Será que a moda consegue sobreviver sem muros?

Em sua coluna Visões de Vivi, nossa editora discute os assuntos mais quentes e relevantes do momento na moda.

Será que a moda consegue sobreviver sem muros? Será que consegue manter sua relevância sem querer mastigar o mundo e determinar padrões restritos de bom gosto, do que é bonito ou feio? Estamos prestes a descobrir a resposta.

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O discurso da diversidade começou no mercado como um truque de marketing baseado em demandas reais, uma oportunidade de ampliar a base de consumidores sem mudar quase nada na estrutura. Mas parece que o jogo virou. Os padrões restritos de fato incomodavam e ainda incomodam muito. A desconexão total da realidade e o esnobismo disfarçado de luxo também. O descontentamento aproveitou a pequena abertura para revelar um fluxo de ideias poderoso, que, feito um rio de novidades, começa a derrubar muros e construir novos caminhos.

Basta pensar, por exemplo, nas mudanças no conceito de modelo. Lentamente, o padrão “Gisele” abre espaço para outras belezas. Pense nas neomusas Adwoa Aboah e Slick Woods, em Ashley Graham e Candice Huffine. Pense em agências como a brasileira Squad e suas meninas com cores, corpo e altura variados. Algo mais perto de representar a variedade humana e sua força.

A moda está apostando em pontes para substituir os muros. O genderless é uma ponte. A roupa que veste bem as mulheres gordas e não as exclui é uma ponte. O que a Balenciaga está fazendo em termos de estilo é uma ponte.

Quando Demna Gvasalia se apropria quase que literalmente do design popular e da moda de rua usada pela classe média com pouco poder de compra, ele questiona os limites do gosto. Ele quebra alguns muros do luxo. Ele ridiculariza o sentimento de superioridade que a moda tanto se esforçou para cultivar. Ele cria, assim, uma ponte de comunicação.

A política, o feminismo, a luta contra o racismo, o movimento LGBT, o fato de todos eles estarem dialogando com a moda de alguma maneira, isso é uma pista para mudanças maiores.

Iniciativas como o #tiedtogether, a Women’s March (projeto feminista com adesão de designers e veículos de mídia de moda), o envolvimento de estilistas e modelos nas eleições francesas e nos protestos anti-Trump, há muitos exemplos concretos em curso. Marc Jacobs, Jacquemus, Maria Grazia Chiuri, Raf Simons e tantos outros estão entre as vozes que se levantam no momento.

Sempre ouvimos que a moda reflete seu tempo. Porém, muita gente se contenta em refletir o status consolidado, deixando de lado os movimentos de quebra e de construção. Uma moda que não leva em consideração os avanços dos movimentos sociais hoje não reflete o nosso tempo.

É claro que no meio de tanto som e fúria existem vários graus de distorção. Existem profissionais e designers querendo amplificar o recado popular. E outros interessados apenas em usar o ruído para fingir que estão saindo do lugar. É necessário ouvir atentamente, analisar. E, por fim, avaliar por quê, diante desse cenário, alguns escolhem permanecer em silêncio.

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