Rick Owens ia à academia de botas pretas por não gostar de tênis

Em recente entrevista, o estilista gótico minimal falou sobre o sistema da moda e hábitos pessoais peculiares.

Rick Owens é um dos estilistas mais respeitados da atualidade. Seus desfiles, sempre surpreendentes e performáticos, justificam o título que ele acaba de receber. Durante o CFDA Awards, o designer foi laureado com o prêmio Geoffrey Beene pela sua contribuição à moda. “Eu quero fazer um desfile que eu mesmo tenha vontade de ir“, disse o estilista ao WWD. “É algo egoísta, mas é também um desafio. O que eu amo na moda é que ela funciona como um quebra-cabeça que você tem que solucionar quatro vezes ao ano.”

Ele não se intimida pelas mudanças drásticas que o sistema da moda tem sofrido. “Não acho que exista uma solução. Acho que existem designers diferentes com estruturas diferentes. Não há certo e errado”, opina. “Detestaria parecer aquele tipo de pessoa que sabe de tudo e fica julgando a maneira como as pessoas vivem e trabalham”, arremata.

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Vale lembrar que, apesar de operar em escala global, o estilista continua independente até hoje. Segundo ele, o segredo para isso é não se comportar “como uma criança mimada“. “É preciso ter um senso de responsabilidade a respeito do lado business da coisa. Nunca precisei abrir concessões, sempre amei tudo que fiz: desde a camiseta mais simples que temos na loja até a peça mais conceitual desfilada na última Semana de Moda de Paris.”

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Obviamente, elas transformaram tudo numa grande orgia“, comenta sobre o papel das redes sociais no mundo fashion. “No entanto, quem não gosta de uma orgia? Por que isso deveria ser uma coisa ruim? É a evolução e desaprovar esse tipo de coisa me parece um bobo”, brinca. A visão do estilista para a maioria dos assuntos na conversa era ligeiramente fatalista. Ao mesmo tempo em que ele reconhece fazer um trabalho muito diferente da média dos designers na ativa atualmente, Owens percebe que tentar definir o mercado ou colocá-lo numa caixinha é uma bobagem.

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Falando em bobagens, durante o bate-papo, ele relembrou o momento epifânico (e hilário) que fez com que ele criasse um de seus maiores hits: os sneakers de sua marca. “O engraçado é que quando eu comecei a fazer tênis, eu odiava cada um deles. Achava que tênis era a peça mais banal do mundo. Ficava irritado até. Mas, quando eu comecei a ir a academia, percebi que era meio ridículo ir lá com as minhas botas pretas pesadas. Fiz isso por anos. Então, os meus tênis viraram uma paródia dessas botas, totalmente dramáticos e exagerados para que eles se encaixassem no meu mundo teatral.”

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