Saiba por que brechós como o Replay mudam a cara do garimpo de moda

ELLE conversou com o Eduardo Costa, uma das mentes por trás dessa nova safra de brechós contemporâneos.

Pode parecer paradoxal, mas os brechós estão cada vez mais com os olhos voltados para o futuro. O conceito de loja vintage que só funciona para a venda de achados tem ficado, de fato, no passado. Hoje, os nomes por trás das casas de garimpo se desdobram em criações com peças de reúso, discursam sobre pautas atuais como a sustentabilidade e produzem imagens de moda que balançam entre o que poderia ser considerado velho, mas que nós queremos usar agora ou até mesmo depois de amanhã. 

Exemplo disso é a parceria de Fábio Souza com Alexandre Herchcovitch na À La Garçonne. A marca criada por Fábio, em 2009, já era mais do que conhecida pelas vendas de roupas e objetos de decoração cheios de história (tudo isso continua na loja do casal, localizada no bairro de Pinheiros). A etiqueta alargou seu repertório durante este ano ao entrar para o line-up do SPFW, com Alexandre no comando de estilo. 

Agência Fotosite

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A proposta não poderia ser mais certeira no que diz respeito ao que vivemos no momento atual: olho e intervenção no passado para construir peças de desejo contemporâneas. Afinal, qual fashionista não se desdobrou de vontade de ter a jaqueta vintage de couro repensada com pinturas à mão?

Agência Fotosite

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E não estão sozinhos nessa. Alguns nomes famosos do brechó se atualizam e outros nascem ligados ao que há de mais recente no mundo para divulgarem seus itens, como a produção de editoriais de moda próprios no instagram ou em plataformas de vídeo, além da venda de todas as peças com a facilidade de um clique no e-commerce. 

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Entram na lista a dupla Vinícius de Liz e Rebeca Oksana, jovens por trás da Boutique São Paulo, que abastecem o feed de imagens com fotos cor pastel e modelos next door usando seus achados. Ou Júlia Schindler, da Banana’s Vintage, igualmente doce nos tons e com venda focada totalmente no online. Os lookbooks podem parecer despretensiosos, mas mostram os itens de forma conceitual e dão uma ideia de como usá-los de maneira bem jovem.  

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Quebrando barreiras

Mas se é para falar sobre estremecer conceitos, tudo indica que o nome da vez seja o da Brechó Replay. Marca que completa apenas um ano nesse mês, mas que já conquista os olhares de quem adora navegar entre um @ e outro. No último domingo, eles apresentaram um desfile-performance no centro da capital de São Paulo e prometem crescer com seu visual pautado em desconstrução. Conversamos com o paulista Eduardo Costa, de 27 anos, que idealizou o projeto ao lado de Gustavo Fogaroli, e ele conta um pouco mais sobre a sua iniciativa: 

Marcelo Paixão

Marcelo Paixão

Quem está por trás da Replay, hoje?
Eu, Eduardo Costa, e dois assistentes: o Ricardo Boni e a Victoria Carolina. 

Como tudo começou?
Eu estava me desapegando de algumas peças do meu guarda-roupa. Passando de um visual para outro. Coloquei tudo nas redes sociais, mas parti para o instagram, criando um conceito visual que amarrasse tudo. Isso há um ano. Depois comecei a montar um acervo na edícula da minha casa com peças garimpadas. Tudo fica, aqui, no centro de São Paulo, para que alguns compradores experimentem e stylists possam fazer curadoria para produções. 

Qual o DNA da Replay? 
É uma marca de garimpo. Dessa forma, é inevitável o tema vintage. Mas é uma forma de trabalhar o antigo sob uma perspectiva atual. Pensamos nas gangues de Nova York, nos grupos do Brooklin, como inspirações. Queremos algo que a galera nova tenha vontade de usar e se identifique, mas trabalhando com o reuso de peças antigas.

E o garimpo? Como ele é feito?
A procura das peças é feita a partir de moods que o brechó aposta. Atualmente, o brilho dos anos 2000, os tons de nude e o clássico jeans. Toda referência vem do burburinho no mundo da moda, das vivências de quem participa e da moda de rua, é claro, sempre muito presente.

Editorial: De Alexandre Ph: @pedrocks_ Beauty: @camiladealexandre

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Vocês produzem editoriais autorais. Como eles são construídos?
Tentamos trabalhar sempre como um coletivo. Uma direção de arte parte de mim, mas conversamos entre nós para manter uma horizontalidade. Os profissionais mudam a cada editorial só que todos opinam. Maquiadores, fotógrafos e modelos. 

O casting é uma característica marcante. Como escolhem os modelos? 
Tentamos evitar os ditos comerciais. Nós vamos atrás de influenciadores digitais, pessoas que estão empoderando gente por aí. A linha é trabalhar com diversidade e com gente que tem um discurso bacana. Não é só estilo, vai da vibe da pessoa também. 

Editorial: COLORISMO Ph: @rafaelmnz Beauty: @showerofvibes Assistente: @jiromba1 Conceito: @eduardocostapapi

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Vocês tocam em assuntos como o racismo, o colorismo e o protagonismo nos editoriais. Como trazem esses tópicos para uma imagem de moda?
São coisas que eu vivo. Tem muito da minha militância negra e de outros companheiros. O editorial do colorismo é um exemplo disso. As frases que foram veículadas nas legendas, são histórias dos próprios modelos. É algo íntimo e a nossa preocupação de tonar tudo novamente um coletivo. 

Quais são as maiores referências?
As minhas principais influências partem do que eu vivo no meu dia-a-dia. Também tentamos sempre nos conectar ao máximo com o que estão falando no mundo digital. Se tem alguma pauta que é muito discutida na web, nós vamos atrás e tentamos dialogar com os editoriais. 

Marcelo Paixão

Marcelo Paixão

Vocês acabaram de realizar uma festa de um ano da marca no último domingo com direito a um desfile. Começa uma produção própria?
Foi uma festa de aniversário, mas temos vontade de repeti-la pelo menos a cada dois meses. O desfile tinha peças que nós criamos, sim, mas tudo com material de reúso. Eu nunca compraria um rolo de tecido para produzir mais roupas. Isso fugiria do nosso princípio de sustentabilidade. Há vontade, é claro, de produzir novos elementos reutilizados. É a nossa linguagem de reaproveitamento. Nesse desfile, pegamos jaquetas antigas e acrescentamos pelúcias. Criamos casacos com mantas, com aquele tecido geralmente usado como cobertor por pessoas em situação de rua. 

Marcelo Paixão

Marcelo Paixão

E teve um mood pós-apocalíptico, pode me falar dessa pegada?
Isso está completamente ligado com a nossa militância. A história de que a sociedade está focada nas nossas características, apenas. Todos pensam que não precisarão de ninguém no futuro. A realidade pós-apocalíptica é o completo oposto disso. Tem a ver com a ideia de que temos especificidades, mas somos todos humanos e, inevitavelmente, uma hora, precisaremos uns dos outros. 

Marcelo Paixão

Marcelo Paixão

O instagram da Replay, hoje, é o local onde as pessoas podem comprar principalmente?  
Sim, é só enviar um direct que a gente marca um horário para a pessoa experimentar ou dar uma olhada no nosso acervo. Temos um site, também, que ficará pronto no dia 25 de julho para compras. Assim, o instagram será apenas a nossa plataforma visual. 

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