmeras possibilidades ao público feminino, e que está atuante — esta é apenas a segunda vez que o museu prestigia uma personalidade viva com uma exposição; a primeira foi sobre Yves Saint Laurent, em 1983. Muito além das peças extravagantes, a Comme des Garçons também possui modelos mais, digamos, minimalistas em seu portfólio, que, ao lado de seus designs mais característicos, já declaradamente influenciaram figuras que vão de Dries Van Noten a Kanye West. Não que Gisele, Selena ou Dakota não estivessem belíssimas em seus Stella McCartney, Coach e Gucci, respectivamente, ou que não tenhamos conhecimento da dinâmica entre marcas e suas musas no evento, mas há um espírito destemido e libertador de Rei Kawakubo que teria sido muito bem-vindo nesta noite.

E é por isso que estamos apaixonados por Rihanna no MET Gala, e por Helen Lasichanh, Tracee Ellis Ross, Michell Lamy, Anna Cleveland, Stella Tennant, Sofia Sanchez

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Helen Lasichanh escolhe um look estruturado da Comme des Garçons. (Dimitrios Kambouris/Getty Images)

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Tracee Ellis Ross de Comme des Garçons no MET Gala. (Neilson Barnard/Getty Images)

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Rick e Owens e Michell Lamy, de Comme des Garçons no MET Gala. (Theo Wargo/Getty Images)

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Anna Cleveland e Stella Tennant de Comme des Garçons. (Dia Dipasupil)

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Sofia Sanchez de Comme des Garçons no MET Gala 2017. (Dimitrios Kambouris/Getty Images)

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  1. Moises Araujo

    Rihanna tem um imã de atração, não sei o que é isso!
    Tudo o que ela faz é bom e agradável, ela se sobressai em tudo o que faz.

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