“Precisamos encorajar uma mudança na forma como compramos”, diz fundadora do Fashion Revolution Week

Ir a uma loja e comprar uma peça de roupa é praticamente um movimento automático. Pensar sobre como essa peça chegou à loja, no entanto, é um exercício diário, que o movimento minimal – encabeçado por iniciativas como o armário cápsula – propõe diariamente, para repensar a forma como consumimos moda. 

A Fashion Week Revolution, uma semana de eventos que teve início na segunda-feira (18.04), tem o objetivo de, justamente, amplificar esse questionamento. Criada por Orsola de Castro e Carry Somers, essa revolução começou online, impulsionada pela catástrofe do Rana Plaza, um complexo de prédios em Bangladesh que abrigava uma série de trabalhadores do setor têxtil, e que desabou em 2013 matando mais de mil pessoas e deixando outras 2.500 seriamente feridas.

O momento, segundo os fundadores do evento, é propício também para incentivar ainda mais a discussão, já que o movimento do ‘see-now-buy-now’, em que grandes marcas decidiram apresentar coleções nas semanas de moda ao mesmo tempo em que elas chegam nas lojas, promete acelerar mais uma vez o nível de produção do mercado. 

Leia também: Entenda o “see noy, buy now”

“Nós estamos vendo uma nova cultura na moda que instiga esse consumismo enorme. Está se tornando indetectável – quanto mais marcas transferem a produção para países em desenvolvimento, menos nós entendemos. Acima disso, nós vemos uma geração que está desinteressada em passar tempo fazendo qualquer coisa. Então nós temos o fast fashion: compras rápidas, descartes rápidos. Nós precisamos encorajar uma conexão entre as pessoas que fazem as nossas roupas e uma mudança na forma como nós compramos”, disse Orsola para a Dazed. “Como resultado, podemos diminuir o ritmo do monstro e começar a apreciar a moda pelo que ela realmente , uma indústria maravilhosa e com um potencial de liderança”. 

O consumidor geral, dizem os fundadores, podem, sim, começar a mudar os seus hábitos com pequenas ações, como perguntar ‘Quem faz as minhas roupas?’ e buscar, nas próprias etiquetas, as respostas sobre a procedência de uma peça. 

A Fashion Week Revolution começa com um bate-papo junto com o parlamento britânico para levantar essas e outras questões sobre o mercado fashion e o seu funcionamento, levando em consideração também essa mudança do formato, que já ganhou adeptos como a própria Burberry, símbolo da moda inglesa. 

“Para um designer novato, o período entre apresentar a sua coleção para os compradores e colocá-la a venda é vital. É quando você conversa com as costureiras, acerta as suas estampas. É quando você aprende o seu ofício. É aí que você é um estilista. Nos termos da fast fashion, [o modelo see-now-by-now] faz tudo mais rápido. Antes você tinha que esperar o quê? Duas semanas? Agora você não espera nada. Nós achamos que o fast fashion é como um encontro de uma noite só e o resto é mais como um relacionamento”, completou. 

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