Por que queremos tanto os sapatinhos de Carrie Bradshaw?

Semanalmente, nossa editora Vivian Whiteman irá discutir aqui os assuntos mais quentes do mundo da moda.

Será que queremos? Parece que sim. Sarah Jessica Parker acaba de lançar uma linha de sapatos, mas todos nós sabemos que quando SJP calça, pensa ou fala de sapatos ela se transforma imediatamente em Carrie Bradshaw. SJP só existe publicamente descalça e pelada. Montada é Carrie. Vendendo sapato de salto, só pode ser Carrie.

Leia mais: SJP conta suas semelhanças e diferenças com Carrie Bradshaw

É claro que ela sabe disso, e é por isso que os sapatos de sua nova linha já viraram hit. Todas amam Carrie, a princesa fashionista de NY.

Mas por que Carrie? Sex and the City já foi, o hype dos flats e flatforms tá aí, por que ainda esse fantasma da senhorita Bradshaw vulgo sra. Big ainda seduz tantas mulheres a atolar seus cartões em saltos, caixas, papéis de seda, saquinhos de pano (sapateiras entenderão) e tornozelos torcidos?

Eu, da minha parte, sempre fui mais um misto de Samantha e Miranda. De alguma maneira, elas sempre me pareceram mais vivas. Carrie passou a série inteira tendo dois tipos de problema: homens e trabalho. Sejamos sinceras, basicamente homens, vai.

Sim, os looks dela eram os melhores. Mas os sapatos em geral me incomodavam. Do tipo que não rola de andar muito, sapato-close. Lindos, é verdade, mas closudos, que não aguentam uma vida como a minha, sempre cheia de metrô.

Tudo bem pra ela, que só andava de táxi e de carro. Às vezes eu invejava até, mas na época era uma repórter dura e nem podia pensar nisso. Na minha primeira viagem internacional, em esquema mochila, comprei uns tênis de plataforma. Isso mais uns óculos giga bem 90, que faziam muito sucesso no transporte coletivo. Me chamavam de ET direto, cada manhã era realmente uma prova de amor à moda.

Mas o assunto é SATC.

Samantha também usava saltões, mas passava mais tempo pelada, o que sempre me deu a impressão de que ela estava mais descansada.

Miranda era mais praticona, vira e mexe os saltos dela eram médios ou mais chunky, pra dar mais apoio. Charlotte foi sempre muito garota-aspartame pra mim. Fofa, mas nunca me identifiquei. Mas mesmo ela chegou a chorar dentro do armário da cozinha, tombada e derrotada.

Carrie também chorou, sofreu, mas quase sempre tinha a ver com boy. Eu sei, se apaixonar por idiotas ou ser deixada de lado, mesmo em Paris, é dose. Mas a coisa toda dela me parecia entediante, assim como o marido que ela enfim consegue ou aceita, não sei.

Ninguém quer terminar com o pai do filho quando engravida, ter câncer, se sentir velha e acabada, entrar para uma família doentia. No entanto, são coisas que acontecem com muita gente. Mas eu amei quando Miranda deu uma virada na vida, quando Samantha abriu e baixou a guarda, quando Charlotte relaxou e despirocou.

Carrie foi sempre chic, apareceu zuada numa capa de revista, passou inúmeras tretas com boys, bebeu cosmopolitans, ficou obcecada por aplausos (dos boys, dos editores), frequentou festas e casou. Meio chata, sempre achei.

Por algum motivo ela continua sendo vista como a garota “independente” da série. A que fuma e senta no restaurante sozinha, paga suas contas. Bom, Miranda e Samantha sempre foram bem mais além nesse quesito.

Não fosse a amizade das outras 3, sejamos francas, nem coluna direito ela teria pra escrever. Mas continuamos querendo andar nos sapatos de Carrie, continuamos atrás do close. Até quando, Cinderela?

Eu sei que o primeiro ímpeto de muitos de vocês será me xingar. Mas isso aqui é apenas uma reflexão com um pé na ficção. E, afinal, se você ainda acredita em sapatinho de cristal, cuidado pra não descer dele.

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  1. Elen Garcias

    Concordo exatamente com o que disse.
    O esteriótipo que se tem da Carrie e totalmente contrária as atitudes dela, acho que o que pensam da Carrie e a pessoa que ela QUE SER não o que ELA É. Nada contra ela “viver” para os homens, isto é jeito e escolha de cada um. Para mim, ela só não é esse “espelho” de mulher moderna que todos dizem.

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