Por que ficou tão caro comprar roupas em brechós?

raio gourmetizador

Eu adoro um vintage. Roupa, acessório, joia, bijoux, mobília. Mas, convenhamos: qual o sentido de pagar tanto por uma coisa usada? Afinal, um dos apelos dos brechós/flea markets é ter preços convidativos, além do caráter histórico, único e ambiental (reciclar é preciso) das peças.

Ok, eu sei que algumas coisas são raras. Brincos art déco são caros, item de colecionador, antiquário. O problema é que, de uns anos para cá, o raio gourmetizador caiu em cima de qualquer camiseta. Faça o teste e vá até um dos brechós ou feirinhas mais bacanas que você conhece. A moda agora é contar uma história e agregar valor à T-shirt puída da Segunda Guerra, comprada a 5 dólares no interior do Texas.

Recentemente, estive em Williamsburg, a meca hipster, onde a onda de levar uma vida sem apego (vinil no lugar do Itunes, roupa usada no lugar da saga consumista, geleia feita em casa – aham…), com muito estilo e barba, no caso dos meninos, começou. Uma jaqueta de couro dos anos 1980? 400 dólares. Um mule dourado dos 70, que amei, mas usaria bem pouco, devido à sua natureza Aladim? 300. “Era de uma princesa marroquina. Seu professor de artes se apaixonou por ela e fez esses sapatos a mão”, me disse a vendedora. Linda história, né? Mas, minha amiga, o dólar tá a 4, e, sinceramente, esse sapato de 45 anos tá praticamente o preço de um Prada. #puxado.

Aqui, em SP, não é diferente. A origem das roupas vem sendo usada como etiqueta, marketing mesmo. E essa vibe retrô que Alessandro Michele embutiu na Gucci só tende a inflacionar os preços – afinal, se o vintage está na moda, o vintage verdadeiro ganha mais valor, numa lógica de mercado demanda vs oferta, o alicerce do capitalismo. 

PS: Só é considerado vintage o que tem mais de 20 anos. Roupas vendidas em sites do tipo “enjoei”, bazares das amigas, “peguei bode” etc e tal, em geral, são só roupas de segunda mão mesmo. 😉 Não que elas não possam ser legais, mas não são a mesma coisa, que fique bem claro.    

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